O conselho de administração da Caramuru Alimentos aprovou a autorização para que a companhia tome um financiamento de R$ 100 milhões com o Rabobank, destinado a investimentos nas suas plantas de biodiesel.

A decisão consta de ata de reunião realizada há 11 dias, mas protocolada na CVM nesta terça-feira, 29 de setembro, e formaliza mais um capítulo da estratégia da maior processadora de soja de capital nacional de ampliar sua presença no mercado de biocombustíveis, segmento que a própria empresa descreve como seu principal vetor de crescimento.

Os detalhes contratuais da operação, como prazo, condições de pagamento e garantias, não foram detalhados no documento.

O que a deliberação confirma é o destino dos recursos: as três unidades de produção de biodiesel da companhia — duas em Goiás, em Ipameri e São Simão, e uma em Sorriso (MT).

A Caramuru é a quinta maior produtora de biodiesel do Brasil, com 550 milhões de litros produzidos por ano, segundo dados oficiais da companhia.

As plantas de São Simão e Ipameri figuram entre as maiores unidades do país em capacidade instalada. Cada uma é capaz de fabricar até 225 milhões de litros anuais, de acordo com levantamento do setor divulgado pelo BiodieselBR.

O biodiesel é um desdobramento natural do core business da companhia, que processa soja, milho, girassol e canola e extrai óleos para consumo e indústria. A matéria-prima do biocombustível vem, em grande parte, do próprio esmagamento.

Além disso, a operação carrega um diferencial social, segundo a Caramuru costuma destacar. A empresa detém o Selo Combustível Social, concedido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, ao superar a meta exigida de aquisição de matéria-prima da agricultura familiar, com mais de 10% das compras vindas desse público, apoiado por uma equipe de engenheiros agrônomos que presta assistência técnica aos produtores.

O financiamento deve reforçar a capacidade de produção da companhia em um mercado que vive um ciclo de expansão puxado pela Lei do Combustível do Futuro. A legislação prevê a elevação progressiva da mistura obrigatória do biodiesel ao diesel, embora o avanço do B15 para o B16 esteja atrasado em relação ao cronograma previsto.

A ambição da Caramuru na área de biocombustíveis vai além do biodiesel. Em 2024 a empresa chegou a confirmar um plano de R$ 2,2 bilhões de investimentos no segmento, que inclui ainda a instalação de usina de etanol de milho em Nova Ubiratã (MT), projeto avaliado em R$ 1,4 bilhão.

A usina está nos planos da companhia desde agosto 2024, quando a Caramuru anunciou a formação de uma joint venture com a Biocen para sua construção. Na época, o valor estimado era de R$ 1,1 bilhão.

Para tirá-lo do papel, a empresa aguarda a liberação de outro financiamento, este junto ao BNDES, por meio do Fundo Clima. Em entrevista recente à Globo Rural, presidente da empresa, Marcus Thieme Nela, afirmou que o projeto "pode receber sinal verde até o fim do ano".

Resumo

  • Caramuru aprova financiamento de R$ 100 milhões com o Rabobank para investimentos nas três plantas de biodiesel da companhia
  • Quinta maior produtora de biodiesel do Brasil, empresa vê biocombustíveis como principal vetor de crescimento
  • Captação integra estratégia de expansão no segmento, que inclui também projeto de R$ 1,4 bilhão para produzir etanol de milho em MT