Quem ainda pensa que a TIM é uma empresa de telefonia ou apenas de conectividade, pode estar desatualizado, principalmente se o foco for a atuação “B2B” da companhia.
Ao fazer uma apresentação para jornalistas, durante a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), na última semana, o diretor de negócios e soluções B2B da TIM Brasil, Alexandre Dal Forno, fez questão de frisar que a empresa está passando por uma mudança estratégica, com um “novo B2B”.
Até então a TIM vinha se consolidando em soluções de telecomunicação e de conectividade e IoT – internet das coisas – para as empresas. Agora quer ser reconhecida como uma companhia de dados e de IA (inteligência artificial).
Um dos exemplos deste posicionamento foi a aquisição de 100% do capital da V8 Consulting, conhecida como V8.Tech, especializada em soluções digitais corporativas como a computação em nuvem (cloud), a própria IA e a modernização de dados. O negócio foi aprovado pelo conselho da TIM em novembro do ano passado, no valor de R$ 140 milhões.
Em conversa com o AgFeed, Dal Forno explicou que as soluções da empresa adquirida agora tendem a beneficiar também o agronegócio, que segue como um dos pilares prioritários da área liderada por ele.
“A gente vai começar a trabalhar junto com eles para criar produtos para o agro, na jornada de dados, na questão de treinamento de IA, tudo mais. Isso vai ser feito através desse braço nosso, da V8.Tech”, explicou.
Segundo ele, um dos grandes problemas comuns, “e no agro não é diferente”, seria o gasto das empresas com a cloud, o armazenamento. “A V8 faz um trabalho de otimização. Migrando uma cloud de um parceiro para outro, você reduz custos”.
Dal Forno esclarece que não é necessário estruturar todos os dados de uma empresa de uma só vez. É possível ter foco apenas em casos que precisam ser resolvidos.
Agro começou com IoT
O diretor da TIM disse ao AgFeed que, nos últimos 3 anos, entre os cinco pilares do B2B da empresa – agronegócio, logística, utilities, indústria e carro conectado – o setor agro foi que mais cresceu e que mais tem recebido investimentos.
Embora não forneça dados detalhados sobre qual fatia do agro na receita da empresa, Alexandre Dal Forno deu pistas sobre a importância do setor. “O agro surgiu com a IoT ”, afirmou.
O executivo lembrou um dado já divulgado pela TIM de que a empresa atingiu R$ 1 bilhão em contratos de IoT desde que começou a oferecer o serviço, em 2018.
No balanço divulgado pela TIM essa semana, a empresa informa que o setor agrícola responde atualmente a 36% do negócio de IoT. Portanto, o total de contratos estimado com clientes do setor ficaria em R$ 360 milhões.
Entre os clientes agro da empresa estão grandes grupos como SLC Agrícola, Amaggi, Jales Machado, BP Bioenergy, Citrosuco, entre outros.
“Esses negócios, que começaram com a IoT, agora com dados e IA, são os negócios do futuro”, ressaltou.
Ele explica que o objetivo é fazer com que os dados que já são coletados hoje, através da conectividade da TIM, “possam gerar valor aos clientes, o que significa você ter informações para tomar decisão em tempo real, aumentando a eficiência da operação, você identificando, por exemplo, os operadores que são eficientes e os que não são”.
Para a nova onda da IA, o diretor diz que possivelmente os projetos começam pelo setor sucroenergético, mas evita indicar quais clientes já estão adotando os novos serviços.
“A gente está focando bastante na parte de usinas. Hoje, uma usina tem entre 35 e 45 sistemas funcionando ao mesmo tempo. Então, esse é um grande problema, que está gerando muitos dados, mas dados que não se conectam. A gente enxerga isso como uma grande oportunidade para ajudar esses dados se conectarem, para você transformar KPIs de operação em KPIs de negócio”, pontuou.
A empresa quer criar um framework de dados estruturados para os clientes do agro, tornando possível rodar e treinar a IA, que apontaria as melhores decisões para quem está comandando as operações em campo.
Momento desafiador
Em 2025 a TIM atingiu a marca de mais de 26 milhões de hectares conectados com 4G. No ano anterior, a área estava em 20 milhões de hectares.
No balanço divulgado essa semana a empresa informa que a conectividade já alcançou 27,3 milhões de hectares, um avanço de 32% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a TIM, com esse número é possível beneficiar 357 mil propriedades rurais, já que o projeto em um grande grupo, por exemplo, acaba alcançando também as áreas vizinhas.
Para 2026 como um todo, a TIM ainda não divulgou uma meta de crescimento. Perguntado se seria possível manter o mesmo ritmo, Dal Forno respondeu: “O mercado esse ano é mais desafiador que o ano passado”.
A cautela se justifica pelo momento do agro que vem sendo marcado por margens apertadas e redução dos investimentos. Na Agrishow 2026 houve um recuo de 22% no volume de negócios em geral, na comparação com a edição anterior.
Resumo
- A TIM já totalizou cerca de R$ 360 milhões em contratos que envolvem IoT para clientes do agro
- Empresa pretende ter mais foco em dados e IA, o que representa oportunidade para o agronegócio, disse o diretor de B2B, Alexandre Dal Forno
- Depois de alcançar 27,3 milhões de hectares conectados, a TIM vê mercado "mais desafiador" no setor em 2026