Todos os anos, a Agrishow reúne o que há de mais relevante em tecnologia para o agronegócio. Realizada há mais de três décadas em Ribeirão Preto (SP), a feira se consolidou como o principal evento do setor na América Latina, movimentando bilhões em intenções de negócios e atraindo centenas de milhares de visitantes.
Mas, em 2026, mais do que a grandiosidade, o que se evidenciou foi um salto de maturidade, não apenas do agro, mas da forma como as marcas se posicionam, se comunicam e são percebidas.
O comportamento como ativo estratégico
Em um ambiente que concentra tecnologia, máquinas e soluções de ponta, a camada mais valiosa não está na vitrine, mas no comportamento. O valor já não está apenas no que é exposto, e sim no que é validado, em tempo real, pelo produtor.
A feira funciona como um laboratório vivo de decisão, que no agro atual é cada vez mais operacional e orientada por eficiência.
Dados recentes da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA) já indicam um produtor mais conectado, técnico e pragmático, em que 70% declararam utilizar a internet para a gestão das propriedades rurais.
Em 2026, isso se consolidou como padrão. Esse perfil se revela em sinais claros: quais estandes atraem a parada do produtor, o que ele testa, quanto tempo permanece e quais perguntas faz. É nesse nível de leitura que nasce a vantagem competitiva.
“Compreender o comportamento das marcas e dos produtores no ambiente onde as coisas acontecem é o que permite transformar observação em estratégia e gerar impacto real nos resultados dos clientes”, afirma José Francisco, Head de Estratégia na Make ID.
Presença, inovação e clareza: o novo básico
A edição de 2026 da Agrishow também deixou evidente que presença não é mais diferencial, mas é considerada pré-requisito. Com grandes marcas ocupando espaços robustos e bem produzidos, o que realmente distingue não é visibilidade, mas clareza. Quando todos aparecem, só se destaca quem faz sentido.
As marcas mais eficientes foram aquelas que simplificaram suas mensagens e traduziram tecnologia em benefício direto. Nos estandes, a comunicação deixou de ser institucional e passou a ser funcional com menos discurso e mais demonstração; menos promessa e mais evidência.
“Percebemos cada vez mais que comunicação eficiente não é sobre o que a marca quer falar, mas sobre entender o que, e como, o cliente precisa receber. É manter a essência da marca, mas vestir o boné do produtor para transformar atributos em valor real, tangível e relevante no dia a dia”, diz Graziela Mônaco, Head de Criação na Make ID.
Nesse contexto, a inovação também passou por um novo filtro. Em um ambiente saturado de soluções com inteligência artificial, automação e agricultura de precisão, o “novo” já não chama atenção por si só. O produtor avalia utilidade, simplicidade e retorno. Se isso não está claro na experiência, a comunicação não sustenta.
Experiência e conteúdo é onde a marca acontece
A experiência se consolidou como o principal território de construção de marca. Estandes deixaram de ser expositivos para se tornarem espaços de interação prática, onde o produtor testa, compara e valida soluções. A lógica mudou em que não é mais sobre contar, é sobre provar.
Ao mesmo tempo, essa experiência se transforma em mídia. As interações geradas no campo são capturadas e amplificadas em tempo real, conectando presença física e escala digital.
“Hoje, performance e construção de marca caminham juntas. Não existe mais separação entre gerar experiência e gerar resultado. O que conecta é o que converte”, pontua Sabrina Golchinski, Head de Performance na Make ID.
Nesse cenário, o conteúdo também evolui. Cobertura virou commodity. O que gera valor é a capacidade de interpretar e traduzir rapidamente o que está acontecendo em algo útil para decisão. Não é sobre mostrar a feira, mas explicar o que ela significa.
“O conteúdo hoje tem um papel central nesse processo. Não é mais sobre registrar o que está acontecendo, mas sobre traduzir contexto em narrativa estratégica, algo que ajude marcas a entenderem mais rápido e tomarem melhores decisões”, diz Sergio Silva, Head de Conteúdo na MAKE ID
Integração como vantagem competitiva
A Agrishow 2026 também evidenciou uma mudança estrutural em que as empresas mais eficientes operam de forma integrada. Marketing, vendas, produto e dados deixam de atuar isoladamente e passam a funcionar como um sistema único.
Cada interação gera dado, cada dado gera insight e cada insight orienta decisões. O que acontece no estande não termina ali, pois alimenta CRM, ajusta discurso comercial e retroalimenta o desenvolvimento de soluções. Em um ambiente mais dinâmico, estruturas fragmentadas perdem velocidade, que se tornou vantagem competitiva.
O que a Agrishow 2026 deixa claro
A edição deste ano reforça que o agro brasileiro entrou em uma nova fase. A presença virou básica, a inovação se tornou obrigatória e a comunicação passou a ser critério de decisão.
O mercado já não responde a quem aparece mais, mas a quem consegue ser entendido mais rápido e com mais clareza.
No fim, a mensagem é direta: não se trata de estar na Agrishow. Trata-se de interpretar o que ela revela e transformar essa leitura em estratégia capaz de gerar impacto real no negócio.
Simone Rodrigues é CEO da Make ID.