Há cinco meses a startup Aegro trocou de CEO, depois de 10 anos sendo comandada pelo cofundador Pedro Dusso. Em seu lugar, o experiente executivo com mais de 20 anos de agro Maurício Schneider - ex-CEO da companhia de bioinsumos Solubio, do Aqua Capital, e ex-CEO do StartSe Agro - assumiu a cadeira com a missão de ganhar escala e colocar um perfil mais "executor" no negócio.
A aposta deu certo. A empresa encerrou o primeiro trimestre de 2026 crescendo mais de 30% seu faturamento em relação aos mesmos meses (janeiro a março) de 2025, isso em um trimestre sazonalmente mais fraco que os demais, contou Schneider ao AgFeed. Diante do bom desempenho, a empresa recalculou sua projeção de crescer em 2026.
No ano passado, a perspectiva era crescer 30% a receita e faturar perto dos R$ 38 milhões. Agora, a meta é encerrar 2026 com um faturamento de R$ 42 milhões.
"Colocamos as ideias em prática e o resultado veio. E basicamente os números da operação mostram recordes em cima de recordes", disse.
Quando chegou no posto, Schneider e Dusso explicaram que a lógica era colocar o novo CEO numa vertical mais "pé no barro", aproveitando da expertise dele junto a produtores ao longo da carreira enquanto o fundador passaria a se dedicar na parte mais tecnológica e conceitual da empresa.
Schneider explicou que a ideia era transformar uma empresa que nasceu como software de gestão de fazendas para algo mais. "Queremos mudar a imagem de sistema de gestão para um sistema de tomada de decisão, e não dá pra fazer isso só dentro do escritório", disse.
Tanto que Maurício Schneider conversou com a reportagem logo após uma semana em que esteve no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso, onde encontrou produtores rurais em eventos chamados "Aegro Day".
O encontro serve tanto para mostrar as funcionalidades da startup para os fazendeiros como mostrar os tipos de insight que ele pode ter - refletindo a ideia "pé no barro" que a empresa quer assumir.
"Vamos trabalhando com ele e nutrindo ele com informações. Agora temos reports semanais de preços de insumos, custos médios, performance da colheita, combustível e outros indicadores. Dá pra ver que o pessoal não conhece a realidade e não vê que gestão pode fazer a diferença".
A Aegro pega os dados das 5 mil fazendas que hoje são clientes junto a outras bases e consegue mostrar, por exemplo, o nível de rentabilidade de fazendas.
O CEO exemplificou que hoje, no Rio Grande do Sul, dividindo as propriedades em três níveis, as melhores estão faturando R$ 5 mil por hectare, enquanto que as medianas arrecaadm R$ 1,8 mil e as piores perdem R$ 1,5 mil por hectare.
"Isso mostra que há muita decisão a ser feita. Ele não controla o clima, mas mitiga pelo manejo. Não controla preço de soja, mas pode manter uma estrutura de capital correta. Só o fato de parcelar e não comprar na hora certa pode fazer a diferença. É esse tipo de coisa que começamos a mostrar com dados reais", disse.
A plataforma, por exemplo, pode mostrar ao produtor um comparativo de preços do mesmo insumo que ele está atrás, seja em relação a outros períodos ou em outras regiões. Ele explica que o conceito é sair do bom e velho tradicional SaaS (Software as a Service) e ir para uma espécie de DaaS (Data as a Service).
Tanto que, quem entra no site da empresa se depara com as seguintes mensagens: "Veja o preço real dos insumos antes de comprar. Compare antes de fechar negócio. +45 mil notas fiscais reais de 27 estados". E só abaixo disso vêm uma mensagem mais ligada ao software de gestão da fazenda.
"Começamos a gerar relatórios como se fossem consultores digitais. Ele pode mostrar que 'o custo está x% superior a média da região e acima dos benchmarks', ou então anunciar que daqui um período faltará um valor no caixa, e com isso, dá uma recomendação. Isso está funcionando", acrescentou o CEO.
Para ajudar nos inputs, Schneider conta que a Aegro criou uma interface no Whatsapp que recebe os dados dos produtores - notas fiscais, compras gerais da propriedade, abastecimentos e etc.
Além do aumento da receita, impulsionada tanto por novas contas quanto por clientes já antigos, Schneider conta que o churn (taxa de cancelamento) recuou para abaixo de 1% no período.
O executivo contou que o segundo trimestre é sempre o mais forte para a empresa - muito relacionado ao calendário agrícola dos grãos, principal vertical atendida pela empresa.
O primeiro trimestre é mais fraco, segundo ele, pelas festividades de início de ano, férias escolares e carnaval. Ele cita que grande parte do que impulsionou o bom desempenho neste ano foi o mês de março.
"Dezembro já foi uma grata surpresa, porque também é sazonalmente mais fraco. Normalmente o faturamento do ano se divide em 20% no primeiro trimestre, 30% no segundo e 25% nos demais. As vezes o terceiro trimestre é mais parecido com o segundo", afirmou.
Resumo
- Aegro cresce mais de 30% no primeiro trimestre e revisa meta de faturamento para R$ 42 milhões em 2026
- Novo momento da empresa reforça aposta em modelo de dados e decisão, com insights a partir de 5 mil fazendas na base
- Taxa de cancelamento cai para menos de 1% e empresa acelera com estratégia mais próxima do produtor