Os desafios do acesso crédito para financiar a produção agropecuária têm sido constantes ao longo deste ano de 2026.

Como produtora rural e tomadora de recursos do Plano Safra sei o quanto é difícil quando não conseguimos encontrar linhas de crédito a juros mais baixos. Sabemos que muitos dos programas que oferecem taxas subsidiadas se esgotam rapidamente, chegam a durar 10 dias, dependendo da cidade.

Em paralelo, vimos um cenário mais restritivo, com bancos mais preocupados com a alta inadimplência e as recuperações judiciais.

Por isso, quero destacar aqui duas notícias recentes que trazem um sopro de esperança ao produtor.

O Banco Central divulgou na última semana dados que mostram uma queda na inadimplência do crédito rural. A taxa que era de 9,7% em agosto, baixou para 8,7% em setembro. A queda de 1 ponto percentual foi a maior da série histórica, iniciada em 2011.

Sabemos que ainda é um índice de inadimplência alto, acima do que espera o mercado, mas ficamos na expectativa de que talvez esse recuo possa significar finalmente uma recuperação.

Houve um esforço dos representantes do agro no Congresso Nacional e também no governo federal para aprovar uma Medida Provisória na metade do ano para viabilizar a renegociação de parte das dívidas agrícolas.

Sabemos que esse processo não está avançando no ritmo que gostaríamos mas quem sabe finalmente podemos confiar na gradual retomada do acesso ao crédito para esses produtores que seguem com dificuldades.

No mês de outubro fui painelista do Fórum Mundial da Alimentação promovido em Roma, na Itália, pela FAO, órgão das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação.

Lá se discutiu a fome no mundo como algo “evitável” e prestou-se muita atenção às perspectivas para a produção de alimentos no Brasil.

Esperamos que o governo ajude a viabilizar juros mais baixos para nossos agricultores. Se a inadimplência seguir caindo vai ser bom porque o produtor vai poder voltar de alguma maneira a produzir.

O endividamento elevado deixa fora do jogo agricultores que antes estavam produzindo e isso tem tudo a ver com a segurança alimentar, no Brasil e no mundo.

É positiva também a notícia de que o número de pedidos de recuperação judicial entre produtores rurais no segundo trimestre teve queda de 20,7%, em relação ao mesmo período do ano passado.

Porém, precisamos olhar os números com cautela e seguir engajados em busca de uma solução definitiva para as dívidas rurais e o acesso dos produtores a linhas de crédito que taxas de juros que sejam viáveis.

Afinal, o mundo depende da gente. É no Brasil que estão as maiores oportunidades de aumentar a produção de alimentos a partir da recuperação de pastagens degradadas, sem a necessidade de áreas, garantindo a segurança alimentar e o cuidado com nosso planeta.

Teresa Cristina (Teka) Vendramini é fazendeira, socióloga e conselheira da Embrapa. É ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB).