Um dos mais experientes executivos da indústria de defensivos agrícolas estará no mercado a partir de novembro próximo. Renato Guimarães, que acumula a vice-presidência global com os cargos e CEO para a América Latina e no Brasil da americana FMC, anunciou nesta quarta-feira, 16 de setembro, que deixará os postos, que ocupa desde março de 2024.

“Depois de quase três anos, chegou o momento de anunciar que, em novembro, encerrarei meu ciclo na FMC”, escreveu ele em postagem em seu perfil no LinkedIn..

“Foram anos intensos, marcados por desafios, aprendizados e, sobretudo, pela construção de relações de confiança que levarei comigo”, escreveu, sem dar indicação de seu próximo destino profissional.

Na mensagem, em que agradece á companhia e colegas que trabalharam com ele na FMC, afirmou que segue “olhando para o futuro com entusiasmo, seja na atuação executiva, seja contribuindo em conselhos de empresas, compartilhando experiências e apoiando organizações em suas próximas etapas de crescimento e transformação”.

Até a publicação dessa reportagem, a FMC não havia se manifestado sobre a saída de Guimarães e sua substituição.

Agrônomo formado pela Universidade Federal de Lavras e com MBA na Fundação Dom Cabral, Guimarães acumula mais de três décadas no mercado de insumos agrícolas, com passagens em cargos de direção em empresas como a Syngenta.

Antes de se juntar à FMC, ele atuou quase seis anos como CEO da rede varejista Sinagro, rede de distribuição de insumos controlada pela UPL e que depois de sua saída foi rebatizada como Sinova.

Sob seu comando, a Sinagro passou por um processo de rápida expansão. “Saímos de uma empresa de 12 lojas que faturava R$ 375 milhões, para um grupo que, na área de insumos, conta com 70 lojas espalhadas em 10 estados e faturou R$ 3 bilhões no ano passado”, contou ao AgFeed em entrevista publicada em setembro de 2023, quando ainda era CEO da Sinagro.

A mudança para FMC ocorreu já em um cenário de mudança de clima para o negócio de insumos agrícolas, que afetou indústrias e revendas, pegas com estoques muito altos em um cenário de redução de vendas e preços.

Na companhia americana, ele enfrentou um dos mais complexos do setor como um todo e da FMC em particular. Quando assumiu o posto, se reportava ao presidente da FMC Américas, o também brasileiro Ronaldo Pereira, e ao CEO global, Mark Douglas.

Apenas dois meses depois, Pereira foi promovido a presidente global, no mesmo movimento em que Pierre Brondeau — então chairman — reassumiu o cargo de CEO, substituindo Douglas, que deixou a empresa com 14 anos de casa.

Em outubro do ano passado, Pereira também desligou-se da companhia, depois de 28 anos de casa. Brondeau assumiu também a sua cadeira e colocou em ação um plano de busca de parcerias, com objetivo de reduzir US$ 1 bilhão em dívidas através da venda de ativos e acordos de licenciamento.

No início de fevereiro passado, o grupo publicou um documento com indicadores ruins. No texto, o CEO global informou que a FMC avaliava “opções estratégicas, incluindo, mas não limitando, a venda da companhia”.

Cinco meses depois, em 30 de junho passado, um novo comunicado da companhia informou que estava concluindo esse processo. O ponto final veio com a chegada de um novo sócio, o conglomerado belga Tessenderlo Group, que decidiu investir US$ 400 milhões em troca de 20% das ações ordinárias da FMC.

Segundo o CEO, os recursos captados junto ao novo sócio serão usados dentro do mesmo plano de amortizar dívidas. Com eles, a empresa deve atingir a meta bilionária de redução do endividamento e afasta de vez a hipótese de venda cogitada meses atrás.

Assim que se desligar da FMC, uma das opções de Guimarães seria atuar como consultor de empresas, como já havia feito no período entre a saída da Syngenta e o comando da Sinagro, quando ajudou companhias do exterior a instalarem operações no Brasil.

Outra possibilidade seria se dedicar mais diretamente à produção agrícola. Na mesma época, junto a outros sócios, comprou uma fazenda e passou a produzir café no sul de Minas Gerais.

Em 2022, adquiriu uma área em Goiás onde também planta soja. No dia a dia de executivo, ele acompanhava os negócios à distância, dizendo ser “mais investidor do que produtor”. Isso, agora, pode mudar.

Resumo

  • Renato Guimarães anuncia saída da FMC, onde ocupa a liderança da América Latina e do Brasil desde março de 2024
  • Executivo soma mais de 30 anos no mercado de insumos agrícolas, com passagens por empresas como Syngenta e Sinagro
  • FMC ainda não confirmou o substituto de Guimarães, que também não indicou qual será se próximo destino profissional