A Coamo, maior cooperativa agroindustrial do Brasil, anunciou a emissão de R$ 500 milhões em notas comerciais. Os recursos serão destinados exclusivamente para a construção da usina de etanol de milho da cooperativa, que está sendo instalada em Campo Mourão (PR) e deve ser finalizada até fevereiro de 2027.
As informações constam em documentos divulgados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na manhã desta segunda-feira, 20 de abril.
A operação é realizada no âmbito do Eco Invest Brasil, programa do governo federal que financia investimentos sustentáveis a partir de recursos do Tesouro Nacional no modelo de blended finance. A partir do Eco Invest, o Tesouro repassa os recursos para que bancos públicos e privados consigam multiplicar os valores no mercado e possam financiar projetos sustentáveis a juros baixos.
O coordenador líder da emissão da Coamo é o banco Santander. A operação é destinada apenas a investidores profissionais, ou seja, aqueles que têm mais de R$ 10 milhões em aportes.
O prazo das notas comerciais é de dez anos e a remuneração é de 12,37% ao ano, em percentual prefixado. Os pagamentos devem acontecer de forma semestral, em abril e outubro de cada ano.
A amortização inicia 48 meses após a emissão, ou seja, a partir de abril de 2030. Ao todo, estão sendo ofertados ao mercado 500 mil títulos, com valor unitário de R$ 1 mil.
Essa é a segunda emissão da Coamo desde o início de 2026. Em janeiro, a cooperativa já havia feito outra operação de emissão de notas comerciais em um valor baixo, de apenas R$ 1 milhão, em operação coordenada pelo banco de investimentos Itaú BBA.
Antes disso, em novembro do ano passado, o Itaú BBA anunciou que apoiou a Coamo em sua primeira operação no âmbito do programa Eco Invest, que somou R$ 400 milhões.
Ao todo, a usina de etanol de milho deve exigir investimento total de R$ 1,9 bilhão, estima a Coamo.
Quando estiver concluída, a planta será capaz de produzir diariamente 763,3 metros cúbicos de etanol hidratado e 723 metros cúbicos de etanol anidro.
O biocombustível será produzido a partir do processamento de 1,7 mil toneladas de milho por dia, o que equivale a aproximadamente 20% do volume de milho que a Coamo recebe de seus cooperados.
Como o projeto prevê impacto ambiental positivo, com a redução de emissões de gases do efeito estufa a partir da produção de etanol, além do aproveitamento de coprodutos no processo produtivo e também de eficiência energética, a Coamo conseguiu enquadrar o projeto no Eco Invest.
Com mais essa operação, o começo de 2026 tem sido movimentado na Coamo. Ainda em janeiro, a cooperativa comprou, por R$ 136 milhões, quatro armazéns situados no Norte do Paraná, que pertenciam ao fundo de investimentos Patria e estavam arrendados para a Belagrícola, companhia de distribuição de insumos em dificuldades financeiras.
Cerca de 45 dias depois, em março, fez novo negócio com a Belagrícola, com a aquisição das estruturas de beneficiamento de sementes e de armazenagem localizadas no município da Tamarana, próximo a Londrina. E em paralelo, também fechou um contrato de prestação de serviços com a companhia, passando a receber grãos para a Belagrícola.
Neste mês, a cooperativa assinou um acordo não vinculante com a companhia de fertilizantes Yara para estudar possível uso em conjunto no novo terminal portuário que a Coamo vai instalar a partir de 2027 em Itapoá (SC).
O projeto deve entrar em operação em 2030, tem investimentos estimados em R$ 3 bilhões e terá capacidade de movimentar 9,3 milhões de toneladas de carga por ano.
No ano passado, a Coamo faturou R$ 28,7 milhões, estável em relação aos R$ 28,8 bilhões de 2024. Houve alta de 19,7% no recebimento de grãos, atingindo 9,6 milhões de toneladas de produto.
Resumo
- A Coamo, maior cooperativa agroindustrial do Brasil, está fazendo a emissão de R$ 500 milhões em notas comerciais
- Os recursos serão destinados para nova usina de etanol de milho em Campo Mourão (PR)
- Emissão de notas comerciais está inserida no âmbito do programa Eco Invest Brasil