Nos últimos anos, o robô agrícola Solix foi a estrela da Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola da América Latina. Na edição 2026 do evento, que se inicia neste domingo, 26 de abril, em Ribeirão Preto (SP), o equipamento autônomo desenvolvido pela Solinftec continuará o destaque, mas dividirá o protagonismo no estande da agtech com outra novidade que promete se tornar um novo marco na evolução da tecnologia aplicada ao campo.
Referência global em inteligência artificial e soluções sustentáveis para o agronegócio, a companhia apresentará a Alice IA Multiagente, uma solução que, como o nome diz, utiliza múltiplos agentes de IA para atuar de forma autônoma, contínua e proativa, transformando dados complexos em ações práticas no dia a dia da operação agrícola.
O movimento é uma evolução natural e transformadora da plataforma de inteligência de dados que a Solinftec vem construindo há quase duas décadas e que a transformou em um case de alcance mundial no setor. Segundo Henrique Nomura, CTO da empresa, por muito tempo a Solinftec trabalhou para trazer os dados do campo e consolidar tudo em uma plataforma, usando diversas ferramentas tecnológicas.
“Mas um grande diferencial nosso foi orquestrar processo agrícola. Nunca trabalhamos com o foco de só dar observabilidade, monitorar o campo, mas sim combinar todos os fatores e promover, seja uma logística localizada lá na frente de trabalho ou uma logística mais integral”, aponta Nomura.
Hoje, a empresa entende que essa base robusta, organizada e limpa de dados, combinada com o avanço das tecnologias de IA, permitem dar saltos proativos. “A gente percebeu que para dar o próximo passo, teria que trabalhar muito na ação, não só na observabilidade, não só na orquestração, em trazer o dado de um lugar para o outro e deixar a decisão para o produtor”.
“Estamos saindo da era da observação para a era da ação e levando a inteligência do campo a um novo patamar”, afirma Denis Arroyo, vice-presidente global da Solinftec. “Não se trata mais apenas de analisar dados, mas de agir sobre eles”.
Ecossistema de especialistas
Diferentemente dos modelos tradicionais baseados em comandos, a Alice Multiagente funciona como um ecossistema de especialistas digitais que trabalham de forma coordenada e assumem responsabilidades específicas.
A ferramenta utiliza o histórico e o contexto de cada cliente, documentados através de dados na plataforma da empresa, uma das maiores do agronegócio no mundo, para transformar informação em ação com precisão e escala inéditas no campo.
Em um primeiro momento, o “esquadrão” especializado da solução contará com seis agentes, que devem chegar ao mercado no segundo semestre: Agente de Suporte, Agente Operacional, Agente Climático, Agente COA (análise de dados), Agente de Disponibilidade e Frotas e Agente de Projeção Espacial.
A lógica, segundo Nomura, é de que a agricultura é um negócio de multifatores – climático, logístico, de precificação de commodities etc.. “Esses multifatores nos levaram a criar essa era dos agentes para não só reportar o que já passou ou dar algum insight de como vai ser trabalhar no planejamento, mas para que eles façam ações e encurtem a rotina do produtor. Ele não precisará mais olhar um relatório para tomar uma decisão”.
O executivo cita também múltiplos exemplos de possibilidades para a atuação desses agentes. “Quando ele olha para o clima, para a disponibilidade de frota, para janelas de oportunidade, os agentes, cada um na sua especialidade, dá sugestões do que fazer, como planejar, por onde começar”.
Assim, ao invés de consultar várias telas de vários sistemas para tomar decisões, ele terá acesso direto a uma recomendação de ação. O Agente Climático pode cruzar previsões meteorológicas com a logística de aplicação para evitar perdas, enquanto o Agente de Disponibilidade e Frotas gerencia a atuação das máquinas para prever falhas e otimizar o uso do diesel.
Um dos destaques é o Agente Operacional, que atua no planejamento semanal, simulando cenários para garantir que a execução siga o planejado, mesmo diante de imprevistos, estimando insumos e recursos necessários e fazendo recomendações automáticas de parâmetros operacionais (como velocidade, RPM, configuração de máquinas).
O copiloto do produtor rural
Então, a inteligência deixa de ser um relatório de "o que aconteceu" para se tornar a diretriz de "o que deve ser feito agora".
Atuando em conjunta, eles são capazes de fazer, de forma autônoma e imediata, a correlação de diferentes fatores que um especialista humano não conseguiria ou demoraria vários dias para conseguir processar.
Arroyo relata, por exemplo, os resultados de uma análise feita em um teste da Alice IA Mutiagente realizado em uma usina sucroenergética do interior paulista. Segundo ele, a IA identificou uma área de canavial que não produzia bem durante anos, analisou anos de índices pluviométricos e produtividade naquele local e correlacionou com outras áreas com condições semelhantes de solo para indicar possíveis ações que poderiam resultar em ganhos produtivos.
“Esse copiloto vai ser muito importante para os produtores rurais”, aposta o executivo. Com a solução, a Solinftec ajuda os agricultores a lidarem com um problema recorrente na era da informação: o excesso de dados sem utilidade imediata em um ambiente de janelas cada vez mais curtas para as decisões.
“A operação ganha autonomia para prever, decidir e executar em tempo real, conectando todas as variáveis do campo de forma integrada. Ao invés de depender de consultas ou interpretações humanas, os agentes atuam continuamente, monitorando a operação em tempo real e reagindo imediatamente a qualquer mudança de cenário”, resume.
Waze agrícola
Na estratégia da Solinftec, a Alice IA Multiagente complementa o trio de pilares de negócios que sustentarão os próximos anos da companhia, juntamente com a plataforma de dados e a família robótica. “Todos eles se conversam. Você tem as bases de dados sendo geradas na plataforma, que o agente vai usar, o robô está gerando dados também”, diz Arroyo.
Na Agrishow 2026, a empresa apresentará avanços em todas elas, ressaltando a proposta de evolução permanente de suas tecnologias. O vice-presidente da companhia entende que o carisma do robô Solix atraiu as atenções externas nos últimos anos, mas que há muitos outros avanços a mostrar.
Um dos exemplos nesse sentido é a solução Way, definida internamente como “Waze agrícola”, desenhada para otimizar os deslocamentos dentro e fora das propriedades rurais, gerando ganhos logísticos e redução de custos com combustíveis, entre outros benefícios.
Lançado no ano passado, o Way está sendo “turbinado” com aspectos de segurança treinados por IA para, por exemplo, identificar a fadiga do operador ou para visualizar o uso de celular e do cinto de segurança.
“A gente sempre lançou de três a quatro produtos todos os anos. Agora queremos que tudo seja visto dentro dessa lógica integrada, ter um intercâmbio entre o físico e o virtual, o software e o robô, e mostrar para o público tudo aquilo que a gente tem trabalhado”, completa Nomura.
A Solinftec segue investindo em novas soluções e atualizando as já consolidadas no mercado. Todas as novidades estarão expostas na Agrishow 2026.