A americana Mosaic, uma das maiores produtoras mundiais de fertilizantes, encerrou o terceiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de US$ 72 milhões, revertendo o lucro de US$ 411 milhões registrado no mesmo período do ano passado.

A receita global recuou 10,2%, para US$ 3,1 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado caiu 59,8%, de US$ 806 milhões para US$ 324 milhões.

O prejuízo operacional consolidado da Mosaic alcançou US$ 97 milhões, em comparação ao lucro de US$ 340 milhões no terceiro trimestre de 2025.

No Brasil, o desempenho também foi negativo. A Mosaic Fertilizantes, divisão da multinacional no país, registrou prejuízo operacional de US$ 21 milhões, ante lucro de US$ 96 milhões um ano antes.

Segundo a companhia, os resultados foram afetados principalmente pela queda nas vendas em todos os segmentos e pelos custos mais elevados de matérias-primas, especialmente na produção de fosfatados.

"Alinhamos a produção de fosfatados à disponibilidade de enxofre a preços acessíveis, reduzimos custos, fortalecemos nossa posição financeira e continuamos avançando nas oportunidades de otimização do portfólio", afirmou Bruce Bodine, presidente e CEO da Mosaic.

Apesar do prejuízo, o fluxo de caixa operacional aumentou de US$ 229 milhões para US$ 284 milhões, favorecido pela redução dos estoques. A companhia também refinanciou e prorrogou os vencimentos de suas dívidas de longo prazo previstos até 2028.

Paralisações no Brasil

A receita da Mosaic Fertilizantes caiu 21,2% no terceiro trimestre, para US$ 1,25 bilhão, em meio à redução dos volumes comercializados, ao encarecimento das matérias-primas e às restrições de crédito enfrentadas pelos clientes brasileiros.

O Ebitda ajustado caiu 83%, de US$ 241 milhões para US$ 41 milhões. O custo de conversão dos fosfatados aumentou de US$ 99 para US$ 147 por tonelada, em razão da menor utilização da capacidade industrial e da consequente redução da diluição dos custos fixos.

O resultado negativo da Mosaic Fertilizantes ocorre após uma sequência de paralisações industriais e medidas de redução de custos anunciadas ao longo de 2026.

Em abril, a companhia anunciou a paralisação do complexo de Araxá e das atividades de mineração em Patrocínio, ambos em Minas Gerais, com redução prevista de aproximadamente 1 milhão de toneladas na produção anual de fosfatados.

Em julho, ampliou os ajustes operacionais, incluindo a extensão das paralisações em Tapira (MG) e Catalão (GO), a hibernação gradual da produção de fosfatados em Uberaba (MG), a partir de setembro, e a interrupção temporária de unidades de mistura em Candeias (BA) e Catalão. Também reduziu a produção em Palmeirante (TO) e Sorriso (MT).

A menor utilização das instalações industriais reduziu a diluição dos custos fixos, enquanto os gastos com paralisações, manutenção e custos não absorvidos chegaram a US$ 70 milhões, ante US$ 27 milhões um ano antes.

O volume comercializado no Brasil caiu de 2,8 milhões para 1,9 milhão de toneladas, retração de 32,1%, também influenciada pela disponibilidade limitada de crédito aos clientes.

A Mosaic mantém em andamento o processo de venda da unidade de Araxá, como parte da revisão estratégica de seu portfólio de ativos.

Apesar da recuperação sazonal das margens de distribuição, a companhia prevê que o Ebitda ajustado da operação brasileira no quarto trimestre ficará abaixo dos US$ 41 milhões registrados entre julho e setembro.

Fosfatados em queda

A divisão global de fosfatados também apresentou forte deterioração. O prejuízo operacional chegou a US$ 194 milhões, revertendo lucro de US$ 102 milhões um ano antes.

O Ebitda ajustado caiu de US$ 280 milhões para US$ 49 milhões, pressionado pelos custos elevados do enxofre e pela redução dos volumes comercializados.

As vendas de fosfatados recuaram de 1,6 milhão para 1,4 milhão de toneladas. A empresa reduziu a produção diante da disponibilidade limitada de enxofre a preços competitivos, embora tenha conseguido elevar os preços médios de venda.

O segmento de potássio permaneceu como a principal fonte de resultado operacional positivo. O lucro operacional atingiu US$ 189 milhões, ante US$ 229 milhões em 2025, enquanto o Ebitda ajustado recuou de US$ 329 milhões para US$ 284 milhões.

Além dos menores volumes comercializados, a operação enfrentou condições geológicas desfavoráveis na mina de Esterhazy, no Canadá, que reduziram o teor de potássio do minério extraído. A previsão de produção de potássio para 2026 foi ajustada para 8,6 milhões de toneladas.

A Mosaic prevê investimentos globais de US$ 1,2 bilhão neste ano e pretende reduzir os desembolsos para menos de US$ 1 bilhão em 2027.

Resumo

  • Mosaic reverte lucro de US$ 411 milhões em prejuízo de US$ 72 milhões no terceiro trimestre de 2026
  • No Brasil, prejuízo operacional chega a US$ 21 milhões após cortes na produção e queda nas vendas
  • - Paralisações industriais elevam custos, enquanto Mosaic avança na revisão de ativos no Brasil