A partir deste mês de outubro o grupo Zen-Noh, que controla a maior cooperativa agrícola do Japão e outros negócios ao redor do mundo, passa a figurar oficialmente entre os acionistas do Grupo Cereal, empresa controlada pela família Baraúna, com sede em Rio Verde (GO), e que atua na originação de grãos, comercialização de insumos agrícolas, processamento de soja e produção de biodiesel.

A transação entre o Cereal e a Zen-Noh Brasil, subsidiária do grupo nipônico no País, foi anunciada há pouco mais de dois meses, mas formalizada agora, após o sinal verde do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que analisou o negócio.

Com isso, a companhia estrangeira passa a deter 30% do capital da brasileira, com os demais 70% permanecendo nas mãos dos controladores. O fundador Evaristo Lira Barauna assumirá a presidência do Conselho de Administração do grupo e Adriano Baraúna permanece como CEO. Os valores envolvidos não foram divulgados.

O fechamento do negócio deve abrir portas para uma nova fase de crescimento do Grupo Cereal, que vem de um período de expansão embalado em um plano de aportes de R$ 800 milhões.

“A entrada da Zen-Noh fortalece a capacidade de investimento do Grupo Cereal e contribuirá para acelerar as ambições de crescimento de longo prazo da companhia”, informou a companhia, em nota, ao AgFeed.

Os planos incluem, segundo o Cereal, “expansão geográfica, novas oportunidades de negócios e melhorias em infraestrutura para melhor atender nossos produtores parceiros”. Em curto prazo, a empresa deve anunciar novos investimentos em armazenagem e recebimento de grãos em localidades estratégicas.

O Grupo Cereal faturou, no ano passado, R$ 5,2 bilhões, um avanço de 23,8% sobre os R$ 4,2 bilhões de 2024. O lucro líquido do período subiu fortemente, somando R$ 292 milhões, 104% de alta.

Para 2026, a previsão feita por Adriano Baraúna, em entrevista ao AgFeed no ano passado, era investir R$ 100 milhões para ampliar a capacidade estática de armazenamento, hoje na casa de 700 mil toneladas distribuídas em 14 unidades, em no mínimo, 50 mil toneladas, além de dar início a um projeto de expansão da capacidade produtiva de sua usina de biodiesel, passando de 650 mil litros para 1 milhão de litros por dia a partir de 2027.

Questionada sobre a execução desse plano e eventuais novos aportes, já com o apoio da Zen-Noh, a companhia respondeu que, embora “entusiasmados com as oportunidades” decorrentes da entrada do novo sócio, não divulgaria valores específicos de investimento, “uma vez que as decisões de investimento atuais são baseadas nas oportunidades que estão em evolução e nas prioridades estratégicas de longo prazo”.

A visão das duas empresas é que “a combinação da forte presença do Grupo Cereal no Brasil com a rede global e a experiência internacional da Zen-Noh” cria novas oportunidades para conectar produtores à demanda, inclusive em importantes mercados de exportação, sobretudo na Ásia.

Com isso, elas acreditam em um potencial significativo de crescimento na originação de grãos, embora não tenham, pelo menos publicamente, meta específica estabelecida nessa area. A Zen-Noh entrou no Brasil há quase uma década, a partir de uma joint-venture com Amaggi e LDC, a ALZ, voltada à originação e exportação de soja e milho.

A Zen-Noh Brasil é uma subsidiária da empresa norte-americana Zen-Noh Grain Corporation (ZGC), que por sua vez é controlada pelo grupo oriental. No Japão, ela opera como uma federação que reúne 945 cooperativas agrícolas, congregando milhões de agricultores.

Nos resultados mais recentes, que correspondem ao ano fiscal de 2024, que vai de abril de 2024 a março de 2025, a Zen-Noh faturou 4,8 trilhões de ienes (cerca de US$ 30 bilhões no câmbio atual).

“A Zen-Noh avalia continuamente oportunidades de investimento alinhadas à sua estratégia global de longo prazo, e o Grupo Cereal reúne atributos que consideramos essenciais: uma trajetória sólida de mais de 40 anos, excelente reputação, profundo conhecimento do agronegócio brasileiro e forte relacionamento com os produtores rurais@, afirmou Ricardo Capone, presidente da Zen-Noh Brasil, ao AgFeed em julho passado, na ocasião do anúncio da transação.

Segundo ele, a compra de parte do capital acionário do Cereal ocorreu após a identificação de uma empresa brasileira que reunia características consideradas essenciais pela cooperativa japonesa.

Com operação diversificada, hoje o Cereal recebe cerca de 2 milhões de toneladas anuais de soja e milho e esmaga 3 mil toneladas de soja por dia em uma unidade processadora de grãos e também produz biodiesel.

“Estamos muito orgulhosos de dar oficialmente as boas-vindas ao Grupo Cereal como parceiro estratégico”, reforçou Capone após o fechamento do negócio. “Juntos, vamos construir sobre a sólida base que já existe, investindo em pessoas, infraestrutura e relacionamentos que geram valor duradouro em toda a cadeia do agronegócio.

Resumo

  • Zen-Noh Brasil conclui a aquisição de 30% do Grupo Cereal após aprovação do Cade
  • Parceria reforça a expansão do grupo goiano em grãos, armazenagem, processamento de soja e biodiesel
  • Novo sócio japonês pode ampliar investimentos e conectar o Cereal a mercados de exportação, especialmente na Ásia