A Vylor, companhia de sementes e genética avançada que será separada da Corteva em 1º de outubro, anunciou nesta quinta-feira, 3 de setembro, o lançamento da Vylor Edge, uma plataforma de investimentos dedicada a acelerar o desenvolvimento de tecnologias avançadas a partir de investimentos em agtechs.

A nova estrutura vai absorver  parte do portfólio que pertencia à Corteva Catalyst — o braço de investimentos e parcerias da gigante americana lançado em março de 2024 —, incluindo as apostas da empresa em agtechs e companhias de biológicos no Brasil e na América Latina.

Segundo comunicado divulgado pela Corteva, a Vylor Edge vai colaborar com startups, empreendedores, universidades e o ecossistema de inovação por meio de investimentos de participação e parcerias estratégicas.

O foco inicial será em verticais alinhadas às prioridades da futura companhia: edição gênica e melhoramento avançado, engenharia de proteínas e plataformas de inteligência artificial e tecnologia digital.

"A Vylor Edge vai se associar à comunidade científica global para entregar inovações transformadoras que avancem a agricultura global e mitiguem desafios-chave de produção", disse Sam Eathington, diretor de tecnologia (CTO) da futura Vylor, no comunicado.

"Combinar a experiência de classe mundial da Vylor com outros líderes tecnológicos de todo o mundo ajudará a impulsionar a inovação e equipar os agricultores com as ferramentas de que precisam para ter sucesso."

A Vylor Edge nasce com a base dos investimentos e colaborações que eram da Corteva Catalyst. No seu primeiro ano e meio de atividade, a Catalyst havia feito aportes em nove agtechs até junho de 2025, quando anunciou sua última investida. Nem todas elas, entretanto, passarão a integrar a nova plataforma da Vylor.

A primeira aposta foi na americana Pairwise, especializada em edição gênica, com US$ 25 milhões em setembro de 2024 — o primeiro investimento da plataforma, acompanhado de uma joint venture de cinco anos.

Em abril de 2025, veio a argentina Puna Bio, que desenvolve insumos biológicos para tratamento de sementes a partir de microrganismos extremófilos encontrados no deserto de Puna, um dos mais áridos do planeta, com planos de expansão para o Brasil, os Estados Unidos e o Paraguai.

O Brasil entrou no portfólio em junho de 2025, quando a Catalyst liderou a rodada Série A — de valores não revelados — da Symbiomics, primeira startup de origem nacional a receber investimento da plataforma.

Criada pelos biólogos Rafael de Souza e Jader Amanhi, a agtech usa inteligência artificial para produzir microrganismos a partir da biodiversidade brasileira, com uma plataforma que reúne 15 mil microrganismos selecionados com machine learning. Na rodada pré-seed, em 2023, a companhia havia captado cerca de R$ 15 milhões.

"Somos globais e buscamos encontrar inovações onde ela está acontecendo. E há muito dessa inovação vindo do Brasil e da América Latina", afirmou Tom Greene, diretor sênior da Corteva e líder global da Catalyst, ao AgFeed na ocasião.

O objetivo da Symbiomics, segundo o CEO Rafael de Souza, é "criar biológicos disruptivos e de nova geração com o que há de mais atual nas novas tecnologias, como edição genômica, machine learning e inteligência artificial".

A startup já havia fechado contrato com a Stoller, empresa de biológicos controlada pela Corteva, para comercializar um produto em nível global.

A Symbiomics, entretanto, não fará parte do portfólio da Edge. O segmento de biológicos continuará no âmbito da Corteva Catalyst, que será mantida pela nova Corteva que surge após a cisão.

Inovação como motor de receita no milho

A criação da Edge é parte de uma estratégia mais ampla da Vylor, que enxerga a inovação como alavanca direta de resultados. Um exemplo está em um plano divulgado na terça-feira, 1 de setembro, pela companhia, em que ela projetou US$ 2 bilhões em receita até 2035 com seu portfólio para milho, baseado no lançamento de sete novas plataformas tecnológicas proprietárias.

As tecnologias devem alcançar cerca de 90% do negócio de milho da empresa e fazem parte da estratégia de ampliar a participação de plataformas proprietárias e as oportunidades de licenciamento para terceiros.

A primeira etapa está prevista para 2028, na América Latina, com novos lançamentos em diferentes mercados, incluindo a América do Norte, ao longo da próxima década.

"Estamos construindo plataformas tecnológicas proprietárias de longo prazo, com posição mais favorável em relação a royalties, que darão à Vylor mais liberdade para inovar, expandindo nosso negócio de licenciamento e posicionando a empresa para uma liderança sustentada", disse a companhia em comunicado.

A estratégia para o milho se apoia em três frentes: desenvolvimento de tecnologias voltadas às necessidades dos agricultores, uso de germoplasma de elite em suas marcas e em acordos de licenciamento, e expansão de plataformas proprietárias de biotecnologia e edição gênica.

A conexão entre as duas frentes é direta: as verticais da Vylor Edge — edição gênica, engenharia de proteínas e IA — são exatamente as tecnologias que sustentam as plataformas de milho previstas para os próximos anos.

"Estamos animados em colaborar com empreendedores que possam se beneficiar da profunda experiência de nossa equipe dedicada, bem como das capacidades líderes de P&D da Vylor, de seu alcance global e de sua infraestrutura de comercialização", disse Mat Muller, head da Vylor Edge.

Resumo

  • Vylor Edge nasce com foco em investimentos em agtechs, biológicos, edição gênica, engenharia de proteínas e inteligência artificial
  • Plataforma assume parte do portfólio da Catalyst, mas a brasileira Symbiomics, especializada em biológicos, permanece no âmbito da Corteva
  • Estratégia de inovação também mira novas tecnologias para milho, com potencial de gerar US$ 2 bilhões em receita até 2035