Bill Anderson, CEO global da Bayer, não tem problemas com a sinceridade. Já foi duro com seus liderados ao admitir, em momentos difíceis e com resultados ruins, que a gigante química alemã precisava rever seus conceitos ou estaria praticamente “quebrada”.

Nesta terça-feira, 12 de maio, porém, ele estava visivelmente satisfeito ao gravar um vídeo, distribuído nas redes sociais pouco depois da divulgação dos resultados da empresa para o primeiro trimestre de 2026.

Em uma ocasião rara desde que assumiu o comando do grupo, em meados de 2023, ele pode comemorar o fato de ter entregado números mais positivos do que o esperado pelo mercado, com altas em praticamente todas as áreas de negócios – com um desempenho especialmente relevante na divisão Crop Science.

O consenso dos analistas, segundo levantamento da Bloomberg, indicava que a Bayer geraria um lucro ajustado de 3,9 bilhões de euros no período (antes de juros, impostos, depreciações e amortizações.

Mas o que se viu no documento protocolado pela companhia na bolsa de Frankfurt foi um Ebitda de 4,45 bilhões, bastante acima do previsto. Com isso, logo pela manhã, suas ações subiam mais de 5%.

No relatório trimestral, o grupo destacou que as vendas atingiram 13,4 bilhões de euros, com alta de 4,1% (ajustadas por câmbio e portfólio) em relação ao primeiro trimestre de 2025. E apontou que o resultado por ação aumentou em 12,9%, com um lucro líquido atingindo 2,763 bilhões de euros.

Os ganhos consistentes nos últimos meses revelam que Anderson parece ter conseguido mesmo reverter o humor de investidores em relação à Bayer. Os papeis da empresa tiveram valorização de cerca de 50% no período de 12 meses até essa data.

A divisão agrícola foi o destaque do trimestre, com receita de 7,558 bilhões de euros, 6,8% acima do registrado em 2025. Os negócios na cultura de soja praticamente dobraram e puxaram esse crescimento.

Segundo a companhia, isso foi resultado da resolução de uma pendência em torno de licenciamentos de tecnologias com a Corteva na América do Norte, o que, isoladamente, trouxe o equivalente a 448 milhões de euros adicionais para a receita bruta.

Assim, a área de sementes de soja e milho obtiveram margens mais altas, fazendo com que o Ebitda da divisão Crop Science crescesse 17,9%, atingindo 3,014 bilhões de euros.

Outra vitória da Bayer foi a recuperação do registro do herbicida Dicamba para a cultura, que havia sido suspenso por tribunais de alguns estados americanos no início de 2024.

O Dicamba chegou a representar metade das receitas da companhia nos negócios de milho nos EUA. Nessa área, os resutados também vieram, com alta de 7,1% nas vendas no trimestre graças aos maiores volumes no início da safra na América do Norte e crescimento em todas as outras regiões.

Isolando apenas os resultados do segmento de proteção de cultivos, no entanto, houve a confirmação das previsões de queda de receita, que ficou na casa de 10,2%. Os produtos à base de glifosato apresentaram redução de 15,1% nas vendas e os fungicidas, de 10,7%.

Em seu pronunciamento no vídeo, Bill Anderson ressaltou que, apesar do otimismo, ainda há alguns desafios, inclusive de curto prazo, para a recuperação plena da Bayer.

Um deles são os litígios que envolvem o glifosato nos Estados Unidos e que já custaram à companhia cerca de US$ 10 bilhões em indenizações – há ainda outros US$ 11,8 bilhões reservados para possíveis acordos a serem celebrados.

Anderson lembrou que a companhia já apresentou seus argumentos à Suprema Corte dos EUA, que analisa o caso. E que espera um veredito em breve. “Os próximos dois meses são muito importantes para nós”, disse.

No release de resultados, por sua vez, a Bayer manteve suas projeções para 2026, afirmando que os efeitos do conflito no Oriente Médio não devem ter impacto significativo sobre os negócios da companhia, pelo menos por enquanto.

Ainda assim, a empresa afirma estar atenta a riscos como possíveis aumentos nos preços de energia, matérias-primas e logística. E, caso eles sejam significativos, implementará “medidas contrárias apropriadas”.

“Continuamos avançando com nosso plano e estamos focados em cumprir nossos compromissos para o ano corrente”, disse Anderson no documento.

Resumo

  • Divisão agrícola liderou os resultados da Bayer no trimestre, com alta de 6,8% na receita e crescimento de 17,9% no Ebitda
  • Grupo alemão registrou lucro acima do esperado, impulsionando as ações, que acumulam valorização de 50% em 12 meses
  • Negócios de sementes de soja e milho da companhia registraram ganhos expressivos