Brasília (DF) – O que faz o Brasil colher até três safras por ano, liderar a produção agrícola em clima tropical e ainda disputar mercados globais em produtividade?
Para a CropLife Brasil, associação que representa empresas de defensivos, biotecnologia e sementes, a resposta está na combinação entre ciência, inovação e um sistema produtivo de agricultura tropical desenhado para as condições climáticas do país – mas essa conexão ainda é pouco compreendida pela sociedade.
Foi a partir dessa percepção que a entidade lançou nesta terça-feira, dia 27 de maio, em Brasília (DF), a campanha “O que é que só o Brasil tem?”, iniciativa que busca fortalecer o entendimento de formadores de opinião sobre agricultura tropical e defender a necessidade de políticas públicas e regulações adaptadas às características do País.
A campanha nasce da percepção de que há um descompasso entre o reconhecimento da força do agro brasileiro e o entendimento sobre a ciência e a inovação que contribuíram e ainda são decisivos para o desenvolvimento do modelo de agricultura tropical adotado no País.
Durante o lançamento, a presidente da entidade, Ana Repezza, afirmou que o debate público sobre agricultura muitas vezes perde precisão ao misturar agendas distintas e desconsiderar as especificidades do sistema produtivo nacional.
Na avaliação de Repezza, o Brasil já se consolidou como referência global em agricultura tropical, mas produtores rurais, empresas e organizações da cadeia do agro ainda enfrentam dificuldades para comunicar de forma clara como pesquisa, inovação e tecnologia estão diretamente ligadas ao desenvolvimento agrícola.
“Existe muito reconhecimento, mas ainda falta compreensão plena do que é o nosso sistema de agricultura tropical e da inovação feita no Brasil”, afirmou Repezza.
A avaliação da CropLife Brasil se apoia em uma pesquisa realizada com 230 pessoas, entre parlamentares, integrantes do Poder Executivo, jornalistas, empresários e formadores de opinião.
Os dados mostram que 85% dos entrevistados reconhecem o Brasil como potência da agricultura tropical e 80% associam essa produtividade ao uso de tecnologia.
“Já tem esse entendimento de que a nossa produtividade não é só por conta do nosso clima, da nossa terra, da nossa biodiversidade, mas que de fato a gente tem tecnologia”, avalia Repezza.
Mas, mesmo quem reconhece a importância, têm dificuldades em trazer mais detalhes sobre o assunto: 24% não sabem responder espontaneamente o que é agricultura tropical, sendo que apenas 1% conecta o tema à tecnologia, e 32% ainda acredita que o Brasil é o país que mais usa agrotóxicos no mundo – percentual que sobe para 47% entre formadores de opinião.
“É como se fossem dois grupos diferentes, a gente tem a Embrapa, que produz pesquisa de ponta, a gente tem empresas que conseguem inovar, mas não é feito esse link, que é essa pesquisa, essa inovação, que faz com que a gente seja competitivo no mercado internacional”, diz Repezza.
A entidade também destacou que há elevada confiança social nos órgãos reguladores brasileiros.
Segundo a pesquisa apresentada no evento, 86% dos entrevistados avaliam que o uso de defensivos é rigorosamente regulado pelos órgãos relacionados ao tema como Ministério da Agricultura e Pecuária, Anvisa e Ibama.
Para a CropLife Brasil, no entanto, ainda falta traduzir essa confiança em um ambiente regulatório mais favorável à inovação.
“Nossa agricultura precisa de ferramentas modernas, seguras e eficazes, feitas no ritmo do Brasil, para o Brasil. Cabe a nós reconhecer que um país tropical precisa de soluções próprias, pensadas para o seu clima, sua economia e sua vocação produtiva”, afirmou Repezza.
A campanha será disseminada entre empresas associadas, parceiros institucionais e lideranças do agronegócio, com materiais voltados à comunicação sobre ciência, inovação, produtividade e sustentabilidade no agro brasileiro.
Resumo
- Pesquisa da CropLife Brasil mostra que sociedade civil reconhece liderança brasileira na agricultura tropical
- Mas ainda há dificuldade em conectar produtividade, tecnologia e inovação ao modelo agrícola do Brasil
- Associação lançou campanha para ampliar compreensão sobre agricultura tropical