O mercado de bioinsumos agrícolas já é uma realidade, mas o futuro promete ainda mais para o segmento. De acordo com estimativas da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio), a projeção é que esse mercado chegue a R$ 9 bilhões em 2030, com um crescimento de 60% até lá.
De olho nesse potencial e na necessidade de integrar suas operações de forma estratégica, o empresário Marcelo Godoy de Oliveira estruturou a Cogny, uma iniciativa que conecta suas empresas que atuam em diferentes segmentos dentro dos biológicos.
O ecossistema, como tem sido chamado, é formado por empresas referência em desenvolvimento de insumos biológicos, tratamento de sementes, controle de pragas e preparo do solo para agricultura. As principais companhias são a Simbiose, a Bioma, Biagro, Biograss e Biojet.
Para liderar a estratégia comercial e de marketing da Cogny, a empresa acabou de contratar Jair Swarowsky como vice-presidente, um executivo com 35 anos de atuação na Corteva.
A chegada do executivo ocorre num momento em que a companhia quer se consolidar no mercado.
Conforme explicou Swarowsky ao AgFeed, a Cogny não é uma holding. O conceito é mais próximo de uma rede de empresas complementares, que vão compartilhar governança, estratégia e recursos, mas mantêm operações independentes no mercado.
“A Cogny tem que ser interpretada como um guarda-chuva que incorpora as empresas”, disse o executivo. A Cogny nasce, portanto, para criar sinergias e ampliar as possibilidades de atuação dessas companhias.
“Cada uma delas tem sua estratégia de acesso a cada mercado, com portfólios específicos. Aqui, com o portfólio complementar, vamos buscar sinergias para explorar o mercado, afinal de contas, o produtor é o mesmo”, disse o VP comercial e de marketing da Cogny.
Nesse ecossistema foi criado um conselho consultivo, formado pelos sócios Marcelo Godoy de Oliveira, Elis Maria de Godoi Oliveira e Alexandre Tramontini.
Marcelo de Godoy e Elis Maria, além de integrarem o conselho, permanecem nas funções executivas, respectivamente como CEO e VP da área financeira. Já Tramontini deixa a função executiva na área comercial para se dedicar ao conselho consultivo, de forma a fortalecê-lo e a ajudar a criar uma estrutura de governança para a contratação de conselheiros independentes no futuro.
Atuando tanto na parte de vendas quanto no marketing, Jair Swarowsky conta que o desafio é capturar as oportunidades que o mercado de biológicos oferece para cada empresa, sempre pensando em expansão de negócios.
A Simbiose, que atua com insumos e tem como carro chefe um solubilizador de fósforo, por exemplo, recentemente anunciou que seus produtos biológicos serão vendidos tanto nos EUA quanto na Europa.
Já a Bioma, também de insumos, anunciou no ano passado investimentos de R$ 350 milhões para crescer 200% em cinco anos. A companhia irá investir em equipe e na formulação de novos produtos à base de vírus e fungos.
Dentre as outras companhias, a Biagro é uma empresa de origem argentina que atua com microbiológicos. A companhia já fez parte do portfólio da Bayer no passado.
A Biograss atua com sementes de pastagem, e segundo Swarowsky, é um “veículo que leva a tecnologia das outras três” para produtores que plantam culturas de cobertura na entressafra, de olho na agricultura regenerativa, ou para aqueles que fazem integração lavoura-pecuária.
Por fim, a Biojet atua com equipamentos de pulverização. “A Biojet foi criada baseada em uma oportunidade, pois se notou que havia uma deficiência nos sistemas de aplicação dos biológicos. Nosso produto sendo bem aplicado melhora sua eficiência”, explicou o executivo.
A ideia é fazer com que essa união faça com que as companhias se ajudem. Assim como na Simbiose, uma espécie de “empresa mãe” dentro do ecossistema, a Cogny olha para um futuro também internacional. “A gestão do ecossistema dará todo suporte para, de acordo com a execução estratégica de cada empresa, buscar oportunidades de internacionalização”, finalizou.