O persistente cenário de crédito restrito e margens apertadas dos produtores desacelerou o setor de insumos agrícolas em 2025.
Dados referentes aos associados da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) mostraram que o faturamento das empresas do segmento somou R$ 171 bilhões no ano passado, uma alta de 2,4% em relação aos R$ 167 bilhões registrados em 2024.
É um ritmo bem mais lento do que o verificado em 2024, quando, na comparação com o ano anterior, a elvação havia sido de 10,6% - e isso já diante de um mercado com as mesmas dificuldades de recuperações judiciais e inadimplência no radar do agro.
Por segmento, o que se viu foi uma estabilidade na venda de fertilizantes, sementes e defensivos, uma alta importante na venda de grãos e uma queda na comercialização de máquinas e serviços.
Dos R$ 171 bilhões de 2025, foram R$ 105 bilhões com insumos, aumento de R$ 1 bi frente a 2024. Outros R$ 43 bilhões vieram da comercialização de grãos, alta de 19% em relação aos R$ 36 bilhões do ano anterior.
Por fim, outros R$ 23 bilhões vieram da comercialização de "máquinas, serviços e outros", uma baixa de cerca de 15% em relação aos R$ 27 bilhões de 2024.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional da Distribuição, divulgada nesta quinta-feira, 13 de agosto, no Congresso Andav 2026, evento realizado pela própria associação e pela Zest Eventos.
Outro dado do levantamento mostrou que a soja se manteve como a principal cultura atendida pelos distribuidores, representando 43% da atuação do setor, seguida pelo milho, com 20%.
Dentro do setor de insumos, os defensivos químicos representaram 43% de participação, seguidos pelos fertilizantes para o solo (17%) e pelas sementes (16%). A pesquisa ainda indicou que houve crescimento de 3,5% no número de lojas em relação a janeiro de 2025 e revelou que 32% dos distribuidores planejam abrir novas unidades nos próximos três anos.
Alberto Yoshida, diretor do conselho da Andav, citou que a recém-iniciada safra 2026/2027 continuará recheada de desafios, e ressaltou uma percepção compartilhada por parte do setor que conversou com a reportagem do AgFeed ao longo da semana: as compras para a safra estão atrasada.
"Percebemos que algumas compras não foram decididas, alguns produtos estão com atraso. Até por uma questão do 'super El Niño', as decisões estão atrasadas. Mas o produtor não vai deixar de plantar e a safra vai acontecer, com mais ou menos tecnologia", disse Yoshida.
"Devemos ter pontos-percentuais de crescimento, mas menores em relação ao dos últimos anos", acrescentou.
Segundo ele, a diminuição do uso de tecnologia é uma possibilidade real que pode marcar a temporada. "Vemos essa possibilidade de usar um pouco do estoque de fertilizante do solo, talvez por uma questão de caixa, crédito e custo. Hoje os custos estão altos, e o produtor consciente e com difícil acesso ao crédito no mercado", disse o diretor.
Olhando para a segunda safra, que será plantada no início de 2027, o que ainda preocupa é a janela de plantio. Segundo ele, a adoção de tecnologia - maior ou menor - vai depender de região para região e de produtor para produtor, e o timing do plantio pode até atrasar dias ou semanas, mas não compromete a safrinha.
"Estamos animados e até otimistas, mas ainda preocupados com fluxo de caixa, crédito e recursos financeiros", finalizou Yoshida.
Resumo
- Faturamento dos associados da Andav chegou a R$ 171 bilhões, alta de 2,4%. Avanço ficou bem abaixo dos 10,6% de 2024.
- Comercialização de defensivos, sementes e fertilizantes ficou estável, venda de grãos cresceu 19%, enquanto máquinas, serviços e outros recuaram 15%
- Para 2026/27, Andav vê safra garantida, mas alerta para compras atrasadas e possível redução no uso de tecnologia