Um dos maiores players do mercado de defensivos químicos para a agricultura, a gigante alemã Basf anunciou nesta quarta-feira, dia 1º de abril, o fechamento da compra da AgBiTech, companhia de insumos biológicos de origem australiana, com sede nos Estados Unidos e a maior parte de seus negócios no Brasil e em outros países da América do Sul.

A transação, que havia sido anunciada em janeiro deste ano, foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e outras autoridades competentes.

Em nota, a Basf avalia que a aquisição da AgBiTech, que tem foco em produtos destinados ao controle de pragas com foco nas lavouras de soja, milho e algodão, representa um passo estratégico "fundamental" para a companhia, acelerando a escalabilidade e a adoção de soluções biológicas, com impacto "significativo e imediato" no mercado brasileiro.

A ideia da companhia é expandir o impacto dos produtos da AgBiTech para além do Brasil, integrando-as ao portfólio de proteção de cultivos da companhia. Cerca de 70% das vendas da empresa recém comprada estão no Brasil e em países da América do Sul como Argentina, Paraguai e Bolívia.

“Adquirir a AgBiTech fortalece nossa posição neste segmento atraente e complementa nosso portfólio existente com tecnologias biológicas diferenciadas”, afirma Livio Tedeschi, presidente global da Basf Soluções para Agricultura, em nota.

“Damos as boas-vindas aos nossos novos colegas e estou confiante de que, juntos, contribuiremos para o crescimento dos negócios dos nossos clientes e para a agricultura, expandindo ainda mais as soluções biológicas nos mercados globais”, emendou o executivo.

Na visão de Sergi Vizoso, vice-presidente sênior da Basf Soluções para Agricultura na América Latina, a aquisição reforça a capacidade da companhia oferecer soluções inovadoras, sustentáveis e alinhadas às necessidades reais dos agricultores da região. Para Marcelo Batistela, vice-presidente da divisão agrícola da Basf no Brasil, a integração da AgBiTech é de “extrema relevância”, especialmente para o mercado brasileiro.

No lado da AgBiTech, a expectativa é de que a Basf possa contribuir com seu know-how. “Juntar-nos à Basf representa um marco importante para a missão da AgBiTech de tornar o controle biológico de insetos acessível aos agricultores em todo o mundo. O alcance global da Basf, seu forte ecossistema de P&D e sua profunda expertise agrícola ajudarão a acelerar o impacto de nossas tecnologias”, comenta Adriano Vilas-Boas, CEO da AgBiTech, também em nota. “Estamos orgulhosos do que nossas equipes construíram e entusiasmados para este próximo capítulo.”

Com a aquisição, que envolve as participações também de outros acionistas, a Basf passa a ter controle total da AgBiTech, incluindo todos os ativos como portfólio, direitos de propriedade intelectual, operações de fabricação, bem como instalações de pesquisa e desenvolvimento, e equipe de funcionários, segundo comunicado do grupo alemão.

A empresa foi fundada em 2000 e era controlada desde 2015 pela firma de private equity Paine Schwartz Partners, tradicional investidor em agtechs.

A sede e as duas fábricas da AgBiTech estão em Fort Worth, no estado americano do Texas, onde AgBiTech desenvolve seus produtos a partir de tecnologias em que foi pioneira, como a de nucleopoliedrovírus (NPV).

No Brasil, onde está desde o começo da década pasasda, a companhia mantém um escritório em Campinas, um centro de pesquisas dentro do Parque Tecnológico da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia (GO), e um time de cerca de 140 pessoas.

A empresa se notabilizou pela produção de bioinsecticidas para o combate a lagartas como a Helicoverpa armigera, uma das principais ameaças às lavouras de soja, milho e algodão, e também outras como a Spodoptera frugiperda, conhecida como lagarta-do-cartucho e também bastante frequente nessas culturas.

Resumo

  • A Basf concluiu a aquisição da AgBiTech, após aprovação do Cade, reforçando sua estratégia de ampliar o portfólio de biológicos
  • Com a compra, a Basf passa a controlar integralmente ativos, P&D e produção da empresa e pretende escalar globalmente essas soluções biológicas integradas ao seu portfólio agrícola
  • A AgBiTech tem cerca de 70% das vendas concentradas no Brasil e América do Sul