Com 165 anos de história, o Marubeni é uma dos maiores grupos do Japão. Sua receita global supera os US$ 54 bilhões, com negócios em setores distintos, como energia, alimentos, agronegócio, química, infraestrutura e serviços financeiros.

No Brasil, onde atua há mais de cinco décadas, ele segue a tradição oriental de atuar de forma discreta. Mas vem ampliando, sem alarde, suas operações no País.

Há algumas semanas, por exemplo, deu um passo relevante na modernização de sua estrutura de comercialização de grãos. Através da subsidiária Marubeni Grãos Brasil (MGB), braço comercial do grupo no País, a trading fechou uma parceria com a agtech Grão Direto para começar a utilizar as tecnologias da companhia e digitalizar suas operações e sua conexão com o campo.

A adesão ao digital coloca a MBG na mesma esteira de outras grandes companhias do setor, que já integram o ecossistema da Grão Direto. Desde março de 2022, além de usuárias da plataforma da agtech, Amaggi, ADM, Cargill e Louis Dreyfus Company (LDC) são acionistas minoritárias da empresa, tendo entrado juntas em uma rodada de R$ 40 milhões.

O digital “não é mais o futuro da comercialização de grãos, é uma realidade agora”, diz o texto do comunicado em que as duas empresas informam sobre a parceria.

A entrada no digital acontece sobre uma base consolidada. A MGB é responsável, desde 2011, pela originação de soja e milho no mercado interno, adquirindo grãos de produtores, cooperativas e comerciantes para exportação a destinos como China, Japão e outros países asiáticos.

A empresa movimenta entre 3 e 4 milhões de toneladas de grãos anualmente e faturou R$ 2,6 bilhões em 2024, segundo informações fornecidas pela empresa ao ranking Forbes100 2025. A operação é sustentada por logística própria e conta como trunfo com o terminal graneleiro Terlogs, no porto de São Francisco do Sul (SC), que, embora seja uma empresa independente, pertence ao grupo Marubeni. Além disso, tem atuação nos portos de Santos e Paranaguá.

A presença do grupo no agronegócio brasileiro, porém, vai além dos grãos. O Marubeni controla integralmente a Cia. Iguaçu de Café Solúvel, fundada em 1967 e investida da Marubeni desde 1972, com capacidade de fabricar 23 mil toneladas de café solúvel por ano e exportação para mais de 50 países.

Detém ainda 80% da Adubos Real S.A., empresa de insumos agrícolas sediada em Minas Gerais. A Marubeni Brasil S.A., holding local do grupo controlada 100% da japonesa Marubeni Corporation, mantém escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador e atua em segmentos que vão de alimentos e agronegócio a energia, infraestrutura, metais e soluções industriais.

Globalmente, o Marubeni é também um gigante dos grãos. Segundo dados oficiais do grupo, o grupo responde por cerca de 20% das importações japonesas de grãos e oleaginosas, um mercado de aproximadamente 30 milhões de toneladas por ano.

Na divisão de alimentos e agronegócio, a companhia se posiciona entre as primeiras entre os sogo shosha, como são chamados os grandes conglomerados comerciais japoneses que combinam comércio internacional em larga escala, logística, financiamento e investimentos globais.

“A parceria com a Marubeni reforça o ecossistema digital que construímos ao longo dos últimos anos e mostra que a digitalização já é o caminho natural para quem comercializa grãos no Brasil”, afirma Gabriela Felizardo, head de Operações da Grão Direto, no anúncio.

“Quando uma trading dessa relevância decide dar esse passo, é um sinal claro para todo o mercado”.

A agtech tem sido eficiente em atrair grandes grupos do agro. Além das quatro tradings, seu cap table conta com nomes como Basf, Bayer e SLC Agrícola. Recentemente, como informou o AgFeed, a Minerva Foods comprou uma participação e entrou para a lista. Também entre os investidores estão Bradesco, CME Ventures, Kaszek e Endeavor Scale-Up Ventures.

A Marubeni encontra uma plataforma em plena expansão. Entre 2021 e 2025, o volume negociado digitalmente através dela cresceu 12 vezes, atingindo 12 milhões de toneladas comercializadas no ano passado.

Resumo

  • Marubeni Grãos Brasil adere à plataforma Grão Direto para digitalizar a comercialização de soja e milho no Brasil
  • Trading movimenta até 4 milhões de toneladas de grãos por ano e atua no país desde 2011
  • Parceria amplia o ecossistema da Grão Direto, que já reúne Amaggi, ADM, Cargill e LDC entre as acionistas