Bebedouro (SP) - No tradicional "pavilhão dos insumos" da edição 2026 da Coopercitrus Expo, uma cena chama a atenção dos presentes - produtores, famílias, crianças e curiosos: a imagem de um dinossauro entrando em um dos estandes.

A fantasia, que gera dúvidas sobre se é um T-Rex ou um Velociraptor, causa estranhamento ao primeiro olhar, afinal de contas, estando em um evento de agro, é normal se questionar: havia agricultura - e uso de defensivos químicos - na era mesozoica?

"É o predador das plantas daninhas", resumiu Thiago Pedroso, CEO da Agroallianz, empresa comercializadora de insumos agrícolas e que tem a alemã DVA e a Coopercitrus como sócios.

Segundo ele, o modelo de negócio da empresa envolve a venda de defensivos pós-patente - os genéricos - mas com algum tipo de inovação na formulação, resultando no que o executivo chama de "misturas inovadoras que não existem no mercado". O portfólio ainda conta com bioestimulantes, adjuvantes e produtos de nutrição.

"O modelo é uma reação à mudança do mercado brasileiro, principalmente em relação ao acesso e com grande volume de players chineses entrando nele. A estratégia é complementar, se juntou a DVA, uma empresa global com know-how industrial, com a Coopercitrus, maior cooperativa do País em cooperados e um dos maiores distribuidores de insumos no Brasil", disse o CEO.

"Quando a gente junta a força da indústria com o acesso ao mercado, forma-se a Agroallianz", continuou.

É essa junção que deve ancorar a meta da empresa de faturar o primeiro R$ 1 bilhão em três anos. Para 2026, a projeção é crescer 25% a receita em relação a 2025.

De volta ao dinossauro, a fantasia, no entanto, não serve apenas para atrair olhares no estande. Ela foi criada para divulgar um dos principais produtos da Agroallianz na feira, o herbicida Predecessor.

Segundo Pedroso, o conceito é justamente representar um "predador das plantas daninhas" pela lembrança ao principal desafio enfrentado pelos produtores, especialmente na soja, diante do avanço de espécies resistentes.

O produto resume bem o posicionamento da companhia. Em vez de desenvolver moléculas inéditas, a Agroallianz aposta em ativos já conhecidos do mercado, mas reunidos em formulações próprias. No caso do Predecessor, são três ingredientes ativos combinados em uma única formulação, substituindo misturas que normalmente seriam preparadas pelo próprio agricultor no tanque do pulverizador.

Segundo o executivo, ao estabilizar essa combinação ainda no laboratório, a empresa reduz problemas de incompatibilidade entre produtos e busca aumentar a eficiência no controle de plantas daninhas resistentes, como buva e capim-pé-de-galinha.

Além desse produto, outros destacados pelo executivo e que estão na boca dos negociadores no estande da empresa são o Tricerati, voltado principalmente para a soja, e o Osmobetan, um bioestimulante desenvolvido para reduzir os efeitos do estresse térmico nas lavouras.

"Essa é usada junto ao cooperado para mitigar o risco climático de condições de altas temperaturas. E é isso que a gente está visualizando aí, de outubro a dezembro, com El Niño se formando com alta intensidade e com grande chance de acontecer, mais de 80%", explicou.

Hoje, a carteira de clientes da Agroallianz reflete, em boa medida, o perfil dos cooperados da própria Coopercitrus. A cana-de-açúcar responde pela maior fatia dos negócios da companhia, seguida pelo avanço das culturas de grãos. Café e citros também ocupam posição relevante, sobretudo porque a empresa desenvolveu produtos específicos para esses segmentos desde sua criação.

Além da base da cooperativa, a Agroallianz também mantém atuação direta em polos agrícolas do Nordeste, atendendo culturas de exportação como uva, manga e melão.

Hoje, a DVA detém 85% da sociedade, enquanto a Coopercitrus possui os 15% restantes. Segundo os executivos, a participação da cooperativa vai muito além do acesso aos cooperados, envolvendo desde logística e crédito até o desenvolvimento de novos produtos a partir das demandas observadas no campo.

"A sinergia não é apenas comercial. Ela passa por logística, operação, desenvolvimento de novos ativos, crédito e cobrança. Tudo é pensado olhando para o cliente final, que é o produtor", afirmou Pedroso.

Essa estrutura, porém, não deve permanecer inalterada. A companhia procura um novo sócio que complemente a presença geográfica da Coopercitrus, hoje concentrada principalmente em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

A ideia é encontrar um parceiro com forte atuação em regiões onde a cooperativa ainda não está presente, como o Sul do País, ampliando a distribuição dos produtos sem alterar o conceito da empresa.

"Não temos pressa, mas faz sentido buscar um parceiro complementar. Isso amplia o projeto e aumenta nossa capacidade de chegar ao produtor", disse Vicente Gongora, CEO para Divisão Agro Global da DVA.

Ao mesmo tempo, a DVA continua utilizando sua rede global para abastecer a operação com novas tecnologias. Durante a feira, por exemplo, executivos chineses parceiros da companhia acompanharam reuniões e visitas ao estande.

Segundo Gongora, o objetivo é manter um fluxo constante de inovação, seja com novas formulações de moléculas pós-patente, seja com plataformas que começam a ganhar espaço na agricultura, como biológicos, metabólitos, peptídeos e tecnologias baseadas em RNA de interferência.

"Não existe produto para sempre. As plantas daninhas criam resistência, as doenças evoluem e novas tecnologias aparecem. Nosso papel é estar próximo dessas inovações para trazê-las ao produtor", afirmou.

É essa combinação entre novos produtos, expansão comercial e ampliação da cobertura geográfica que sustenta a meta da Agroallianz de atingir R$ 1 bilhão em faturamento nos próximos três anos.

Segundo os executivos, o crescimento deverá vir de três frentes: aumentar a participação dentro da própria base de cooperados da Coopercitrus, incorporar novos parceiros comerciais em regiões onde a empresa ainda não atua e ampliar o portfólio de tecnologias disponíveis.

Resumo

  • Com DVA e Coopercitrus como sócias, Agroallianz projeta faturar R$ 1 bilhão em três anos e crescer 25% em 2026
  • Empresa aposta em defensivos pós-patente com formulações próprias e busca ampliar presença nacional em busca de novo parceiro estratégico
  • Herbicida Predecessor e bioestimulante contra estresse térmico lideram aposta da companhia em inovação para grãos, cana, café e citros