Ano novo, caixa reforçado. A agtech Solinftec acabou de captar R$ 189 milhões por meio de um CRA verde. Essa é a quinta emissão do tipo da empresa, e da última vez que foi ao mercado em busca de CRAs, conseguiu R$ 150 milhões em 2023.
A oferta contou com o Itaú BBA como coordenador líder, e ainda contou com o Bradesco BBI no processo. A Opea é a securitizadora responsável pela emissão.
Os títulos foram distribuídos em duas séries, com vencimentos em novembro de 2030. A primeira série tem uma remuneração atrelada a 100% da taxa DI acrescida de 2,65% ao ano. Já a segunda série está indexada ao IPCA mais 10,7% ao ano.
Os CRAs foram lastreados em CDCAs (certificados de direitos creditórios do agronegócio), e de acordo com o prospecto, os recursos captados serão destinados ao financiamento de equipamentos e softwares baseados em inteligência artificial aplicados à atividade agrícola.
Em publicação no LinkedIn nesta sexta-feira, 9 de janeiro, o diretor financeiro da Solinftec, Murilo Fonseca, comemorou a emissão e disse que os recursos serão destinados a "equipamentos e softwares de IA que viabilizam agricultura de baixo carbono".
A documentação da oferta informa que os recursos serão utilizados no "curso ordinário dos negócios da companhia" e cita como foco projetos ligados a energia renovável, eficiência energética e tecnologias voltadas à redução de emissões no campo - fazendo jus ao selo verde recebido na emissão.
Na mais recente conversa do AgFeed com a companhia, em setembro de 2025, o executivo-chefe global de estratégia da empresa, Léo Carvalho, detalhou que o futuro da Solinftec passa por "reduzir tempo do agro" através de robôs e sensores que monitoram lavouras em tempo real e apoiam decisões rápidas.
A ideia é somar ao tradicional Solix uma série de lançamentos de famílias de robôs capazes de realizar funções de forma "superlocalizada", incluindo de algumas ainda não atendidas por outras máquinas ou equipamentos de automação agrícola.
"Todos os conceitos já estão teoricamente lançados e agora a gente está colocando energia para acelerar esse processo. Em três anos, no máximo, tudo isso vai ter que estar rodando", disse Carvalho na época.
Murilo Fonseca também citou no seu post do Linkedin que essa foi a primeira emissão da empresa direcionada somente a investidores qualificados - aqueles que possuem, no mínimo, R$ 1 milhão em investimentos financeiros ou que detém alguma certificação.
No mesmo post, citou que todas as emissões de títulos de renda fixa da empresa até agora contaram com a coordenação do Itaú BBA, e ressaltou a relação de confiança entre as partes. "Contamos também com a estreia do Bradesco BBI como coordenador, fortalecendo nossa presença no mercado de capitais", seguiu.
Resumo
- A Solinftec levanta R$ 189 milhões em CRAs verdes, acima dos R$ 150 milhões da última emissão em 2023, com títulos em duas séries e vencimento em 2030
- Os papéis pagam DI + 2,65% ao ano e IPCA + 10,7%, foram coordenados por Itaú BBA e Bradesco BBI e lastreados em CDCAs
- Os recursos vão financiar equipamentos, softwares e robôs com IA voltados à eficiência operacional e à redução de emissões na agricultura