Mesmo com as adversidades do mercado de insumos agrícolas, Jai Shroff, CEO global da indiana UPL, é só sorrisos. E não é para menos.

Isso porque no fechamento dos números de 2025 – o ano fiscal da companhia inicia em abril de um ano e se encerra em março do ano seguinte – a UPL registrou crescimento de dois dígitos em suas principais métricas, além de forte redução de endividamento. Os resultados, divulgados nesta semana, superaram as projeções da própria companhia.

“Temos enorme orgulho em reportar um ano recorde de desempenho de alta qualidade, superando com sucesso nossas projeções em todos os indicadores. Apesar dos desafios macroeconômicos sem precedentes enfrentados pelo setor agrícola global, nossa liderança resiliente de mercado provou ser nossa maior força. O aumento da demanda global por alimentos torna sementes, proteção de cultivos e biossoluções elementos essenciais”, afirmou Jai Shroff em comunicado com os resultados.

Ao longo de 2025, a receita global do grupo UPL avançou 11% em relação ao ano anterior, somando 518,3 bilhões de rúpias indianas, equivalente a R$ 34,7 bilhões.

No ano fiscal anterior, a companhia havia registrado receita de 466,4 bilhões de rúpias indianas (cerca de R$ 31,2 bilhões).

O crescimento foi disseminado entre as diferentes regiões onde a companhia atua ao redor do mundo.

A maior alta veio da América do Norte, onde a receita avançou 18% no acumulado do ano fiscal, passando de 60,6 bilhões de rúpias indianas (cerca de R$ 3,2 bilhões) em 2024/25 para 71,8 bilhões de rúpias indianas (aproximadamente R$ 3,8 bilhões) em 2025/26.

A Europa também registrou forte expansão, com crescimento de 14%, saindo de 71,9 bilhões de rúpias indianas (R$ 3,8 bilhões) para 81,6 bilhões de rúpias indianas (R$ 4,3 bilhões).

Já a América Latina, principal mercado da companhia, avançou 10% e atingiu receita de 193,5 bilhões de rúpias indianas, o equivalente a cerca de R$ 10 bilhões, ante 176 bilhões de rúpias indianas (R$ 9,3 bilhões) no exercício anterior. A empresa não abre os resultados da operação brasileira, que é a principal da companhia no continente latinoamericano.

Na Índia, o crescimento anual foi mais moderado, de 7%, com a receita passando de 59,5 bilhões de rúpias indianas (cerca de R$ 3 bilhões) para 63,4 bilhões de rúpias indianas (R$ 3,3 bilhões).

Já a operação classificada como “restante do mundo” teve alta de 10%, chegando a 107,9 bilhões de rúpias indianas (aproximadamente R$ 5,7 bilhões).

O Ebitda (sigla para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia ficou em 95,8 bilhões de rúpias (cerca de R$ 5 bilhões), 18% a mais que em 2024. A margem Ebitda ficou em de 18,5%, 1,1% superior à do ano anterior.

Houve também redução do endividamento da companhia. A dívida bruta recuou cerca de 27%, somando US$ 2,3 bilhões no fechamento de 2025/26, ante US$ 3,1 bilhões ao fim do ano fiscal anterior.

A dívida líquida também caiu cerca de 20%, encerrando o período em US$ 1,6 bilhão, frente aos US$ 2 bilhões registrados anteriormente.

Com isso, a alavancagem financeira da companhia recuou de 2,1 vezes o Ebitda em 2024/25 para 1,6 vez ao fim de 2025/26.

A UPL Corp, principal operação do grupo, também registrou crescimento ao longo de 2025. A receita avançou 11%, alcançando 382,7 bilhões de rúpias indianas, cerca de R$ 20,3 bilhões no câmbio do dia.

O Ebtida acompanhou o desempenho operacional e subiu 20%, totalizando 60 bilhões de rúpias indianas, aproximadamente R$ 3,1 bilhões, com margem de 15,7%.

De acordo com a UPL, a receita foi impulsionada pelo volume, com apoio de um câmbio favorável e crescimento em diferentes regiões geográficas.

A expansão da margem de contribuição impulsionada pela redução dos custos de insumos, em função da maior utilização da capacidade produtiva, favorecendo o crescimento do Ebtida.

“Nosso negócio internacional de proteção de cultivos apresentou forte crescimento em regiões e segmentos estratégicos no ano fiscal. Impulsionados por uma excelência operacional excepcional, entrega superior de valor em produtos e uma forte cultura interna, encerramos o ano com um quarto trimestre extremamente sólido sobre uma base já elevada do ano anterior, ao mesmo tempo em que navegamos com sucesso pelos impactos da crise contínua no Oriente Médio", avaliou Mike Frank, CEO da UPL Corp, em nota.

Dados do trimestre

A companhia também apresentou, junto com o balanço do ano, os dados do quarto trimestre do ano fiscal, que vai de janeiro a março de 2026. O número é relevante porque já contém parte dos efeitos da guerra do Oriente Médio.

A julgar pelos dados apresentados, o conflito não tem trazido impactos negativos para a UPL até o momento.

A receita do grupo subiu 18% nos três primeiros meses do ano fiscal, somando 183,3 bilhões de rúpias (R$ 9,7 bilhões).

O Ebitda acompanhou o movimento e cresceu 13%, alcançando 36,4 bilhões de rúpias, aproximadamente R$ 1,9 bilhão. A margem Ebitda ficou em 19,9%, recuo de 0,9 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano fiscal anterior.

No período, houve crescimento em quase todas as regiões onde a empresa atua.

A América do Norte registrou a maior expansão percentual, com alta de 23%, passando de 27 bilhões de rúpias (cerca de R$ 1,4 bilhão) entre janeiro e março de 2025 para 33,2 bilhões de rúpias (R$ 1,7 bilhões) no mesmo intervalo de 2026.

A América Latina, principal mercado da companhia, avançou 21% no trimestre, com receita de 61,2 bilhões de rúpias, aproximadamente R$ 3,2 bilhões, ante 50,8 bilhões de rúpias (R$ 2,7 bilhões) um ano antes.

Na Europa, o crescimento foi de 19%, saindo de 31,1 bilhões de rúpias (R$ 1,6 bilhão) para 37 bilhões de rúpias (R$ 2,5 bilhões).

A operação classificada como “restante do mundo” também apresentou alta de 19%, alcançando 39 bilhões de rúpias no trimestre, o equivalente a cerca de R$ 2 bilhões.

A Índia foi a única região a apresentar retração no período, com queda de 9% na receita trimestral, passando de 14 bilhões de rúpias para 12,7 bilhões de rúpias (cerca de R$ 670 milhões).

Na UPL Corporation, também houve alta na receita, que subiu 20% em relação ao mesmo período do ano fiscal anterior, somando 145,3 bilhões de rúpias (R$ 7,7 bilhões).

O Ebitda da divisão ficou em 26,1 bilhões de rúpias, alta de 13% na comparação anual, equivalente a cerca de R$ 1,7 bilhão.

“Olhando para frente, nosso foco estratégico é claro: acelerar o crescimento  lucrativo. Com uma organização preparada para o futuro e linhas de negócios sustentáveis ampliadas, estamos bem posicionados para capturar oportunidades de mercado e gerar valor de longo prazo”, definiu Jai Shroff em relação ao futuro.

O começo do ano de 2026 tem sido movimentado na UPL tanto na operação global quanto na nacional.

Primeiro, o Conselho de Administração da UPL aprovou, em fevereiro, uma reorganização de ativos da companhia. A ideia do grupo é fundir suas operações de proteção de cultivos, até então divididas em duas companhias, uma dentro e outra fora da Índia.

Com isso, seria criada o que, na visão do grupo, seria a segunda maior plataforma listada do mundo dedicada exclusivamente à proteção de cultivos.

Os dois negócios, que haviam sido apartados em 2019, quando a UPL comprou a Arysta por US$ 4,2 bilhões, serão reunidos em uma nova entidade, a UPL Global Sustainable Agri Solutions Limited (UPL Global), que será listada na bolsa de valores da Índia após a conclusão da transação.

Será um processo complexo, que envolverá uma série de fusões e cisões em empresas controladas pelo grupo, até sua formatação final, que deve acontecer entre 12 e 15 meses.

Essa formatação prevê também que uma segunda companhia, a UPL Limited, funcionará autonomamente, como uma empresa diversificada de produtos químicos agrícolas e especiais.

No Brasil, a UPL também tem feito alguns movimentos. Recentemente, a companhia trocou de CEO no Brasil, com Cristiano Figueiredo assumindo o posto no lugar de Rogério Castro, que passou a ser consultor da companhia.

Em paralelo, a companhia indiana se tornou acionista majoritária da rede de revendas Sinova, ao aportar US$ 86,7 milhões (cerca de R$ 450 milhões) e ficar com 55,81% do capital da empresa, que também tem a Bunge em seu capital acionário. O aporte mira a redução de dívida e fortalecimento do capital de giro da rede.

Resumo

  • Receita global da UPL cresce 11% em 2025/26 e supera projeções da companhia
  • Companhia de insumos reduziu dívida líquida em 20% e derruba alavancagem
  • América Latina segue como principal mercado da empresa, com avanço de 10% na receita anual