A Bayer elevou suas projeções financeiras para 2026 após registrar crescimento de 6,9% no Ebitda ajustado do 3º trimestre, para € 1,62 bilhão, impulsionado pelo desempenho da divisão farmacêutica.

O resultado contrasta com o desempenho da Crop Science, divisão agrícola da multinacional alemã, cujo Ebitda antes de itens extraordinários recuou 41,3%, para € 101 milhões, ante € 172 milhões no mesmo período de 2025.

A margem ajustada do negócio agrícola caiu de 4,5% para 2,6%, pressionada pelo aumento dos custos dos produtos vendidos e das despesas comerciais.

A Bayer ressalta que o 3º trimestre costuma apresentar a menor contribuição para o resultado anual da Crop Science, em razão da sazonalidade das operações agrícolas.

A receita da divisão atingiu € 3,88 bilhões entre julho e setembro, crescimento nominal de 0,7%. Descontados os efeitos cambiais e de portfólio, entretanto, houve retração de 2,4%.

O desempenho foi afetado por restrições regulatórias e condições climáticas desfavoráveis na Europa e na região da Ásia-Pacífico, parcialmente compensadas pelo crescimento das operações latino-americanas.

Na América Latina, as vendas avançaram 11,3%, para € 2,13 bilhões, com expansão ajustada de 5,6%. A região respondeu por aproximadamente 55% do faturamento global da Crop Science no trimestre.

“A América Latina começou a safra com força e acreditamos estar bem posicionados para cumprir nossas projeções para 2026”, afirmou Bill Anderson, CEO global da Bayer.

Segundo a companhia, o crescimento foi impulsionado principalmente pela maior demanda por sementes de soja e milho para a safra de verão. A Bayer, no entanto, não divulgou números individualizados sobre o Brasil.

O segmento de sementes e características genéticas de soja apresentou crescimento global de 10,6% na receita nominal, para € 576 milhões. Em bases ajustadas, a alta foi de 4,5%, sustentada sobretudo pelas operações latino-americanas.

No milho, a expansão da demanda regional compensou a redução dos volumes comercializados em outros mercados, onde houve diminuição da área plantada e problemas climáticos.

A recuperação, entretanto, não foi uniforme entre os produtos agrícolas.

As vendas globais de fungicidas recuaram 8,6% em bases ajustadas, pressionadas pelo deslocamento de parte dos volumes para o 4º trimestre e pela concorrência de genéricos na América Latina.

Os herbicidas, excluído o glifosato, também registraram retração ajustada de 8,6%. Na região latino-americana, porém, a Bayer informou aumento dos volumes comercializados após ajustes estratégicos de preços.

O glifosato apresentou queda global ajustada de 5,3%, principalmente pela menor demanda na Europa. Já os inseticidas tiveram desempenho praticamente estável, com redução de volumes na América Latina associada à racionalização do portfólio.

No acumulado de janeiro a setembro, a Crop Science registrou receita de € 16,35 bilhões, alta ajustada de 3,6%, enquanto o Ebitda antes de itens extraordinários cresceu 17,4%, para € 4,02 bilhões.

Farmacêutica sustenta resultado global

O crescimento da divisão farmacêutica levou a Bayer a melhorar suas projeções para 2026, apesar do desempenho mais fraco do negócio agrícola no trimestre.

“Chegamos a um ponto de inflexão na trajetória de crescimento da divisão farmacêutica e estamos começando a enxergar o outro lado”, afirmou Anderson.

A receita consolidada do grupo alcançou € 10,05 bilhões entre julho e setembro, alta de 4,1% sobre o mesmo período de 2025. O Ebitda ajustado avançou 6,9%, para € 1,62 bilhão, com margem de 16,1%.

O resultado líquido permaneceu negativo em € 672 milhões, ante prejuízo de € 963 milhões um ano antes, refletindo, entre outros fatores, baixas contábeis nas divisões farmacêutica e de produtos de consumo.

Na Pharmaceuticals, a receita cresceu 8%, para € 4,68 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 23,6%, para € 1,29 bilhão. A margem operacional atingiu 27,6%.

O desempenho foi sustentado principalmente pelas vendas dos medicamentos Nubeqa, utilizado no tratamento de câncer de próstata, e Kerendia, indicado para determinadas doenças renais e insuficiência cardíaca.

As receitas desses produtos cresceram, respectivamente, 58,3% e 64,9%, descontados os efeitos cambiais e de portfólio, compensando parcialmente as perdas de medicamentos mais antigos, como Xarelto e Eylea, afetados pela concorrência após o vencimento de patentes.

Com os resultados, a Bayer elevou sua previsão de Ebitda ajustado para 2026, em taxas de câmbio constantes, da faixa de € 9,6 bilhões a € 10,1 bilhões para € 9,8 bilhões a € 10,3 bilhões.

Resumo

  • Ebitda ajustado da Crop Science recua 41,3%, enquanto resultado global da Bayer cresce 6,9%
  • América Latina responde por 55% das vendas agrícolas, impulsionadas por sementes de soja e milho
  • Divisão farmacêutica eleva Ebitda em 23,6% e sustenta revisão das projeções para 2026