Foram dias de despedida na maior agtech brasileira – ou do mundo, como a Solinftec costuma se apresentar. E de expectativa de mudanças na liderança de algumas de suas áreas mais estratégicas.
Uma das despedidas foi pública. Na terça-feira, 15 de setembro, um dos principais porta-vozes da companhia nos últimos anos, Denis Arroyo Alves, publicou em seu perfil no LinkedIn uma mensagem em que comunicava que estava deixando a Solinftec, depois de dois anos e meio na posição de vice-presidente global.
A outra, foi tratada de forma mais reservada, com o desligamento de Henrique Nomura, engenheiro com mais de 9 anos de casa, os últimos sete deles liderando, como CTO, a área de desenvolvimento tecnológico da Solinftec.
Outros profissionais, em níveis hierárquicos inferiores, também deixaram a empresa, em um movimento que surpreendeu quem acompanha a trajetória da agtech, que ganhou visibilidade global com a produção do robô agrícola Solix e da plataforma de inteligência artificial Alice.
Até o momento, a Solinftec não se manifestou sobre o assunto. O AgFeed apurou, no entanto, que os executivos serão substituídos, pelo menos no curto prazo, por fundadores da empresa, que decidiu impor um novo ritmo ao seu pipeline de inovações, acelerando o desenvolvimento e soluções, sobretudo aquelas relacionadas com IA.
“A visão é posicionar cada vez mais a Solinftec como uma empresa de IA raiz”, afirmou ao AgFeed uma fonte próxima à companhia.
Hoje uma multinacional com fábricas no Brasil, nos Estados Unidos e no México, com receitas previstas para R$ 500 milhões este ano e cerca de R$ 1,5 bilhão captados com um bloco de investidores que reúne nomes globais, como o TPG Group, e nacionais, como a YvY Capital, fundo liderado pelo ex-ministro Paulo Guedes e o ex-presidente do BNDES, Gustavo Montezano, e a Unbox Capital, de Luisa Trajano, a Solinftec entende que o advento da IA exige um novo perfil de lideranças, capazes de promover uma “mudança cultural” interna que a mantenha e evidência no cenário internacional.
A companhia foi fundada em 2007 em Araçatuba (SP) por um grupo de engenheiros cubanos liderados pelo CEO, Britaldo Hernandez, que atuavam em projetos para a automação do setor sucroenergético.
Seus primeiros produtos foram voltados justamente para esse mercado e só mais recentemente passou a trazer soluções para outras culturas, como grãos, e até para a pecuária.
A IA já está presente nos bastidores das soluções da Solinftec desde a década passada, quando modelos começaram a ser desenvolvidos pelo time de Leslie Gonzáles, outra das fundadoras e cérebro por trás da plataforma Alice.
De um ano para cá, porém, a plataforma tecnológica passou a ser o centro da estratégia da agtech. Na última edição da Agrishow, no final de abril passado, por exemplo, mais do que as novas versões do Solix, as atenções no estande da Solinftec ficaram em torno do lançamento da Alice Multiagentes, arquitetura de IA composta por agentes especializados que não aguarda ser consultada para agir.
A intenção dos fundadores é reforçar as aplicações de IA dentro dos equipamentos desenvolvidos pela empresa, gerando produtos com o conceito de “IA física”, que converte a tecnologia em algo concreto, trazendo mais autonomia e eficiência a operações práticas.
Essa é apontada como uma das principais tendências tecnológicas dos próximos anos pelos líderes da companhia, vista por exemplo em produtos como os automóveis autônomos da Tesla ou robôs humanoides capazes de executar as mais diferentes tarefas.
A intenção da Solinftec é incluir cada vez mais no seu roadmap tecnologias de crescimento rápido e o entendimento na cúpula da empresa é de que o processo de desenvolvimento precisa ser acompanhado mais de perto, gerando menos burocracia e ganhando mais agilidade, inclusive em processos de teste e erro.
Resumo
- Solinftec troca o vice-presidente global e o CTO em uma mudança na liderança das áreas estratégicas de tecnologia e inovação
- Fundadores assumem posições-chave para acelerar o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial e reduzir burocracias
- Agtech quer ampliar o uso de IA em equipamentos e produtos, com foco no conceito de “IA física” e maior autonomia