Não-Me-Toque (RS) - Para quem pensa que a Ihara é “paulista”, em função da fábrica em Sorocaba, a empresa mostra que as conexões Brasil-Japão são bem mais amplas e passam inclusive pela agricultura do Sul do Brasil.

Na Expodireto Cotrijal, feira de tecnologia agrícola que ocorre esta semana em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, a Ihara possui um dos espaços privilegiados, na área do evento destinada às gigantes de defensivos agrícolas.

A empresa tem grandes grupos japoneses como principais acionistas, mas está presente no Brasil há 60 anos e, no mercado gaúcho, começou a atuar logo no início.

“A Ihara sempre teve presente, principalmente no estado do Rio Grande do Sul, por nossa origem japonesa, o principal mercado que a gente acessou foi o mercado de arroz, já que o principal cereal no Japão é o arroz. E hoje Rio Grande do Sul e Santa Catarina sozinhos representam 85% desse mercado do arroz”, explicou, Rudimar Spannemberg, engenheiro agrônomo de desenvolvimento de mercado da Ihara, em entrevista ao AgFeed.

A fruticultura também é importante para os japoneses e, no caso da maçã, cerca de 97% da área plantada no Brasil está nesses dois estados, lembrou ele.

As características similares não revelam apenas a simpatia da empresa com a região. Os números da Ihara mostram que o market share nos estados do Sul hoje é maior do que a média alcançada pela empresa, nacionalmente.

Enquanto no Brasil, a companhia tem 5% de participação em agroquímicos, na região Sul esse número já está em 5,5%. Se considerado apenas o mercado da maçã, o market share da Ihara chega a 28%.

Apesar da importância do arroz e das frutas, Spannemberg diz que o maior foco na cultura da soja, iniciado há cerca de 10 anos, foi o responsável pelo grande salto de participação.

A meta da Ihara é muito em breve chegar a 7% market share na região Sul e para isso espera contar com a demanda consistente dos grãos, como milho e soja, além de apostar em novas soluções tecnológicas, principalmente um herbicida pré-emergente, de uma molécula exclusiva, já lançado, e um fungicida que está chegando agora no mercado.

“Certamente esses produtos podem elevar e contribuir para que a gente consiga atingir esse objetivo”, disse.

O executivo admite que esse cenário de alto endividamento dos produtores gaúchos ainda traz um certo grau de incerteza, apesar da produção este ano ter perspectiva bem melhor que na safra passada, quando houve uma forte quebra.

“Quando o produtor colhe menos, ele fica menos capitalizado, o grau do investimento dele também baixa, né? Então, o endividamento hoje é uma preocupação bastante grande que a gente tem, né? Não só do produtor, mas da revenda, porque nós temos que ter, assim como o produtor tem que ter uma receita saudável”, ponderou.

“Se vamos atingir esse 7%, nesse momento, vai depender muito do que vai ocorrer agora no mercado. Se o produtor colher bem e vender a soja ou o milho bem, ele vai estar mais capitalizado e vai conseguir avançar.”

Apesar dos desafios, o gerente comercial distrital da Ihara, Fernando Socolovski, prevê que as vendas na região Sul avancem no mínimo 10% em 2026 na comparação com o ano anterior.

Em 2025, nacionalmente, a empresa cresceu quase 12% e agora busca o patamar de US$ 1 bilhão de faturamento como mostrou o AgFeed. Já na região Sul, segundo Socolovski, o ano passado ficou estável em relação ao ano anterior, em função da forte quebra de safra e dificuldades financeiras dos produtores rurais.

"O momento ele é disruptivo. O produtor há alguns anos tomava as decisões com base na emoção, agora ele precisa tomar as decisões com base na razão. Ele precisa entender sobre taxa de juros. Ele precisa entender sobre mercado futuro das commodities, como trigo, como milho e como soja. E nesse momento a Ihara acaba participando mais do que nunca porque nós temos um portfólio com uma performance acima do mercado com custo justo, que é o que o produtor precisa, produzir com rentabilidade", afirmou.

Resumo

  • Ihara tem market share de 5,5% na região Sul (acima da média nacional de 5%) e forte presença em arroz, soja e maçã
  • Empresa tem como meta atingir 7% de participação no Sul com novos herbicidas e fungicidas
  • Alto endividamento dos produtores ainda preocupa, mas a companhia projeta crescimento de 10% nas vendas em 2026