O grupo paulista Simpar, um dos maiores conglomerados de operações logísticas do País, anunciou nesta quinta-feira, 23 de julho, ter assinado um contrato vinculante para a venda de 100% da CS Porto Aratu — controladora dos terminais ATU-12 e ATU-18, no Porto de Aratu (BA) — para a ICTSI Americas B.V., braço da operadora portuária filipina International Container Terminal Services (ICTSI).

A transação é estimada em R$ 1,8 bilhão e envolve a alienação integral da HSIM Participações e Holding, controlada pela Simpar, com 63,27% de participação, e sua subsidiária CS Brasil Holding e Locação, que detém o restante do capital. A HSIM é a detentora das duas arrendatárias portuárias que operam sob a marca CS Porto Aratu.

Pelo acordo, a ICTSI pagará ao grupo paulista R$ 750 milhões em duas parcelas: R$ 650 milhões no fechamento da operação e até R$ 100 milhões adicionais na forma de earn-out, a serem pagos em até 18 meses após a conclusão. O valor total do negócio inclui ainda uma dívida líquida de aproximadamente R$ 1,0 bilhão, registrada no primeiro trimestre de 2026.

A conclusão da transação está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e à autorização das autoridades regulatórias do setor portuário.

Localizado em Candeias (BA), o Porto de Aratu é um dos importante hub logístico para o escoamento de granéis sólidos, como fertilizantes e grãos, com posição estratégica que conecta diretamente a região do Matopiba aos mercados internacionais. Essa conexão é feita através da Ferrovia Centro-Atlântica, operada pela VLI.

A CS Porto Aratu opera dois terminais. O ATU-12, voltado à importação de fertilizantes e movimentação de granéis minerais, tem capacidade para até 6 milhões de toneladas por ano, com dois berços de atracação, calado de 15 metros e produtividade de até 2.000 toneladas/hora.

Já o ATU-18 é focado em grãos como soja e milho e entrou em operação plena em fevereiro de 2026, após um investimento que quebrou um jejum de 51 anos sem embarques de granéis vegetais em Aratu. O terminal tem capacidade nominal de 3,5 milhões de toneladas de grãos por ano, com 4 silos de 30 mil toneladas cada, recepção de 20 mil toneladas/dia e embarque de 30 mil toneladas/dia, segundo informações do site da companhia.

A Simpar informou que investiu aproximadamente R$ 900 milhões na modernização dos terminais, recursos que ampliaram em cinco vezes a capacidade operacional — para até 9,5 milhões de toneladas anuais — e transformaram o ativo em uma plataforma voltada ao escoamento agrícola do corredor do Matopiba.

Segundo a Simpar, os aportes de capital próprio na CS Porto Aratu totalizaram R$ 128 milhões. O valor implica um múltiplo sobre o capital investido (MOIC) de 5,8 vezes em aproximadamente 3,6 anos — números que a companhia utiliza para demonstrar sua tese de investir, desenvolver e monetizar ativos de infraestrutura.

A CS Porto Aratu integrava a CS Infra, holding de infraestrutura do Grupo Simpar, que reúne ainda rodovias (CS Rodovias), mobilidade (CS Mobilidade) e saneamento (CS Saneamento, com a Ciclus).

Quem é a compradora

A compradora ICTSI Americas, por sua vez, é uma subsidiária da International Container Terminal Services (ICTSI), gigante do setor portuário com sede em Manila, nas Filipinas. Fundada em 1987, a ICTSI se apresenta como a maior operadora portuária independente do mundo, com 34 terminais em 19 países, presença nos seis continentes e mais de 11 mil funcionários.

A empresa é listada na Bolsa de Valores das Filipinas e tem um histórico de adquirir terminais e agregar valor por meio de ganhos de eficiência operacional.

No Brasil, a ICTSI já opera o Terminal de Contêineres 1 no Porto do Rio de Janeiro (Rio Brasil Terminal) e o Tecon Suape, em Pernambuco. A aquisição da CS Porto Aratu, segundo o fato relevante, representa a entrada do grupo no segmento de granéis sólidos no Nordeste brasileiro.