Retratos frio de um momento das empresas, os números nos balanços nem sempre ajudam a contar a sua história real naquele período. Os resultados da gigante alemã Basf, divulgados na manhã desta sexta-feira, 27 de fevereiro, que o digam.
Mesmo diante de um lucro de mais de meio bilhão de euros apenas em um trimestre, o último de 2025 (depois de ter amargado um prejuízo de € 786 milhões no mesmo período um ano antes), e de € 1,6 bilhão em todo o ano (alta de 24,7% em relação a 2024, não faltaram palavras duras na conferência dos principais executivos da companhia com analistas, realizada pela manhã.
Se por um lado o CEO, Markus Kamieth, e o CFO, Dirk Elvermann, ressaltaram conquistas do plano de reestruturação e corte de custos – batizado internamente de “Winnig Ways” (caminhos vencedores, em inglês) –, ambos também deixaram bem claro que tudo que foi feito até agora ainda é insuficiente para que suas metas sejam atingidas.
“Sabemos com certeza que, com os programas que implementamos até agora, não conseguiremos atingir o objetivo completo”, disse Elvermann aos analistas, ao alertar que a redução obtida não compensou o fraco desempenho nos principais mercados em que atua.
No encontro, ele informou que mais cortes virão, desta vez com foco na área de TI do grupo, que emprega em torno de 8,5 mil pessoas. A empresa já havia feito demissões em várias de suas unidades, com destaque para o complexo de Ludwigshafen, na Alemanha, o maior complexo químico integrado do mundo.
E anunciou que o objetivo com os cortes de custos foram ampliados de € 2,1 bilhões para € 2,3 bilhões.
As reações foram imediatas, com sindicatos convocando manifestações e as ações da companhia, que vinham em um ciclo de recuperação, chegando a cair mais de 5% ao longo do pregão da bolsa de valores de Frankfurt e fechando com queda próxima de 2%.
A última linha do balanço não conta, assim, uma história de desempenho operacional ou de vendas maiores. A receita anual, de € 56,6 bilhões, foi 2,9% inferior à de 2024. O Ebitda recuou de € 6,2 bilhões para € 5,6 bilhões.
Assim, balanço positivo reflete, segundo pontuou a própria Basf, à melhora nos resultados de subsidiárias não integrais contabilizadas pelo método da equivalência patrimonial.
“Por isso, focamos principalmente nas coisas que podemos controlar dentro do âmbito da nossa estratégia”, disse o CEO.
“Iniciamos com sucesso as principais plantas em nosso novo complexo Verbund em Zhanjiang. Também aceleramos nossos programas de economia de custos e simplificamos significativamente a organização da Basf. Além disso, avançamos de forma rápida e bem-sucedida com as medidas de portfólio anunciadas”.
A simplificação do portfólio tem como objetivo concentrar esforços em seus negócios mais lucrativos. Assim, a Basf já vendeu sua divisão de tintas no Brasil, a Suvinil, para a Sherwin-Williams, desmembrou sua divisão de revestimentos e anunciou os planos para um IPO de sua divisão de Soluções Agrícolas até 2027.
Além disso, esta semana a Basf anunciou a venda de 4,4 mil apartamentos de sua propriedade parafortalecer seu balanço patrimonial.
Do lado dos ganhos operacionais, no entanto, não há expectativa de melhora significativa. Em seu guidance, a Basf informou que o Ebitda antes de itens especiais deve ficar entre 6,2 bilhões e 7 bilhões de euros. Em 2025, o indicador já ficou dentro desse intervalo, em 6,6 bilhões de euros.
Resumo
- Basf reverte prejuízo trimestral e lucra € 1,6 bilhão em 2025, impulsionada por bons resultados em participações societárias
- A receita e o Ebitda recuaram, refletindo demanda mais fraca nos principais mercados globais
- Companhia amplia meta de cortes de custos e prepara novas reduções de pessoal, agora com foco na área de TI