O mercado já trabalha com perspectivas muito mais otimistas para a safra 2025/2026, quando se trata de soja e milho. E os números mais recentes do cenário de colheita no Mato Grosso reforçam que, se o clima ajudar, o período deve ser positivo, inclusive para as empresas que transportam esses grãos.
Essa é a conclusão do Santander, que fez um relatório baseado em levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), que faz um acompanhamento semanal da situação das lavouras no estado, maior produtor de grãos do país.
Os dados divulgados pelo Imea na última sexta-feira, 16 de janeiro, mostram que a colheita de soja está concluída em 6,7% da área plantada estimada no Mato Grosso, um avanço de 4,7 pontos percentuais em uma semana.
No ano passado, em meados de janeiro, a colheita estava concluída em somente 1,4% da área plantada. A média dos cinco anos anteriores é de 2,3%.
Ao mesmo tempo, a plantação de milho da safra inverno está concluída em 2,8% da área estimada no Mato Grosso, um avanço de 2,6 pontos em uma semana.
O índice fica abaixo da média de 5 anos, que é de 3,2% da área, mas representa um importante avanço em relação a 2025, quando nesta altura, não havia ainda plantação nas áreas estimadas para milho de inverno no estado.
Os analistas Lucas Barbosa, Gabriel Tinem e Victor Tani, do Santander, analisaram os dados do ponto de vista de duas das maiores empresas de logística do país. Para eles, o cenário no Mato Grosso é positivo tanto para a Rumo quanto para a Hidrovias do Brasil.
“Destacamos que o processo de plantio da soja está adiantado, em relação ao que se verifica historicamente, o que diminui os riscos para a produção da segunda safra de milho, cujo plantio deve ficar na janela ideal para desenvolvimento das sementes”, diz o relatório do Santander.
Essa dinâmica mais favorável para a combinação das duas safras é positiva para as empresas, porque implicam em maior volume transportado e, consequentemente, mais receitas.
Os resultados das duas empresas em 2025 já melhoraram em relação a 2024, tanto em volume quanto em receitas e lucratividade.
No entanto, as ações se comportam de formas distintas. Enquanto a Rumo, controlada pela holding Cosan, acumula queda de 21% em 12 meses, muito por conta das incertezas que envolvem sua controladora, a ação da Hidrovias do Brasil sobre 47% no mesmo período.
Na semana passada, em coletiva para tratar do início do Rally da Safra de soja de 2026, a consultoria Agroconsult já havia destacado que o cenário para quem produz soja e milho na mesma área é a melhor dos últimos anos.
“Nós percebemos uma diminuição importante nas áreas de replantio de soja, já que o clima tem ajudado desde novembro. Com isso, acreditamos que teremos uma boa safra de milho de inverno também”, disse André Debastiani, sócio-diretor da Agroconsult e coordenador geral do Rally da Safra.
Ele ressalta o aumento da produtividade de milho dos últimos anos, algo que deve continuar nesta safra. “Nos últimos anos, saímos de algo em torno de 105 sacas por hectare para perto de 135 sacas por hectare”.
Um ponto de atenção levantado pelo Santander é o mesmo que vem beneficiando a colheita mais adiantada da soja: as chuvas.
“Notamos que algumas regiões têm sofrido com aumento de chuvas nos últimos dias, que podem impactar na colheita da soja”, dizem os analistas.
Eles afirmam que as condições climáticas devem continuar no radar, tanto para a colheita de soja quanto para o plantio de milho.
Resumo
- Colheita de soja no Mato Grosso atinge 6,7% da área, quase o triplo da média histórica, segundo o Imea
- Avanço reduz riscos para o milho safrinha e melhora perspectivas de volume para empresas de logística
- Santander vê cenário positivo para Rumo e Hidrovias, apesar de diferenças no desempenho das ações