Mais share no plantio e mais áreas de cana-de-açúcar com variedades mais recentes. Essa foi a receita do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) para mais um trimestre de alta nos seus resultados.

No terceiro trimestre da safra 25/26 (correspondente ao período de outubro a dezembro de 2025), a companhia teve uma receita líquida de R$ 121,7 milhões (alta de 6,9%), um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) de R$ 61 milhões (avanço de 5,3%) e um lucro líquido de R$ 59,5 milhões (incremento de 19,5%).

Diante disso, a empresa conseguiu, em apenas nove meses da safra, superar o lucro de toda a temporada passada, 24/25, que foi de R$ 175 milhões. Só de abril a dezembro, o mesmo indicador já soma R$ 176 milhões nesta temporada.

A receita líquida no acumulado do ano-safra 25/26 até agora soma R$ 349 milhões, 13% acima do mesmo intervalo de nove meses na outra safra.

Paulo Polezi, diretor financeiro e de RI da empresa, destacou ao AgFeed que o avanço nos indicadores está intimamente ligado ao modelo de negócio da companhia de pesquisa. O CTC arrecada com os royalties de uso de cada variedade, recebendo um terço do ganho total que um cliente possui.

"Avançamos no market share em relação à safra passada, o que ajuda a explicar o salto da receita em 13% no acumulado do ano, mas existe um segundo fator tão importante quanto: o avanço de novas variedades. 80% do plantio foi feito com tecnologias mais recentes", disse.

"O avanço de área dá a consistência, mas as novas variedades ajudam a melhorar o mix de preço. Você ganha market share mas não substitui um pra um, e sim para algo maior, pois é uma variedade produtiva. Mais rentabilidade para o cliente e também para o CTC, um ganha-ganha", prosseguiu.

O share de plantio aumentou em 5 pontos percentuais na safra até agora, passando de 26% para 31% da área plantada com cana-de-açúcar no País. Essa movimentação tem feito a empresa deixar de ser vista apenas como uma companhia de P&D, na visão de Polezi, e se tornando um "case de growth".

O avanço do faturamento e do lucro acompanha ainda um avanço nos investimentos feitos em pesquisa e desenvolvimento. No terceiro trimestre, foram desembolsados R$ 69 milhões, uma alta de 1,7% em um ano. No acumulado da safra até agora já são R$ 188,4 milhões para P&D, alta de 19,7% frente ao mesmo intervalo na safra 24/25.

A ideia é cada vez mais colocar variedades mais rentáveis nos canaviais. Polezi cita que o CTC já possui quatro novas variedades prontas, que serão lançadas na safra 2026/27.

"Só lançamos uma nova variedade quando conseguimos comprovar uma produtividade 10% ou mais acima. Para a safra atual havíamos lançado quatro variedades, e agora outras quatro, sendo duas para o Centro-Sul e duas para o Nordeste, região importante que fazia muitos anos que não lançávamos novidades", disse.

Segundo ele, os lançamentos para a região Nordeste são originados de cruzamentos entre plantas de ciclo tardio e outras de ciclo precoce. A ideia é ganhar market share numa região que a área plantada com variedades do CTC ainda é pequeno, explicou o diretor financeiro.

Outra parte do desembolso em pesquisa vem de um dos projetos mais ousados do CTC: as sementes sintéticas de cana.

Há um ano atrás a empresa anunciou um investimento de R$ 100 milhões em uma primeira planta demonstrativa dessa semente. Hoje, a unidade está "praticamente pronta", e cumprindo o cronograma previsto, segundo Polezi, e deve entrar em operação já nos próximos meses.

A unidade permitirá ao CTC os primeiros testes com a tecnologia, que se darão em 20 hectares. "A planta pronta é muito importante para obtermos novas informações e aprovar esse modelo de negócio o mais rápido possível. São 20 hectares que passarão a ser 100 hectares no futuro", disse.

A tecnologia, diferente do broto, que é um "pedaço" de um pé de cana e que dá a tona ao plantio do cultivo no País, a semente sintética fica dentro de uma cápsula de cerca de 10 centímetros.

A ideia do CTC é conseguir otimizar esse processo e, ao mesmo tempo, encurtar o ciclo do canavial em um ano - dos atuais cinco, na média, para quatro. O desenvolvimento ainda conta com parcerias com as fabricantes de máquina John Deere e Marchesan, que estão desenvolvendo uma plantadora específica para o novo sistema do CТС.

Segundo Polezi, esses protótipos já estão em uma segunda fase, depositando as sementes em um percurso de duas linhas e de forma mais automatizada. "Já projetamos avançar para mais linhas, além de outras novidades alinhadas à nossa mentalidade de P&D", disse o diretor.

Resumo

  • O CTC registrou receita líquida de R$ 121,7 milhões no 3º tri da safra 25/26 (+6,9%) e lucro de R$ 59,5 milhões (+19,5%); no acumulado de nove meses, já superou o lucro de toda a safra passada, com R$ 176 milhões
  • O share de plantio subiu de 26% para 31% no País, com 80% das áreas usando variedades mais recentes. Movimento elevou o mix de preços e ajudou a receita a crescer
  • O share de plantio subiu de 26% para 31% no País, com 80% das áreas usando variedades mais recentes — movimento que elevou o mix de preços e ajudou a receita acumulada a crescer 13%, para R$ 349 milhões.