O robô caçador de pragas e doenças, produzido de uma das principais empresas de tecnologia agrícola no País, a Solinftec, acaba de conquistar mais um território no mapa.
A companhia anunciou nesta quarta-feira, 2 de abril, que está iniciando as operações de uma nova unidade, desta vez em Cuidad Juárez, no México. Será uma montadora e uma distribuidora de produtos da Solinftec.
“A gente entende que o México, muito mais do que um país bem localizado, tem várias oportunidades de fortalecer a nossa escala global quando se pensa em atendimento ao produtor. Mas também, com essa crescente demanda que nós temos do produto, fazer com que a gente consiga nos posicionar estrategicamente pra melhorar a nossa logística”, explicou Leonardo Carvalho, diretor de estratégias globais da Solinftec, em conversa com jornalistas.
A Solinftec foi criada em 2007 e, desde então, foi crescendo de forma significativa, com um avanço mais intenso à medida que disparou a demanda por um de seus produtos, o robô que Solix, lançado há 3 anos, com capacidade de identificar pragas, doenças e deficiências nutricionais nas lavouras.
Desde 2017, a empresa já captou R$ 1,3 bilhão em operações como o aporte mais recente, de novembro passado, quando recebeu R$ 300 milhões do YvY Capital, fundo de investimento liderado pelo ex-ministro Paulo Guedes e pelo ex-presidente do BNDES, Gustavo Montezano.
Carvalho disse aos jornalistas que parte destes recursos estão sendo usados para passos como o anunciado hoje, com foco na expansão geográfica.
Para atender o mercado, primeiramente a empresa contou com a montagem dos robôs em Shenzen, na China., onde também havia uma parte de pesquisa e desenvolvimento.
Em Araçatuba, São Paulo, está localizada a sede da empresa, “que é praticamente uma montadora”, explicou Carvalho.
Há dois anos foi a vez de “fincar o pé” nos Estados Unidos, com uma fábrica, montadora e distribuidora no estado de Indiana.
“O México tem essa grande flexibilidade em receber não só a tecnologia da Solinftec em termos de distribuição, mas também no seu posicionamento logístico, quando a gente tem um comércio muito mais flexível proveniente da China, com essa relação entre China e México”, ressaltou.
Perguntado se a decisão do México tem a ver com eventual proteção ao “efeito Trump”, Carvalho respondeu que “a companhia não pode ficar refém desse processo, até porque já era uma decisão tomada, que estava caminhando”.
“De certa maneira, pode ter alguns impactos no curto prazo, não no longo prazo, mas não só se estivesse pensando apenas no relacionamento entre México e Estados Unidos, provavelmente a gente estaria muito mais preocupado”, afirmou.
Os mercados da América Latina vinham sendo atendidos a partir da unidade brasileira. Com a chegada no México, a expectativa é de uma redução nos custos, principalmente logísticos, agilizando os processos. “Isso prepara a Solinftec para uma escalada global”.
Ao contrário de uma máquina de maior porte, ele explica que os robôs não têm menos partes para montagem. Por isso, a estratégia é pegar as partes em diferentes regiões do mundo, se necessário, e montar onde a logística estiver mais interessante, com menores custos até de mão de obra, oferecendo mais competitividade para o produtor rural.
O diretor da Solinftec disse ainda que as vendas nos Estados Unidos estão expandindo para outros estados. “O mercado norte-americano que era consolidado em duas áreas especificamente, entre Indiana e Illinois, era onde recebia a maior quantidade dos robôs. Esse ano nós fizemos vendas em diferentes áreas, Kansas, Iowa, Wisconsin e Texas”.
A demanda adicional, a princípio, será atendida pela própria fábrica americana, mas o México também passa a ser uma opção, como montadora.
Entre os potenciais clientes da unidade mexicana estão também Colômbia e “até Guatemala”, destacou Tiago Scarpin, diretor de supply chain da Solinftec.
A unidade do México vai ter a capacidade produtiva de aproximadamente mil unidades por ano, segundo os executivos. Nos EUA e no Brasil as fábricas têm condição de produzir 800 robôs por ano.
Já a China estaria hoje com um papel mais focado na busca de fornecedores e polo de desenvolvimento, embora as primeiras unidades tenham sido produzidas lá. Caso haja demanda no mercado asiático, a empresa diz que unidade chinesa “está pronta para montar e construir”.
A Solinftec diz que já tem hoje 150 robôs em operação e espera atingir 700 robôs no próximo ano. “Então, nós temos essa janela de praticamente 550 robôs a serem produzidos dentro desse polo industrial”, afirmou Carvalho. No começo, o México deverá produzir 100 unidades.
O investimento para a nova unidade é de R$ 20 milhões ao longo de cinco anos. A previsão de faturamento para a companhia como um todo em 2025 é de R$ 450 milhões, bem acima dos R$ 380 milhões do ano passado. O breakeven da empresa foi atingido em 2023.
As principais culturas que vêm utilizando os robôs são soja, milho, algodão, trigo e cana-de-açúcar.
Embora o robô seja o produto mais “pop” da Solinftec, Leonardo Carvalhos disse ao AgFeed que cerca de 85% da receita da empresa ainda vem das soluções de computadores de bordo, de rastreabilidade, de logística, monitoramento e clima. “Mas a gente entende que esse produto também se encaixa dentro da plataforma”. O robô é um complemento agronômico para aquilo que a empresa já vinha fazendo na última década.