O Paraná tem 19 cooperativas agropecuárias entre as mil maiores empresas do Brasil, somando cerca de R$ 158,7 bilhões em receita líquida, segundo o ranking Valor 1000.

São grupos gigantes, diversificados, que investiram pesado na verticalização e na industrialização, tornando-se colossos com capacidade de gestão e negociação que têm feito com que elas prosperem mesmo em tempos difíceis para o agro brasileiro.

Nas próximas semanas, uma nova potência agroindustrial deve surgir para encorpar essa lista. Ela deve surgir da fusão de duas cooperativas menos badaladas nacionalmente, mas que já têm peso na região Sudoeste do Estado.

A união da Coasul Cooperativa Agroindustrial, com sede no município de São João, e da Codepa (Cooperativa de Desenvolvimento e Produção Agropecuária), de Mangueirinha, será votada, em assembleias extraordinárias separadas, pelos associados das duas entidades, que devem acontecer ao longo do mês de outubro – as datas ainda não foram confirmadas. Além disso, a operação passará pela análise e aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A incorporação da Codepa pela Coasul deve criar uma agroindústria com receita de R$ 6,4 bilhões, próxima de gigantes do cooperativismo como a Coopavel (R$ 6,3 bilhões) e a Frimesa (R$ 7 bilhões).

A Coasul foi criada em 1969, para comercializar trigo. Em 2025, sua receita foi de R$ 5,7 bilhões - alta de 9,4% em comparação ao ano anterior. Hoje sua rede integra mais de 17 mil cooperados e gera cerca de 4,7 mil empregos diretos.

A cooperativa conta com 62 unidades espalhadas por cidades do Paraná e Santa Catarina, e atua com recebimento de grãos, lojas de insumos agrícolas, fábrica de rações, abatedouro de aves, beneficiamento de sementes, além de uma indústria de óleos e farinhas voltada ao aproveitamento de subprodutos.

Já a Codepa começou a operar em 2001. Atende mais de 1,8 mil cooperados e conta com oito unidades agropecuárias e de máquinas, peças e implementos agrícolas, além de fábrica de rações e cinco pontos de recebimento e armazenagem de grãos, unidade de beneficiamento de sementes de soja, trigo e feijão.

A cooperativa registrou um faturamento R$ 574 milhões no último ano - crescimento de 15% se comparado a 2024.

De acordo com comunicado publicado pelas cooperativas, o processo de integração “será conduzido com total transparência e, neste primeiro momento, a rotina e as operações não terão alterações”.

“A Coasul assumirá todas as obrigações e deveres, mas também pega todos os direitos que a Codepa tem, todo o patrimônio físico e todas as estruturas. Ficamos felizes pela qualidade das estruturas de armazenagem que a Codepa tem”, relatou o vice-presidente da Coasul, Paulo Roberto Fachin.

Para o diretor-presidente da Codepa, Nelson Konzen, a necessidade de investimentos na industrialização é uma das justificativas para a união das cooperativas. “Hoje, mesmo uma cooperativa sólida que nem a nossa, existe dificuldade em buscar recursos para montar uma indústria”, afirmou.

“A gente achou muito difícil, a questão do endividamento, do juro alto. Então, depois de algumas reuniões, optamos por sermos incorporados pela Coasul a partir do ano que vem”.

Segundo os dirigentes, o projeto de incorporação das cooperativas trará benefícios a cooperados, colaboradores, parceiros e às comunidades. “Todos os compromissos assumidos entre a Codepa e seus cooperados serão mantidos e respeitados, garantindo a continuidade das relações estabelecidas”, diz o comunicado.

Após o cumprimento de todas as etapas legais do processo, as cooperativas continuarão operando de forma autônoma e independente no mercado. “Até o ano que vem, a gente vai tocar normalmente a cooperativa.

Não vai ser uma mudança radical. O nosso cooperado é importante e os nossos mais de 300 colaboradores também,” finaliza o diretor-presidente da Codepa.

Resumo

  • Coasul e Codepa planejam uma incorporação que pode criar uma das maiores cooperativas agroindustriais do Paraná
  • União deve elevar a receita da operação para cerca de R$ 6,4 bilhões, com atuação em grãos, insumos, rações, sementes e agroindústria
  • Fusão depende da aprovação dos cooperados e da análise prévia do Cade, com integração prevista para 2026