Nas próximas feiras agropecuárias do Brasil e de toda a América Latina, quem chegar ao estande da multinacional Bayer vai se deparar com uma nova marca.
Trata-se da Biológicos Bayer, marca lançada pela companhia alemã nesta quarta-feira, dia 3 de novembro.
O nome será uma espécie de "guarda-chuva" para identificar as soluções biológicas da empresa, mais conhecida pelos defensivos químicos e sementes, mas não tanto pelos biológicos que produz.
A novidade faz parte de uma estratégia mais ampla da multinacional para comunicar ao produtor que também produz biológicos e ganhar mais protagonismo em um mercado que vem crescendo acima da média global na continente latinoamericano, especialmente no Brasil – e que tem atraído um número cada vez maior de empresas.
"A marca vai nos ajudar a deixar mais claro nos pontos de contato com o agricultor, tanto no site como na própria feira, que a Bayer é uma empresa de soluções para proteção de cultivo, e que existem os produtos tradicionais e existem os produtos biológicos”, avalia Antônio Soares, head de biológicos da companhia para a América Latina, em entrevista ao AgFeed.
Ainda não há uma definição, no entanto, se a nova marca vai constar no rótulo ou na embalagem dos produtos que fazem parte do portfólio da companhia. “A gente discutiu e não tem ainda uma definição sobre, até porque também existe uma legislação que regulamenta isso, que você pode ou não colocar num rótulo ou numa caixa de um produto”, explica Soares.
Para Luiz Offa, vice-presidente sênior de Proteção de Cultivos e Biológicos para a América Latina da Bayer, o lançamento da nova marca também reflete a intenção da multinacional de ganhar protagonismo no mercado latinoamericano, que está cada vez mais competitivo, que teatraído empresas nacionais e internacionais.
"É um mercado que está cada vez mais dinâmico, tem muitos players mesmo nesse espaço, porque acho que perceberam como essa tecnologia pode gerar valor para o agricultor", diz Offa.
Nesse cenário, Offa sustenta que a criação de uma identidade própria para os biológicos da Bayer é também uma forma de reforçar o posicionamento da companhia em um setor que já conta com diversos concorrentes e no qual a multinacional pretende ampliar sua presença.
"A gente se posicionar como uma marca realmente é a busca que a gente quer de um protagonismo nesse setor também", diz.
Apesar da criação de uma identidade própria para os biológicos, Offa reforça que a ideia da companhia é seguir apostando na complementaridade entre as tecnologias biológicas e as soluções tradicionais de proteção de cultivos.
"A gente acredita muito no segmento de biológicos, e na complementaridade que ele traz para as outras soluções que a gente já entrega para o agricultor, seja a genética, as sementes, seja a biotecnologia, seja a proteção de cultivos tradicional", afirma.
Atualmente, a multinacional possui 45 produtos biológicos em seu portfólio no mercado latinoamericano, incluindo soluções como o biofungicida Serenade, que está há 25 anos no mercado.
No Brasil, entretanto, o portfólio é mais restrito: são apenas três produtos, número que a companhia pretende ampliar com uma nova leva de lançamentos ao longo dos próximos anos, anunciados também nesta quarta-feira.
Ao todo, a Bayer projeta colocar 17 novos biológicos no mercado latino-americano até 2030, sendo que oito serão lançados no Brasil – quatro produtos de biocontrole e outros quatro voltados à chamada performance de cultivos, categoria que inclui tecnologias destinadas a melhorar o desenvolvimento e o aproveitamento de nutrientes pelas plantas.
Um desses produtos está sendo lançado agora: o Curvet, cuja formulação traz poliflavonoides de origem vegetal, compostos conhecidos pela participação na comunicação entre a planta e os microrganismos do solo.
O produto contribui para o melhor aproveitamento do nitrogênio e do fósforo já presentes no sistema.
Em testes conduzidos pela companhia em 114 localidades de oito estados ao longo de quatro safras, foi observado um incremento médio de três sacas por hectare na soja.
A tecnologia é da americana Sound Agriculture, empresa investida pela Leaps by Bayer e é comandada, no Brasil e na América Latina, por um ex-executivo da companhia alemã no País, Thiago Bortoli, que foi diretor de soluções digitais e de novos modelos de negócios da Bayer para a América Latina.
Além do Curvet, a Bayer também vai lançar outro produto, o bioinseticida Aspira, ao longo desta safra.
A companhia prevê ainda o lançamento de dois novos produtos ao longo do ano que vem, mas ainda não traz mais detalhes sobre as suas características.
Já os demais quatro produtos que vão compor o portfólio devem chegar às lavouras até 2030, sem data definida para isso acontecer.
"É difícil agora de a gente dizer se vai ser em 2028 ou 2029, porque pode envolver um atraso regulatório nessa janela", diz Antônio Soares.
Acordo com IdeeLab
Além do lançamento da nova marca e dos novos produtos, a Bayer também anunciou ao mercado nesta quarta-feira que firmou um acordo com a IdeeLab Biotecnologia, startup sediada em Piracicaba (SP) que oferece soluções para diferentes empresas do agro.
O acordo entre as duas empresas visa a criação conjunta de um novo produto biológico customizado para a agricultura tropical: um biofungicida de nova geração com alto potencial para o controle de doenças foliares na soja e outros cultivos.
“A IdeeLab tem um banco de micro-organismos próprios e que passaram por uma plataforma de discovery, em que a gente consegue elencar quais são os melhores microorganismos. Agora chegou o momento em que a gente está transferindo esses microorganismos para a Bayer, para um desenvolvimento em conjunto”, explica Ronaldo Dalio, fundador e CEO da IdeeLab, ao AgFeed.
Embora a Bayer já mantenha parcerias semelhantes em outros mercados, essa será a primeira iniciativa de codesenvolvimento com um parceiro local voltada especificamente às necessidades agronômicas da América Latina.
A Bayer possui 26 centros de pesquisa no Brasil, que poderão participar dos trabalhos para avaliar o desempenho da tecnologia em condições reais de campo e definir sua integração aos programas de manejo.
"Queremos desenvolver um produto para atender as necessidades do mercado brasileiro, de uma agricultura tropical que difere de outras regiões do mundo, e existe uma série de necessidades e particularidades que o produtor brasileiro tem", diz Antônio Soares.
“É inovação aberta, pura e crua. Vão ser as duas equipes de inovação das duas empresas trabalhando junto para a gente chegar o mais rápido possível num biofungicida, com uma tecnologia própria e com extrema eficiência nos níveis de qualidade que se espera da Bayer”, complementa Ronaldo Dalio.
A IdeeLab vinha negociando com a multinacional desde 2023 e tem como clientes, inclusive, concorrentes da Bayer, como Syngenta e ICL. Nada muda nessa relação. “Já desenvolvemos mais de 35 produtos ao longo desses seis anos, e isso para empresas diferentes, a gente quer manter essa independência”, diz Dalio.
Criada por Dalio e Sérgio Pascholati, dois ex-pesquisadores da Esalq-USP, em 2019, a startup do interior paulista vem expandindo suas operações e, no ano passado, lançou uma fábrica em Cambé (PR), com capacidade de produzir inicialmente 1 milhão de litros de produtos biológicos. O projeto exigiu um investimento de R$ 30 milhões.
Na Bayer, Antônio Soares explica que o acordo decorre de mudanças que a companhia fez a partir de 2022, quando passou a focar em inovação aberta na área de biológicos
“A gente fez uma revisão estratégica, a gente tinha alguns sites, algumas capabilities de biológicos e decidimos fazer um desinvestimento para mudar para esse modelo de inovação aberta”, diz o executivo, ressaltando, por outro lado, que alguns dos 17 novos produtos a chegarem ao mercado ainda herdam o conhecimento da estrutura anterior.
A vantagem do novo esquema é que, agora, a Bayer consegue agilizar o desenvolvimento de novos produtos – em linha inclusive, com o novo modelo operacional da companhia, o famoso DSO (Dynamic Shared Ownership), implementado desde 2024 e que prega a simplificação dos processos.
O próprio lançamento do Curvet, exemplifica Soares, já faz parte do conceito de inovação aberta. "Talvez a gente teria que concentrar esforço em uma plataforma de produtos à base de fermentação líquida, por exemplo, bacilos, metabólicos de bacilos. Quando a gente vai para o modelo de inovação aberta, a gente pode acessar através de um parceiro uma plataforma de RNAI, uma plataforma de peptídeo, porque são empresas que se especializaram para desenvolver tecnologias em uma plataforma."
Resumo
- Bayer lança nova marca Biológicos Bayer para identificar bioinsumos que produz
- Companhia pretende aproximar produtores de toda a América Latina de soluções formuladas a partir de microorganismos
- Empresa também promete lançar 17 novos produtos biológicos até 2030 na região, sendo 8 no Brasil