O derby pelo comando do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não começou oficialmente, mas os primeiros nomes já circulam nos boxes.

Antes mesmo da largada, a capacidade de articulação política diferencia favoritos e azarões e deverá pesar até mais do que o conhecimento técnico do setor.

A avaliação é compartilhada por interlocutores nos bastidores de Brasília e analistas ouvidos pelo AgFeed.

Com uma bancada ruralista numerosa e a oposição fortalecida no Congresso Nacional, a Agricultura é uma das pastas que ganham peso nas negociações para ampliar a base ou mesmo fortalecer a atuação parlamentar do governo.

"O agro é um setor muito forte política e economicamente, muito organizado. Na configuração para o próximo mandato, ganha ainda mais importância política para o governo no Congresso”, afirma Cristiano Noronha, cientista político e vice-presidente da Arko Advice.

Segundo ele, questões como endividamento dos produtores, financiamento agrícola e barreiras comerciais exigirão um ministro com capacidade de diálogo com o setor e o Legislativo.

Lula, porém, não precisa necessariamente escolher um representante tradicional do agronegócio. "O presidente pode buscar um nome que fale com o setor como foi Roberto Rodrigues no primeiro mandato de Lula", diz Noronha.

O primeiro movimento caberá ao presidente do PT, Edinho Silva, que já tem conversas previstas com dirigentes de outros partidos na próxima semana.

O objetivo será ouvir e avaliar a disposição das legendas de integrar o governo, suas pretensões ministeriais e os nomes disponíveis para compor a equipe.

Essas conversas servirão de subsídio para as indicações a Lula, que costuma centralizar pessoalmente as decisões sobre o primeiro escalão.

Segundo o analista, qualquer sinalização mais clara ou decisão, no entanto, ainda deve levar semanas.

"O presidente tem viagem prevista para a COP na segunda semana de novembro, o que deve empurrar qualquer sinalização mais concreta sobre a Agricultura para a última semana do mês”, pontuou.

No páreo

Até lá, a lista de possíveis candidatos com perfil político ainda está aberta, mas alguns largaram na frente ao menos no terreno das especulações.

Entre os nomes mais mencionados nos bastidores estão os deputados Tião Medeiros (PP-PR) e Arnaldo Jardim (Cidadania-SP).

Além deles, foram citados o retorno de Carlos Fávaro, a permanência de André de Paula (ambos do PSD) e até mesmo Pedro Lupion (Republicanos), que é presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Segundo interlocutores ouvidos pelo AgFeed, porém, as divergências e os embates entre Lupion e o governo Lula nos últimos anos tornam sua indicação improvável. A resistência existiria dos dois lados.

Por outro lado, Tião Medeiros aparece como uma alternativa com potencial de articulação parlamentar. Ex-presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, ele reúne experiência legislativa e passagem pelo Executivo estadual.

Para Noronha, sua trajetória e relativa juventude podem favorecer uma eventual indicação. O PP, entretanto, conta com apenas seis senadores, fator que deverá entrar no cálculo político do Planalto.

Arnaldo Jardim, por sua vez, tem experiência na formulação de políticas para o agronegócio e interlocução com diferentes segmentos produtivos. Seu nome circula entre fontes próximas ao ministério, embora não haja notícia de articulação formal para sua indicação.

A permanência de André de Paula também aparece entre as possibilidades consideradas nos bastidores, embora ainda não haja indicação de que seu nome esteja sendo negociado para o próximo governo.

O retorno de Carlos Fávaro, que comandou a pasta durante mais de três anos, também não está inteiramente descartado. Noronha relata que, em conversa com Gilberto Kassab, presidente do PSD, a possibilidade de uma nova indicação do ex-ministro não foi excluída.

Nos bastidores do governo, porém, interlocutores ouvidos pelo AgFeed avaliam negativamente o desempenho de Fávaro na articulação política durante sua passagem pelo ministério.

Entre os nomes de perfil mais técnico lembrados nos bastidores estão Carlos Ernesto Augustin, ex-assessor especial do Mapa e um dos fundadores do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), e Cleber Oliveira Soares, secretário-executivo da pasta.

Ambos reúnem experiência no setor e conhecimento da estrutura ministerial, mas podem perder espaço caso Lula priorize uma indicação política capaz de ampliar sua base no Congresso.

A expectativa no Mapa é de que Lula consulte lideranças do Centrão e integrantes do atual governo antes de definir o sucessor.

A presença expressiva do PL no Congresso, especialmente no Senado, aumenta a necessidade de negociar apoio com outras legendas, inclusive partidos que não integram mas estejam dispostos ao diálogo com a base governista e o Planalto.

Resumo

  • Planalto deve buscar ministro do Centrão para ampliar base no Congresso
  • Edinho Silva inicia conversas com partidos na próxima semana, mas definição ocorrerá a partir do fim de novembro
  • Os deputados Tião Medeiros e Arnaldo Jardim figuram entre os possíveis nomes