O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion, criticou as bases do Plano Safra 2026/2027 anunciado pelo governo federal nesta terça-feira, dia 30 de junho, e avaliou que os recursos disponibilizados não serão suficientes para atender às necessidades do setor agropecuário.
O programa do governo, anunciado na manhã desta terça-feira, dia 30 de junho, trouxe cifras recordes em termos nominais, mas com redução real nos valores oferecidos para o custeio da produção pelos médios e grandes produtores.
Embora o montante total destinado à chamada agricultura empresarial tenha atingido R$ 525,1 bilhões, um exame detalhado dos números revela que o avanço de 1,72% em relação ao ciclo anterior (quando foram disponibilizados R$ 516,2 bilhões) não foi suficiente para acompanhar a escalada dos preços na economia.
Quando confrontado com a inflação acumulada de 4,72% (IPCA) no período, o plano apresenta, na verdade, uma redução real de 2,86% no poder de compra do crédito oficial.
Na avaliação do presidente da FPA, que conversou com a reportagem do AgFeed durante evento em Lapa (PR), o volume de recursos já era esperado pela bancada ruralista após reuniões recente com representantes do governo.
"Nas últimas semanas, a gente previa que o Plano Safra não viria condizente com o tamanho da nossa safra. No ano passado já ficou extremamente aquém do que a gente esperava e, desta vez, quando apresentamos os números em reunião no Ministério da Agricultura, já prevíamos que não haveria a equalização necessária nem a possibilidade do volume de negócios que esperávamos", afirmou.
Lupion também criticou a falta de sinalização concreta sobre recursos para o Programa de Seguro Rural (PSR), informação ausente na apresentação do Plano Safra nesta terça-feira.
Segundo informações publicadas pelo site Globo Rural, o Ministério da Agricultura encaminhou ao Conselho Monetário Nacional (CMN) uma proposta para que operações de crédito rural ligada a contratos de seguro rural ou do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) tenham prioridade em eventuais processos de renegociação no âmbito do Plano Safra 2026/2027.
"Ficou completamente aquém do que se espera, de ter atendimento ao setor no momento de aumento de custo e aumento de endividamento", avaliou o parlamentar.
O presidente da FPA disse ainda que recebe com preocupação a fala do ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante a apresentação do Plano Safra.
O líder da pasta informou que o Executivo deve apresentar, nos próximos dias, nova proposta para a renegociação das dívidas dos produtores rurais.
O governo estaria descontente com o projeto de lei nº 5122/2023, que hoje tramita na Câmara dos Deputados, após aprovação no Senado, e que prevê créditos, a juros de um dígito, para dívidas de crédito rural, empréstimos e Cédulas de Produto Rural contratadas até 31 de dezembro de 2025, renegociadas ou não.
"A fala do ministro da Fazenda é preocupante. Quando ele diz que o governo vai enviar projeto com texto sobre endividamento significa que eles não querem votar o PL 5122 sem gasto primário para o governo", avaliou Lupion. "Ainda temos que aguardar o que vem por aí", emendou.
Na avaliação do presidente da FPA, a situação dos produtores mais endividados pode se agravar, justamente porque muitos terão dificuldade para acessar as novas linhas de crédito.
"Como o produtor endividado, sem garantia, vai acessar o Plano Safra? Ainda mais com linhas modestas como as que foram apresentadas, que tendem a acabar rapidamente", questionou o parlamentar.
"Infelizmente, posso dizer que o produtor não vai contar com o Plano Safra neste ano", concluiu Lupion.
Com reportagem de Alessandra Mello, de Lapa (PR)
Resumo
- Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) critica bases do Plano Safra 2026/2027
- Para Pedro Lupion, plano do governo é insuficiente para atender demandas dos produtores rurais
- Com agricultores endividados, parlamentar avalia que acesso ao crédito poderá estar prejudicado