Praticamente escondida em um pequeno estande no fim dos pavilhões que abrigam o Congresso Andav 2026, feira que reuniu nesta semana, em São Paulo, grandes empresas de insumos agrícolas, está uma das gigantes da indústria química chinesa, a Fuhua.

O tamanho da companhia na China contrasta com a posição pouco chamativa de seu espaço, voltado, inclusive, para a saída de emergência, e não para o fluxo principal de visitantes.

Sediada em Leshan, na província de Sichuan, no sudoeste da China, a Fuhua foi criada em 2007, emprega cerca de 3 mil funcionários, afirma movimentar negócios da ordem de US$ 2 bilhões e ter capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas de produtos químicos.

Segundo a própria empresa, seus produtos chegam a 80 países. A Fuhua afirma ter escritórios em diferentes partes do mundo: além do Brasil, Bolívia, Argentina, México, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Dinamarca, Nigéria, África do Sul, Ucrânia, Rússia, Cazaquistão, Nova Zelândia e Austrália.

A companhia produz mais de 40 produtos. São insumos para a indústria química, como soda cáustica, glicina e peróxido de hidrogênio, além de produtos químicos finos, entre eles o glifosato, base para alguns dos mais populares herbicidas do mercado, e glufosinato de amônio.

Além dos químicos, na China a Fuhua atua em segmentos como lítio, semicondutores e papel e celulose.

No Brasil, porém, a estratégia é mais concentrada: o foco está no mercado de defensivos agrícolas, especialmente no glifosato, do qual a empresa afirma ser uma das maiores produtoras em seu país de origem.

A Fuhua está presente no País há cerca de 10 anos, inicialmente por meio da venda de princípios ativos para grandes empresas do setor, como Syngenta, Sumitomo, Corteva e UPL, que importam da China o ingrediente e formulam seus produtos por aqui a partir do glifosato que a companhia chinesa produziu.

Mas a Fuhua quer sair dos bastidores e ir além de seu principal produto. Isso porque o glifosato é uma molécula consolidada e comercializada por dezenas de empresas, com produtos genéricos concorrendo principalmente por preço, disponibilidade e relacionamento com os canais de distribuição

Para expandir mercados, um segundo passo foi dado há cerca de dois anos, quando a empresa passou a comercializar produtos acabados no Brasil.

O movimento ainda é pequeno diante do tamanho da operação chinesa, mas representa uma tentativa de avançar na cadeia e levar a marca aos produtores rurais brasileiros.

Hoje, o principal produto da companhia no país é o Glifomax, um herbicida à base de glifosato em formulação granulada, indicado para culturas como soja, milho e algodão.

O produto é importado já acabado e comercializado principalmente por meio de distribuidores de insumos e cooperativas.

Atualmente, os produtos da empresa já chegam a Mato Grosso, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e à região do Matopiba. A companhia, porém, não divulga o número de hectares tratados com seus produtos no Brasil.

A Fuhua projeta crescimento de cerca de 15% no faturamento brasileiro em 2026, embora não divulgue números absolutos da operação.

Além do Glifomax, a Fuhua avalia, para os próximos anos, ampliar o portfólio no mercado brasileiro, com uma molécula à base de glufosinato de amônio, disse em entrevista ao AgFeed, Fábio Taniguti, gerente de desenvolvimento de negócios da companhia.

“O projeto é que provavelmente em dois anos a gente já comece a levar para os produtores finais”, ressalta Taniguti.

Para isso, a companhia pretende reforçar a presença comercial nas principais regiões produtoras de grãos do país.

Por ora, a estrutura brasileira ainda é enxuta e ainda não conta com um time comercial. São apenas três pessoas na operação nacional, com bases em Cuiabá (MT), Maringá (PR) e Goiânia (GO).

A estrutura pequena ajuda a explicar por que uma companhia de porte relevante na China ainda aparece de maneira discreta no mercado brasileiro.

A própria empresa reconhece que a expansão da venda direta dependerá da construção de uma equipe comercial capaz de cobrir um país de dimensões continentais..

A Fuhua, por outro lado, afirma que a parte burocrática para a expansão já está bem encaminhada e que a companhia conta com clientes e relacionamento comercial no país.

Essa expansão também deve ocorrer de forma gradual. Em vez de montar uma grande estrutura nacional de uma vez, a companhia pretende concentrar recursos nas regiões em que já possui clientes e relacionamento comercial.

A aposta inicial recai sobre Mato Grosso, Goiás e Sul do país, justamente onde estão as atuais bases de seus profissionais e uma parcela relevante do mercado brasileiro de grãos.

A Fuhua é uma empresa de capital fechado na China. Em 2021, chegou a iniciar o processo para uma abertura de capital na Bolsa de Shenzhen, que foi inicialmente aprovada, mas acabou suspensa.

Para o futuro, a companhia informa, em material repassado aos visitantes na Andav, que prevê um investimento de US$ 3 bilhões , além da contratação de 2 mil pessoas e espera chegar a um faturamento em vendas de US$ 8 bilhões a partir dessa expansão. A empresa não informa, no entanto, quais projetos envolvem esse plano de expansão.

Resumo

  • Gigante chinesa Fuhua, produtora de glifosato, projeta crescer 15% no Brasil em 2026
  • Companhia vende ingredientes para empresas formularem o produto e itens acabados para cooperativas e distribuidores
  • Empresa quer vender diretamente ao produtor rural no Brasil em até dois anos