Refletindo ainda o fim da safra de verão de grãos e o início de manejo de culturas de segunda safra como milho safrinha e algodão, a área potencial tratada (PAT) com defensivos agrícolas nas lavouras brasileiras cresceu 5,1% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, com avanço de 59 milhões de hectares. Ao todo, na primeira metade de 2026, a métrica PAT somou 1,2 bilhão de hectares protegidos.

O volume total de produtos utilizados também avançou 4,5%, somando 791.782 toneladas. Em montantes financeiros pagos pelo produtor, houve um avanço de 11,1%, representando US$ 9 bilhões no período.

Os dados são de um levantamento da Kynetec encomendado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) e divulgado a jornalistas em entrevista coletiva em São Paulo nesta quarta-feira, dia 12 de agosto.

Para o fechamento do ano, a tendência é de que a área potencial tratada ainda cresça, mas em ritmo menor. Assim, o ano de 2026 deve fechar com um resultado abaixo de 2025, quando a área tratada cresceu 7,5%.

“Nossa estimativa gira entre aproximadamente 3% e 5%”, estimou Cristiano Limberger, gerente de atendimento da Kynetec Brasil.

Limberger lembra que regiões do Brasil podem trazer comportamentos dissonantes na área de tratamento. No Sul do Brasil, com maior incidência de chuvas, há a possibilidade de crescimento do uso de produtos para combater doenças. "Com certeza vai ser maior (a pressão)", disse.

Já no Centro-Oeste, com a tendência de um tempo mais seco, a tendência é de menor incidência de doenças fúngicas. "Deve aumentar (o uso de) inseticida e diminuir fungicidas no Mato Grosso, no Cerrado, Matopiba, Norte e Nordeste", avaliou.

Apesar do avanço da área tratada e do mercado no primeiro semestre, as margens das indústrias devem encerrar o ano pressionadas por uma combinação de fatores, afirmou Júlio Borges Garcia, vice-presidente do Sindiveg e vice-presidente do conselho de administração da fabricante Ihara.

“E é fácil explicar, porque o preço unitário de todos os produtos caiu, os custos fixos aumentaram, o custo logístico também aumentou durante toda essa crise e a geração local de energia aumentou demais. As embalagens subiram também”, enumerou o vice-presidente do Sindiveg. “Todas as empresas estão sofrendo, algumas sofrendo bastante.”

Os custos de matéria-prima também chegaram a pressionar as empresas. Maurício Marques, presidente do Sindiveg, destacou que, com a eclosão da guerra no Irã, os preços de insumos para a produção de glifosato e fosforados chegaram a atingir um pico, mas já retornaram à normalidade.

O frete, por outro lado, continua como um ponto de pressão. Segundo Júlio Borges Garcia, os preços subiram fortemente no período e não foram repassados pela indústria aos produtores.

“O frete, que se pagava US$ 1 mil, US$ 1,5 mil, por tonelada e por container, hoje está quatro vezes mais caro”, disse Garcia.

A esse cenário somam-se ainda as dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores rurais, que também pressionam o desempenho das indústrias.

“Os últimos três anos foram os piores da nossa história, não digo só para as indústrias, mas para todo o sistema do agro, para todos aqueles que financiam, o mercado financeiro, todos estão mais restritivos”, disse Garcia.

“Quando todos oferecem menos crédito, gera uma pressão para todo o sistema, não só para as indústrias, mas para o produtor.”

O efeito desse ambiente mais restritivo já aparece no ritmo de compras de defensivos às vésperas do início do plantio da nova safra de grãos. Para o vice-presidente do Sindiveg, o nível está abaixo da média histórica.

“Normalmente, em agosto, o produtor já fechou 80%, 90% da sua necessidade. Mas, ao invés disso, acredito que deve estar uns 70% comprado”, disse Júlio Garcia ao AgFeed.

Destaque do primeiro semestre

Nos primeiros seis meses do ano, o milho representou 35% da área tratada, percentual já esperado em função do plantio de milho safrinha na metade inicial do ano.

Além do milho, na sequência vem outras culturas agrícolas como soja (29%), algodão (14%), pastagem (6%) e cana-de-açúcar (4%).

Também figuram na lista hortifruti (2%), feijão (2%), citros (2%), arroz (2%), trigo (2%) e outros (3%).

De acordo com a Kynetec, o mercado brasileiro se dividiu, considerando o volume, principalmente em inseticidas (35%), herbicidas (19%), fungicidas (17%)

O restante – 23% do total – está diluído em outras categorias, assim como tratamento de sementes (6%).

Em termos de valor de mercado, os inseticidas responderam pela maior fatia (US$ 3,3 bilhões), seguidos por fungicidas (US$ 2,6 bilhões) e herbicidas (US$ 2,1 bilhões).

Na relação de volume de áreas e produtos, o percentual muda. Os herbicidas foram aplicados em 41% de todo PAT - 322,6 milhões de hectares -, enquanto os inseticidas somam 29% com 231,9 milhões de hectares e fungicidas com 22%, equivalente a 172,4 milhões de hectares.

No recorte regional, Mato Grosso e Rondônia representaram 35% do consumo de produtos para proteção de cultivos, seguidos por São Paulo e Minas Gerais (ambos com 18%) e a região do Matopiba, com 15%.

Resumo

  • Área potencial tratada chegou a 1,2 bilhão de hectares no semestre, alta de 5% ante o mesmo período de 2025
  • Mercado de defensivos movimentou US$ 9 bilhões, alta de 11,1%, enquanto volume aplicado cresceu 4,5%
  • Sindiveg avalia que cenário para indústria do setor é de margens pressionadas por custos e crédito restrito