Depois de anos de bastante oscilação, seja em vendas, seja nas diretrizes de sua administração, a Bayer espera que 2026 seja mais estável e espera encerrar de vez os litígios judiciais que vêm drenando os recursos da companhia alemã nos últimos anos.

A empresa projeta que suas vendas fiquem estáveis ou cheguem a crescer até 3% no ano, girando entre 45 bilhões de euros e 47 milhões de euros. Na divisão agrícola, a perspectiva de crescimento, em termos percentuais, é a mesma. A Bayer estima ainda que o Ebitda "antes de itens especiais", que são os litígios, por exemplo, deverá ficar entre 9,6 bilhões de euros e 10,1 bilhões de euros.

Em teleconferência, o CEO da companhia, Bill Anderson, deu indícios que o foco da Bayer em 2026 estará centrado em intensificar o controle de despesas. “Em um ano em que estamos sofrendo o impacto mais forte dos litígios, estamos exercendo uma disciplina rigorosa na gestão de nossos recursos”, disse Anderson, segundo informações da Bloomberg.

A preocupação de Anderson está associada ao fato de que, em fevereiro, a Bayer anunciou uma proposta de acordo coletivo de até US$ 7,25 bilhões para processos atuais e futuros envolvendo o herbicida RoundUp, que tem glifosato em sua composição. As disputas judiciais vêm consumindo parte do caixa da companhia nos últimos anos.

A Bayer aumentou as provisões para litígios para 11,8 bilhões de euros neste ano e afirmou que os pagamentos do acordo resultarão em um fluxo de caixa livre negativo este ano, girando entre 1,5 bilhão de euros e 2,5 bilhões de euros negativos.

Ao fim de 2025, por exemplo, as provisões e passivos da Bayer relativos ao litígio do glifosato totalizavam US$ 11,3 bilhões (9,6 bilhões de euros).

De acordo com a Bloomberg, Anderson acrescentou ainda que segue “totalmente focado” em gerar cerca de 2 bilhões de euros em economias até o final de 2026, parte do programa de reorganização operacional da companhia, o Dynamic Shared Ownership (DSO), implementado desde o começo de 2024.

Vendas em queda

No ano passado, as vendas da Bayer como um todo caíram 2,2% em 2025 na comparação com 2024, chegando a 46,6 bilhões de euros, ante 45,5 bilhões de euros.

Na mesma toada, as vendas da divisão agrícola da companhia recuaram 2,9% no período, passando de 22,2 bilhões de euros em 2024 para 21,6 bilhões de euros no fechamento de 2025. O Ebitda antes de itens especiais da área diminuiu 3,2%, somando 4,1 bilhões de euros, e incluiu um efeito cambial negativo de 208 milhões de euros.

As vendas da companhia recuaram em todas as regiões onde a Bayer atua. A maior queda se deu na região Ásia-Pacífico, onde houve recuo de 5,2% nas vendas na comparação interanual, chegando a 2,1 bilhões de euros.

Na América do Norte, houve retração de 4,1% nas vendas na comparação interanual, chegando a 8,8 bilhões de euros. Na América Latina, as vendas somaram 6,1 bilhões de euros, queda de 1,8%.

Na região que abrange Europa, Oriente Médio e África, houve queda de 0,6% nas vendas na comparação anual, que atingiram 4,4 bilhões de euros.

Por segmento, no acumulado do ano, destacaram-se as sementes de milho e de hortaliças, com altas de 9% e 2,1% nas vendas, respectivamente.

Segundo a Bayer, o desempenho em milho contou com a contribuição de todas as regiões onde a companhia atua, além da expansão de área plantada e da resolução de um acordo de licenciamento com a Corteva na América do Norte. No segmento de hortaliças, o avanço foi impulsionado por preços e volumes mais elevados em praticamente todas as regiões.

Em contrapartida, as vendas do negócio de algodão recuaram 24,4% no acumulado do ano. A Bayer atribuiu o resultado, sobretudo, ao fraco desempenho nos Estados Unidos, impactado pela descontinuação do registro do dicamba e pela redução da área plantada.

As vendas de sementes e tratamento de soja também tiveram desempenho negativo em 2025, com queda de 10,5%. De acordo com a companhia, o recuo está igualmente relacionado ao fim do registro do dicamba e à menor área destinada à cultura nos Estados Unidos. Por outro lado, a empresa destaca o crescimento robusto na América Latina, sustentado pela forte adoção da tecnologia Intacta 2 Xtend.

No portfólio de defensivos, houve retração de 16,5% nas vendas de inseticidas, em razão do vencimento do registro do produto Movento na Europa, e queda de 8,5% em fungicidas, pressionados por menores vendas na América do Norte e na Ásia/Pacífico, apesar do aumento de volumes na região Europa/Oriente Médio/África.

Já em herbicidas, a retração acumulada foi de 3,9%. Nos produtos à base de glifosato, a queda foi mais acentuada, de 4,5%. Segundo a companhia, o forte desempenho dos produtos sem glifosato na América Latina e na Europa/Oriente Médio/África ajudou a compensar os preços e volumes mais fracos registrados na América do Norte.

Já nos produtos com glifosato, o aumento dos preços de mercado e maiores volumes na América do Norte foram compensados em grande parte ​​pelos volumes e preços mais baixos na América Latina, diz a Bayer.

Os investidores da Bolsa de Frankfurt não ficaram animados com o resultado. As ações da companhia chegaram a recuar 4% e, às 10h50 (horário de Brasília) ainda apresentavam queda, ainda que mais contida, de 1,10%, cotadas a 37,43 euros cada. No ano, todavia, a Bayer acumula alta de 58,27%.

Resumo

  • Bayer projeta estabilidade ou crescimento de no máximo 3% nas vendas globais em 2026
  • Companhia de defensivos e sementes aumentou para 11,8 bilhões de euros as provisões para lidar com disputas judiciais que envolvem o herbicida glifosato
  • As vendas da divisão agrícola da Bayer recuaram 2,9% em 2025, com desempenho mais fraco em todas as regiões