Mesmo diante de uma indefinição jurídica sobre a continuidade de seu processo de recuperação extrajudicial (RE), a Belagrícola mantém a estratégia de utilizar o recurso como forma de reestruturar suas dívidas, que somam mais de R$ 2,2 bilhões.
Conforme o AgFeed já havia antecipado, a companhia de distribuição de insumos antecipou-se aos prazos legais e protocolou na noite da sexta-feira, 6 de março, a lista das adesões ao seu plano de RE, anunciado em dezembro passado.
Pela lei, a empresa tinha até 10 de março para informar à justiça quantos e quem são os credores que concordaram com as condições propostas no plano.
Segundo o documento protocolado na Justiça do Paraná, o plano obtever a adesão de 1.428 credores, dos quais 1.400 são produtores rurais.
Com isso, a Belagrícola conseguiu somar a aprovação dos detentores de mais de 50% dos créditos sujeitos à RE, exigência legal para o prosseguimento do processo.
Segundo a companhia, “o plano recebeu apoio expressivo dos principais fornecedores de insumos e parceiros estratégicos, com destaque para centenas de produtores rurais — em especial pequenos e médios agricultores — que reforçam a confiança na capacidade da companhia de honrar seus compromissos”.
O movimento de antecipação dessa etapa do processo, embora já previsto, reforça a estratégia da Belagrícola de avançar com o plano simultaneamente à estruturação de um recurso contra a decisão da justiça paranaense de barrar a proposta de RE do grupo e determinar que ele opte entre a conversão em um processo de recuperação judicial ou a sua divisão em REs individuais para cada uma de suas empresas.
Os advogados da companhia esperam conseguir reverter essa decisão apontando que já há jurisprudência formada em torno do agrupamento das REs das diversas empresas de um conglomerado em um único processo – um dos casos seria o de outra gigante da distribuição de insumos, a Lavoro.
Além disso, o novo CEO da Belagrícola, Eron Martins, também prossegue com a execução de um programa de enxugamento das operações da empresa, para focar no negócio de distribuição e reduzir sua exposição a outras atividades, como o recebimento e comercialização de grãos.
Na semana passada, segundo informou o AgFeed em primeira mão, a empresa arrendou sete estruturas de armazenagem à cooperativa Cocamar.
Dias antes, já havia assinado acordos de prestação de serviços envolvendo outras 19 de suas unidades desse tipo para a Coamo e a Lar Cooperativa.
O objetivo, segundo apurou o AgFeed, é vender esses ativos em alguns meses, trazendo caixa para sustentar a execução do plano de RE.
“Essa parte de grãos, por exigência de capital de giro, por exigência de manutenção, o silo de grão é quase uma indústria. Então, a gente vai ter que abrir mão disso”, admitiu Martins em entrevista exclusiva ao AgFeed no final de fevereiro.
Resumo
- Belagrícola proptocolou na justiça documento com adesão de 1.428 credores, sendo 1.400 produtores rurais, ao seu plano de recuperação extrajudicial
- Empresa recorre para manter a RE unificada após decisão da Justiça do Paraná
- Movimento faz parte da estratégia de preservar plano de RE, que prevê venda de ativos e foco no negócio de distribuição de insumos