Até 2024 a operação da Bauer no Brasil seguiu crescendo, enquanto o mercado de equipamentos de irrigação registrava números negativos.
A condição diferenciada, porém, não resistiu aos tempos de crédito ainda mais restritos vividos em 2025. A empresa deu lucro no mercado brasileiro, mas a receita ficou em R$ 600 milhões, mesmo patamar do anterior, abaixo do que esperavam os acionistas.
O resultado desta mudança de cenário foi uma reestruturação. A principal delas foi a saída de um dos co-CEOs da companhia, Rodrigo Parada, que também acumulava o cargo de líder global de marketing da Bauer.
Em comunicado enviado pela empresa às revendas, clientes e demais parceiros, no final de fevereiro, a Bauer informou que, além de Parada, “encerraram o ciclo na companhia” Jean Palomo, que era gerente de desenvolvimento de mercado e Nathalia Godinho, gerente de vendas.
O AgFeed conversou com os dois principais executivos da empresa a partir de agora: Luiz Alberto Roque, que passa a ser o único CEO da Bauer no Brasil (antes era co-CEO) e Helton Franco, que já era diretor de vendas, mas agora passa a liderar também o marketing para a América Latina.
“Foi uma mudança muito mais de reestruturação, para a gente melhorar realmente a agilidade, a tomada de decisão, ficar mais competitivo. A principal diferença realmente é uma Bauer mais rápida e mais enxuta”, afirmou Roque.
O CEO afirma que os últimos dois anos foram desafiadores, principalmente pelos preços mais baixos da soja e pela alta dos juros.
“São dois itens que são, de certa forma, inibidores de mercado, pelo menos. Não inibidores da irrigação, mas, de fato, diminuem a margem dos produtores, que às vezes acabam postergando investimentos”, ressaltou.
Ele diz que havia também uma demanda por parte das revendas por mais autonomia e agilidade, algo que agora passa a acontecer, incluindo preços mais competitivos.
A reestruturação ocorreu somente no Brasil, segundo Roque. Globalmente, os negócios da Bauer foram impulsionados por vendas fortes no Oriente Médio, em 2025, por isso teria sido um ano de receita recorde. Os números globais não são divulgados pela empresa.
Retomada em 2026
A expectativa dos dois executivos para 2026 é de retomada no crescimento das vendas no Brasil. Um dos pontos a favor seria um leque maior de ferramentas de crédito já desde o início do ano, período que costuma ser mais forte em vendas para a empresa.
A Bauer lançou um CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) de R$ 100 milhões em 2025 e poderá aumentar a oferta de crédito por meio desta modalidade.
Além disso, Luiz Roque espera aumento de vendas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, depois que foi consolidada uma parceria com o grupo de revendas de máquinas agrícolas Maqcampo.
“É uma grande revenda que está nos abrindo um mercado que antes a gente não tinha, como Tocantins, Maranhão, são novas áreas de abertura, com potenciais de irrigação muito grande”, disse.
Outro pilar importante para a empresa é o Oeste da Bahia. “São produtores capitalizados, o que é raro hoje em dia”.
Com mais ferramentas de crédito e expansão geográfica, o CEO da Bauer prevê que a receita possa crescer 15% em 2026, na comparação com o ano passado.
Helton Franco, diretor de vendas e marketing, também diz perceber que o número de negócios no Rio Grande do Sul cresceu em relação ao ano passado. Após tantas intempéries climáticas por lá, acredita que o produtor gaúcho pode voltar a investir em irrigação.
Foco na Irricontrol
Um dos pontos positivos para a Bauer em 2025 foi o melhor desempenho da Irricontrol, empresa do grupo que funciona na mesma sede da fábrica, em São João da Boa Vista (SP).
É uma plataforma para digitalizar os processos e a gestão dos pivôs, principalmente. A receita da Irricontrol chegou a R$ 70,4 milhões em 2025, bem acima dos R$ 46 milhões do ano anterior.
O carro-chefe é o que os executivos chamam de “modernização”, quando a plataforma é instalada em sistemas de irrigação que já estão no campo, de qualquer marca.
“A gente cresceu muito sobre a base de modernização dos pivôs. E a Irricontrol tem um braço forte também de exportação. Ela é a empresa de tecnologia do grupo, que não só desenvolve, mas produz grande parte dos equipamentos de tecnologia que a matriz distribui”, explicou Roque.
A estimativa é de que quase 50% da produção da Irricontrol tenha sido destinada à matriz da Bauer, na Áustria. De lá, a tecnologia é distribuída para mercados como Austrália, Nova Zelândia, Oriente Médio, o Leste Europeu e Ásia.
Apesar do futuro promissor, em 2026 o crescimento de receita esperado para a Irricontrol é mais modesto, de no máximo 10%.
O motivo é a demanda que agora fica mais localizada em países que exigem certificações específicas.
Segundo Helton Franco, o mercado americano, principalmente, estabelece uma série de regulamentações que precisam ser seguidas, o que a empresa está buscando neste momento.
Se considerados apenas os negócios no mercado brasileiro, em função da “modernização”, a previsão é crescer 30% em receita.
Com as tarifas de Donald Trump, os planos de expansão nos EUA, para a Bauer, como um todo, estão avançando de forma mais lenta. A previsão é seguir atendendo as demandas da região com a produção do Brasil e da Áustria.
Resumo
- Após o desligamento de três executivos, Luiz Alberto Roque passa a ser o único CEO da Bauer no Brasil
- Fabricante austríaca de irrigação faturou R$ 600 milhões em 2025 no mercado brasileiro, sem crescimento em relação ao ano anterior
- Para 2026, a Bauer projeta receita 15% maior impulsionada por novas ferramentas de crédito e expansão geográfica