A Bahia Farm Show está completando 20 anos de existência neste ano com a ambição de se consolidar como uma das maiores feiras de máquinas agrícolas do Brasil, mesmo em um momento de retração nas vendas do segmento de tratores, colheitadeiras e demais equipamentos.

A feira será realizada entre os dias 8 a 13 de junho em Luís Eduardo Magalhães (BA), no coração do Matopiba, novo polo de produção agrícola do Brasil.

Neste ano, o evento contará com uma área 35% maior, passando a ocupar 35 hectares de uma área dedicada especialmente para a realização da feira, às margens da BR-242.

Com o aumento do espaço, a feira deve reunir mais de 550 expositores nesta edição – no ano passado foram 434 expositores. Ao todo, cerca de 1,1 mil marcas representadas estarão presentes na Bahia Farm Show neste ano.

Em termos de público, a expectativa da organização do evento é de, nesta edição, superar os 162 mil visitantes que passaram pela feira no ano passado.

De acordo com a coordenação da Bahia Farm Show, a expansão da área foi motivada pela demanda reprimida de empresas interessadas em participar do evento.

“Chegava em meados de janeiro e fevereiro, já tínhamos pouco espaço e acabávamos ficando sem espaço para 150, 200 expositores. A gente acabava perdendo oportunidades de trazer inovação para dentro da feira”, afirmou Alan Malinski, coordenador da Bahia Farm Show, durante apresentação da feira a jornalistas nesta quinta-feira, dia 28 de maio, em São Paulo (SP).

Mesmo diante da desaceleração do setor de máquinas agrícolas e dos problemas financeiros dos produtores rurais, a organização da Bahia Farm Show pensou no longo prazo ao investir R$ 15 milhões para a expansão da área da feira.

"Mesmo em anos ruins, é importante você fazer e ampliar a feira para ir consolidando o evento. Falamos isso inclusive em reunião aos expositores. Mostramos a importância de continuar prestigiando a feira", disse Alan Malinski ao AgFeed.

Apesar da expansão da feira, a expectativa é de um ritmo de negócios mais moderado neste ano.

Desde o ano passado, a organização da Bahia Farm Show deixou de divulgar projeções oficiais de movimentação financeira. O último dado público foi o da edição de 2024, quando a feira registrou recorde de R$ 10,9 bilhões em negócios.

Para 2026, a perspectiva é de desempenho igual ou “um pouco abaixo” ao ano passado – ainda que não tenha havido uma contabilização oficial dos negócios.

Na avaliação da organização, se o desempenho de 2025 se repetir já seria considerado um resultado positivo, diante do cenário mais desafiador para o setor de máquinas agrícolas.

"O cenário não está nada legal. Se chegarmos a números próximos, já será um excelente negócio", avalia Malinski.

No início do ano, os resultados positivos da primeira feira de máquinas agrícolas, a Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), realizada em fevereiro e que somou alta de cerca de 7% na comercialização, somando R$ 7,5 bilhões, dava sinais de que 2026 poderia ser um período positivo para o mercado de máquinas agrícolas.

Na sequência, porém, outras feiras realizadas em diferentes regiões do país passaram a indicar vendas bem menos aquecidas.

O movimento chegou a preocupar a organização da Bahia Farm Show, que temia uma desaceleração na procura por espaços e na participação de expositores.

A desaceleração do mercado ficou ainda mais evidente na Agrishow, maior feira de máquinas agrícolas do Brasil, realizada entre o fim de abril e o início de maio em Ribeirão Preto (SP). O evento registrou queda de 22% no volume de negócios em relação a 2025, somando R$ 11,4 bilhões em intenções de compra.

Durante a feira, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) reforçou a projeção de retração de 8% na receita do setor de máquinas agrícolas ao longo de 2026, refletindo o cenário mais cauteloso vivido por fabricantes e produtores rurais.

No caso da Bahia Farm Show, apesar das dificuldades também enfrentadas pelos produtores do Oeste baiano, Malinski ressalta que os agricultores da região de Luís Eduardo Magalhães vêm investindo fortemente na irrigação de suas lavouras.

“A gente vê que os projetos de irrigação não vão parar. Continuam crescendo muito. Automaticamente, não vem só a irrigação, vem outros investimentos que têm que ser feitos juntos”, diz.

Além disso, na avaliação de Malinski, um dos principais diferenciais da Bahia Farm Show está no perfil dos produtores rurais que ajudaram a transformar o Oeste da Bahia em uma nova fronteira agrícola nas últimas décadas.

A ocupação agrícola da região é recente – o próprio município de Luís Eduardo Magalhães foi emancipado apenas no ano 2000.

“Eu ando nas outras feiras também e vejo que tecnologia e oportunidades todas têm. Mas, na nossa região, ainda é possível encontrar os precursores, o pessoal que morou “debaixo da lona”. Nas outras feiras, você vai e encontra o gerente da fazenda, por exemplo”, avalia.

Resumo

  • Bahia Farm Show está ampliando parque da feira em 35% para atender demanda reprimida
  • Ampliação de estrutura acontece em meio à momento de retração nas vendas de máquinas agrícolas
  • Feira será realizada no começo de junho em Luiz Eduardo Magalhães (BA)