Não é só o setor de carne bovina que terá trabalho já na primeira semana do ano com o anúncio de salvaguardas chinesas. Na virada do ano, o governo mexicano resolveu impor algumas tarifas sob a importação de uma série de produtos agrícolas, incluindo a carne suína.
O poder público local anunciou que o Pacic (Paquete Contra la Inflación y La Carestia), um programa que visa mitigar os efeitos da inflação sobre alimentos básicos, sofrerá algumas alterações em 2026.
Apesar de manter a isenção sobre frango, alguns peixes, aves, frutas e hortaliças, retirou uma série de alimentos do rol de isentos. Além da carne suína, a carne bovina, leite e derivados, arroz em casca, feijão, óleos vegetais, tilápia e embutidos voltarão a ter tarifas para entrada no país.
Uma nota publicada pela ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), citou que o produto passa a ser importado com tarifa em torno de 16%, patamar que a entidade acredita que diminui a competitividade, mas não torna proibitivo o comércio com o mercado mexicano.
"A alíquota que passa a vigorar não inviabiliza a continuidade do fluxo comercial, especialmente diante do histórico de demanda pelo produto", disse a ABPA.
Entre janeiro e novembro de 2025, os embarques brasileiros para o país cresceram mais de 70% em volume, chegando a 74 mil toneladas, informou a entidade. O México é apenas o sétimo país no ranking de maiores clientes da carne suína brasileira, representando apenas 5% do total vendido para fora.
Na frente dele estão as Filipinas, China, Chile, Japão, Hong Kong e Cingapura. Apesar disso, o mercado mexicano vinha crescendo em volume: também de acordo com a ABPA, mas considerando o intervalo entre janeiro e outubro de 2025, houve avanço de 64% nas importações frente o mesmo intervalo em 2024.
A ABPA relembrou, também na nota, que a decisão é aplicada de forma geral, que mesmo assim, ainda existem regras de transição previstas no decreto. "A decisão não representa ruptura nem descontinuidade. O comércio segue ocorrendo dentro de parâmetros conhecidos, com previsibilidade e respeito às regras sanitárias e comerciais", disse a entidade.
Se de um lado o país é pouco dependente dos mexicanos, os vizinhos da América do Norte não podem dizer a mesma coisa. Dados compilados pela ABPA mostram que, no primeiro semestre de 2025, os Estados Unidos exportaram 681 mil toneladas de carne suína ao México, sendo esse o principal destino das indústrias locais americanas.
Já o Canadá vendeu - de janeiro a agosto de 2025 - mais de 140 mil toneladas de carne suína aos mexicanos, sendo esse o segundo principal destino dos canadenses na exportação do produto.
A ABPA projetava um 2026 muito positivo para a carne suína brasileira, avaliando os casos de peste suína africana na Europa - em destaque a Espanha - formando um gap de mercado a ser ocupado pelo País. Na coletiva de final de ano da entidade, realizada em meados de de dezembro passado, o presidente da ABPA, Ricardo Santin, apontou 2025 como o ano em que o Brasil se transformaria no terceiro maior exportador mundial de carne suína.
"Nossas contas jogam o Canadá para uma faixa de 1,35 milhão de toneladas, e nós, com 1,49 milhão de toneladas. O Brasil conquista uma posição boa para a suinocultura, com 15% do market share global", afirmou o presidente da AВРА.
Ao comparar os países de destino dos dois países, por mais que o Brasil enfrente dificuldades no México, o Canadá deve sofrer mais com a nova tarifa.
Apesar disso, a ABPA comemorou a permanência da isenção para a carne de frango. Nesse mercado, o México figura como o quinto maior destino das exportações brasileiras, importando 238 mil toneladas entre janeiro e novembro do ano passado, volume 16% maior em relação ao mesmo período do ano anterior.
Na carne bovina, a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) estima que o México tenha comprado, só em 2025, 113 mil toneladas, somando US$ 600 milhões em vendas. As estatísticas fazem do país latino o quinto maior destino do produto, atrás apenas de China, Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e Hong Kong.
Embalada tanto pela notícia envolvendo a China quanto essa envolvendo o México, empresas de carne (Minerva, MBRF e JBS) sofriam no mercado de Ações. Na B3, o papel da empresa de Marcos Molina recuava 4,50% no início da tarde, enquanto que a Minerva via a ação cair 6,77%. Em Nova Iorque, a ação da JBS tinha desvalorização de 1,25%.
Resumo
- México voltou a taxar a carne suína importada em cerca de 16%. Brasil cresce no mercado, mas responde por só 5% das exportações e vê efeito administrável
- EUA e Canadá são os mais expostos: só os americanos enviaram 681 mil toneladas ao México no 1º semestre, enquanto o Brasil vendeu 74 mil toneladas em 11 meses
- Frango segue isento e bovinos também entram na tarifa, num movimento que soma ruído às salvaguardas chinesas e pressiona ações de frigoríficos no início de 2026