Entre autoridades, dirigentes do cooperativismo e executivos de algumas das principais empresas do agronegócio, a Coopercitrus abriu nesta segunda-feira, 27 de julho, uma edição especial da sua tradicional feira de negócios.

Em meio a um ciclo ainda desafiador para o campo, a 27ª Coopercitrus Expo marca os 50 anos da cooperativa apostando justamente no planejamento da safra 2026/2027 como ponto de partida para uma retomada dos investimentos pelos produtores.

A expectativa da organização é movimentar cerca de R$ 2 bilhões em negócios até o encerramento da programação, na sexta-feira (31), um montante equivalente a cerca de 20% do faturamento anual da cooperativa.

A feira reúne aproximadamente 200 empresas expositoras e deve receber mais de 25 mil visitantes, consolidando-se como um dos principais encontros do agronegócio nacional voltados à comercialização de insumos, máquinas, crédito rural e tecnologia.

O tom visto entre os que ocuparam o palco durante a solenidade de abertura mais cedo foi de celebração ao cooperativismo. Números já consolidados antes mesmo da abertura dos portões ajudam a explicar o ânimo dos presentes.

O diretor-presidente da Coopercitrus, Fernando Degobbi, havia adiantado ao AgFeed que a campanha comercial da Expo já acumulava cerca de R$ 800 milhões em negócios fechados, alta de 46% em relação ao mesmo momento do ano passado, indicando um movimento de retomada das compras para a próxima safra.

Além de Degobbi, a cerimônia de abertura contou com o presidente do Conselho de Administração da cooperativa, Matheus Marino, o vice-presidente do Conselho de Administração, José Geraldo da Silveira Melo, e a presidente do Conselho de Administração da Credicitrus, Maria Teresa Uchoa.

Dentre as autoridades, estavam presentes o governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado, Geraldo Melo, o prefeito de Bebedouro, Lucas Seren, os deputados federais Guilherme Derrite, Baleia Rossi e Arnaldo Jardim, além dos deputados estaduais Artur Ernesto, Lucas Bove, Sebastião Santos, Adilson Barroso e Valdomiro Lopes.

Representando o Governo Federal estava o secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos. Além disso, estavam presentes o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o presidente da Alesp (e também deputado estadual), André do Prado, e o presidente da Ocesp (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo), Edivaldo Del Grande.

Durante a solenidade, a Ocesp ainda entregou uma placa em homenagem à Coopercitrus em reconhecimento à contribuição da cooperativa para o desenvolvimento do cooperativismo paulista ao longo de seus 50 anos de história.

Abrindo as falas, Matheus Marino destacou que a feira vai além da realização de negócios e funciona como um ambiente de troca de conhecimento entre produtores, fornecedores e equipes técnicas.

"É um momento ímpar para o cooperativismo brasileiro. Eventos como esse servem para difusão de tecnologia. Agricultores conversam com outros agricultores, com fornecedores, fabricantes e com nosso time técnico", disse.

O presidente do conselho também defendeu o fortalecimento do cooperativismo como modelo de desenvolvimento regional. Segundo ele, as cooperativas ajudam a elevar a competitividade do mercado ao estimular melhorias entre bancos, revendas e outros agentes da cadeia agropecuária.

Marino também chamou atenção para iniciativas voltadas à sucessão no campo, tema que ganhou espaço na programação da Expo deste ano. "Quando damos oportunidade para filhos e netos de cooperados fazerem estágios na cooperativa e participarem desses eventos, estamos preparando a próxima geração", disse.

Degobbi, por sua vez, reforçou o papel da feira como ferramenta de apoio aos associados justamente em um momento de maior cautela para o setor.

"Mais de 80% dos cooperados são de média e pequena escala. Vamos receber 82 ônibus e vans de famílias cooperadas. É uma feira para apoiar o nosso produtor", afirmou.

A programação da Expo reúne fabricantes de máquinas como Valtra, Massey Ferguson, New Holland, JCB, Jacto e Fendt, além de empresas de insumos como UPL, Ihara, Syngenta, Bayer, Corteva, ICL, Mosaic e Stoller, além de companhias de irrigação, agricultura digital e instituições financeiras.

Ao participar da abertura, o governador Tarcísio de Freitas ressaltou a importância das cooperativas para o agro paulista, especialmente para pequenos e médios produtores.

"O agro representa 19% do PIB de São Paulo e um quarto do PIB do agro brasileiro. As cooperativas são um porto seguro na assistência técnica, na garantia de volume e na manutenção dos preços. Quando o calo aperta, é a porta da cooperativa que se abre", afirmou.

O governador aproveitou a cerimônia para comentar os prejuízos provocados pelo temporal que atingiu municípios da região de Ribeirão Preto nos últimos dias. Segundo ele, estimativas iniciais apontam cerca de 79 mil hectares afetados, com danos em canaviais, pomares, lavouras de amendoim, estufas e estruturas de armazenagem.

De acordo com Tarcísio, o governo paulista iniciou discussões para criar medidas de apoio financeiro aos produtores atingidos, incluindo ampliação de prazos de pagamento, aumento dos períodos de carência e substituição de operações de crédito por linhas com juros menores.

"Vamos ajudar. Alongar prazo, ampliar carência, trocar dívida cara por dívida barata para dar um refresco ao produtor. Vamos reconstruir tudo", afirmou.

Também presente na abertura, Ronaldo Caiado afirmou que o agronegócio brasileiro deve enfrentar novos desafios nos próximos meses e defendeu maior diálogo nas relações comerciais internacionais.

O ex-governador também destacou a importância da pesquisa agropecuária para enfrentar problemas fitossanitários, citando o avanço do greening nos pomares de citros.

Resumo

  • Feira reúne 200 expositores, espera movimentar R$ 2 bilhões e já acumulava R$ 800 milhões em negócios antes da abertura
  • Cooperativa celebra 50 anos apostando na retomada das compras para a safra 2026/27 em meio a um cenário ainda desafiador no campo
  • Autoridades defendem cooperativismo, enquanto governo de SP anuncia medidas para produtores afetados pelo temporal na região