Após enfrentar anos de dificuldades e retração nas vendas, a indústria brasileira de máquinas e implementos agrícolas voltou a crescer no ano passado, impulsionada principalmente pela recuperação na comercialização de tratores.

O avanço foi sustentado por condições climáticas mais favoráveis no campo, que resultaram em melhor desempenho produtivo, mesmo diante de um cenário ainda marcado por juros elevados e incertezas relacionadas à política comercial dos Estados Unidos.

Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, dia 28 de janeiro.

A receita líquida total aferida pelo setor de máquinas agrícolas cresceu 7,4% em 2025 na comparação com 2024, somando R$ 66,7 bilhões. Considerando apenas a receita líquida interna, a alta foi de 6,7%, chegando a R$ 57,5 bilhões.

Para Maria Cristina Zanella, diretora do departamento de Economia e Estatística da Abimaq, os dados refletem uma recuperação do setor produtivo ao longo do ano passado, após dois anos consecutivos de contração nas vendas das máquinas, com retrações de 21% em 2023 e 19,9% em 2024.

“O ano de 2025 foi de clima bastante favorável, crescimento robusto de safra de grãos, que viabilizou aumento de investimento, mesmo com taxas de juros bastante elevadas, e viabilizou o crescimento das vendas”, avaliou.

Somando vendas de tratores e colheitadeiras, a alta foi de 14,1%, com a venda de 61.064 unidades. No mercado interno, a expansão foi de 15,8%, enquanto que as exportações tiveram decréscimo de 0,7%.

Os resultados foram impulsionados principalmente pelo avanço nas vendas de tratores, que apresentaram alta de 14,8% no acumulado do ano, com a comercialização de 57.318 unidades. O desempenho foi puxado sobretudo pelo mercado interno, onde as vendas cresceram 16,5%. Em contrapartida, nas exportações, houve leve retração de 0,2%.

O número teve contribuição das vendas de tratores menores, que vêm apresentando comportamento superior à comercialização de máquinas de maior porte, disse Leonardo Silva, analista de economia e estatística da Abimaq.

Embora em ritmo mais moderado, as vendas de colheitadeiras também avançaram. O crescimento foi de 3,8%, totalizando 3.746 unidades comercializadas no ano. No mercado interno, houve expansão de 5,2% na comercialização, movimento parcialmente compensado por uma queda de 8,7% nas exportações.

A Abimaq informou ainda que as exportações de equipamentos agrícolas cresceram 12,2% no período, alcançando R$ 1,6 bilhão. As importações também aumentaram, mas de forma mais contida, com alta de 1,4%, somando R$ 1,2 bilhão.

Nas importações, a Abimaq atentou para o avanço da entrada de máquinas agrícolas vindas da China, cuja participação no volume total cresceu de 13% em 2024 para 17,4% para 2025.

“A China vem crescendo. Máquinas agrícolas faz parte do planejamento estratégico do governo chinês, principalmente máquinas de menor porte para agricultura familiar”, disse Zanella.

Em linha com o desempenho positivo do setor, o número de empregos cresceu 6,8% ao longo do ano, chegando a 122,2 mil trabalhadores.

Se ao longo do ano, o comportamento foi positivo, em dezembro, as vendas de tratores e colheitadeiras recuaram 15,6% na comparação com o mesmo mês de 2024, com queda de 17,5% nas vendas internas e alta de 4,9% nas exportações. A receita líquida total acompanhou a tendência de queda e recuou 6,7% no período.

Para o ano de 2026, a expectativa da Abimaq é de alta de 3,4% nas vendas de máquinas agrícolas, mantendo o crescimento visto em 2025, mas em ritmo menos acelerado.

De um lado, segundo Zanella, diretora da associação das indústrias de máquinas, a produção da safra 2025/2026 maior do que a do ano passado deve contribuir para o desempenho, mas de outro, o câmbio deve ter comportamento menos favorável aos resultados. “De qualquer forma, como tivemos dois anos consecutivos de menor taxa de investimento, ficou muita coisa represada”, afirmou.

Resumo

  • A indústria de máquinas e implementos agrícolas voltou a crescer em 2025 após dois anos de forte retração, com alta de 7,4% na receita líquida
  • As vendas de tratores e colheitadeiras somaram 61.064 unidades, avanço de 14,1%, com destaque para os tratores, que cresceram 14,8%
  • Para 2026, a Abimaq projeta crescimento mais moderado, de 3,4%, sustentado pela safra maior, mas condicionado a fatores como câmbio menos favorável