Há cerca de um ano, a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) divulgava o balanço do melhor ano de sua história, com um faturamento que ultrapassou os R$ 10,7 bilhões.

Nesta semana repetiu a dose e renovou, com larga margem, o recorde de seus indicadores. A cooperativa faturou R$ 16,99 bilhões, uma alta de cerca de 60% em um ano.

A cooperativa ainda gerou R$ 470,3 milhões em resultados e distribuiu R$ 185,6 milhões em sobras para os cooperados localizados entre as regiões do Sul de Minas, Cerrado Mineiro, média mogiana do estado de São Paulo e Matas de Minas.

Em coletiva com jornalistas após o encontro com os cooperados, o presidente da cooperativa, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, citou que o principal impulsionador do resultado foi o preço do café, citando que o patamar "ficou na faixa dos R$ 2 mil por saca".

Os números foram divulgados para os cooperados durante a assembleia geral ordinária realizada nesta sexta, 27 de março.

Em 2025, a Cooxupé recebeu 6,07 milhões de sacas de café verde tipo arábica, sendo 4,8 milhões entregues por seus cooperados. De acordo com a cooperativa, os números mostram que a Cooxupé representa 17% da produção de arábica do Brasil e 24% de todo o café produzido em Minas Gerais.

O volume do ano passado é levemente menor do que o de 2024, quando a cooperativa recebeu 6,6 milhões de sacas, e bem distante do recorde obtido entre 2019 e 2020, quando o recebimento ultrapassou 8 milhões de sacas.

Do total de 2025, 4,8 milhões foram para exportação e 1,2 milhão para o mercado interno, como a diretoria da cooperativa já havia adiantado há alguns dias durante a Femagri, feira organizada pela Cooxupé.

O presidente da cooperativa projetou um 2026 com recebimento maior, de 6,8 milhões de sacas, reflexo de uma safra melhor no campo.

"A tendência é de termos uma safra maior. Chegando perto da entrada da colheita, que está um pouco atrasada, a projeção dos técnicos no campo é de números melhores, mesmo com todos os desafios geopolíticos", disse o presidente da Cooxupé.

Melo citou que a cooperativa começou a sentir impactos do conflito no Oriente Médio nos últimos dias, que motivaram a Cooxupé a, inclusive, botar o pé no freio em alguns investimentos.

"Não só logística pelos impactos no canal, mas em preços de fertilizantes, que impactam diretamente o bolso do produtor. Assim como o diesel. Tínhamos planos de estar presentes fisicamente com uma unidade de armazenamento da café na Arábia Saudita e estamos abortando - por enquanto - planos como esse", destacou.

Em 2025, do total recebido, a remessa foi de 6 milhões de sacas, sendo 4,8 milhões foram para exportação e 1,2 milhão para o mercado interno.

Neste ano, a projeção é uma remessa de 5,8 milhões de sacas, com a cooperativa projetando um recuo nas exportações, chegando a 4,4 milhões de sacas. O restante - 1,4 milhão de sacas - vai para o mercado interno e torrfeação própria.

A Cooxupé ainda sofre um "efeito retardado" do tarifaço: a dificuldade de voltar a um mercado que se estocou com cafés de outras origens e agora abre pouco espaço ao café brasileiro.

O vice-presidente da Cooxupé, Osvaldo Bachião Filho, relembrou que os embarques de café brasileiro têm caído nos últimos meses e que a cooperativa tem estreitado sua relação com os clientes de longa data nesse período.

Para além das dificuldades do mercado externo, Melo citou que a Cooxupé "nunca teve tão pouco estoque de café dos cooperados", em razão de anos subsequentes de safras difíceis, principalmente no clima.

No segmento de cafés especiais, a SMC Specialty Coffees, empresa controlada pela Cooxupé, embarcou 192,7 mil sacas em 2025, sendo 167,9 mil para o mercado externo e 24,8 mil para o mercado interno. Foram 24 países atendidos, incluindo Estados Unidos, Suíça, Japão, Reino Unido, Coreia do Sul e Alemanha.

2025 ainda marcou o ano em que a quase centenária Cooxupé iniciou uma operação nos mercados de soja e milho, onde já atuava com a venda de insumos, um movimento antecipado pelo AgFeed em março se 2024.

Em janeiro do ano passado, a empresa firmou uma sociedade com a empresa Agrobom e citou um potencial grande para a produção de cereais por parte dos seus cooperados.

Carlos Augusto Rodrigues de Melo disse que a operação ainda é incipiente pelo momento do preço dos grãos no mercado externos. "Não queremos ser afoitos em ir a esse mercado nesse momento complicado, mas já tivemos um crescimento significativo nessa área, superando as expectativas que tinhamos colocado", afirmou o presidente.

"Entendemos que ela vai deslanchar. Há vontade do produtor, potencial de mercado e desejo por parte do conselho de administração da Cooxupé. Mas tudo no seu devido lugar e tempo para que não haja insucesso", acrescentou.

Resumo

  • Faturamento da Cooxupé saltou 60% em um ano para R$ 16,99 bilhões. Resultado atinge R$ 470,3 milhões, com distribuição de R$ 185,6 milhões aos cooperados
  • Recebimento de café cai para 6,07 milhões de sacas, mas preços elevados compensam; cooperativa projeta recuperação para 6,8 milhões em 2026
  • Exportações seguem pressionadas, com efeito do tarifaço e perda de espaço nos EUA, enquanto conflito no Oriente Médio já afeta custos e planos de expansão