Nos últimos dias, equipes da rede de distribuição de insumos paranaense Belagrícola intensificou os contatos com produtores rurais cujos grãos foram entregues à companhia e seus créditos ficaram retidos desde que a empresa iniciou, em dezembro passado, um processo de recuperação extrajudicial.

A corrida agora é angariar o máximo de apoios de produtores à RE, depois de ter avançado substancialmente entre os fornecedores e instituições financeiras, segundo apurou o AgFeed junto a uma fonte que participou dessas negociações.

Entre essas categorias de credores, a Belagrícola já teria superado a meta mínima de 50% de aprovação da sua proposta de renegociação de dívidas, o que faz com que a empresa esteja trabalhando com a hipótese de protocolar o documento com os apoios ao seu plano de recuperação já nos próximos dias, antes portanto do prazo limite, previsto para 10 de março.

No cômputo geral dos credores, que inclui os produtores, a mesma meta está muito próxima de ser atingida. E aí, segundo alerta a fonte, uma parcela relevante dos agricultores que vêm resistindo a assinar os termos, na expectativa de condições mais favoráveis, pode ficar de fora do acordo.

Segundo prevê o plano proposto pela companhia, aqueles que se registrarem como “parceiros” receberão seus créditos integralmente em um prazo de até 30 meses. Quem perder o prazo de adesão, que se encerraria com o protocolo do plano na Justiça, pode ficar, no entanto, sujeito a um deságio de 75% previsto no plano.

O pedido de recuperação extrajudicial foi apresentado no dia 11 de dezembro passado, quando se iniciou a contagem regressiva de 90 dias para que a empresa buscasse o apoio dos credores.

No documento arquivado no Tribunal de Justiça do Paraná, a belagrícola reportou mais de R$ 2,2 bilhões em dívidas, considerando somente os créditos quirografários (sem garantias reais), a serem pagos em até dez anos, em diferentes condições e prazos conforme o perfil dos credores.

A primeira proposta do plano de 73 páginas, protocolado pelo escritório Lollato Lopes Rangel Ribeiro Advogados, trazia já o apoio inicial de um grupo de credores signatários representando um total de R$ 788,5 milhões, ou cerca de 35% do total a ser repactuado.

Entre as primeiras adesões estavam indústrias de insumos, como Basf, Syngenta, Sumitomo Chemical, Ourofino, Albaught, os bancos Santander e Citibank, além do CRA Província.

A proposta da Belagrícola estabelece como regra geral para os credores que não apoiam o plano o pagamento de 25% dos valores devidos, com a incidência de juros equivalentes à variação do IPCA, calculada a partir da data de homologação do plano e capitalizada semestralmente.

A amortização dos valores renegociados ocorrerá em quatro parcelas semestrais sucessivas, com a primeira delas sendo paga apenas 84 meses (ou sete anos) após a homologação.

Para aqueles que assinarem acordos com a companhia, concordando em participar da reestruturação, há diferentes alternativas, prevendo o pagamento integral dos créditos, com prazos e correções diferentes conforme cada uma das seis categorias de credores listadas.

Para os “credores fornecedores apoiadores”, por exemplo, a proposta é pagar 100% do principal em 10 parcelas semestrais (cinco anos) iniciadas dois anos após a homologação, com a incidência de juros equivalentes à taxa anual do IPCA.

Já para os produtores rurais aderentes ao plano, a empresa oferece prazos bem menores, de até 2 anos e meio (cinco parcelas semestrais consecutivas), em um prazo que começa a contar a partir da homologação do plano, ou seja, sem a carência incidente sobre os fornecedores.

Os juros a corrigir a dívida aplicarão a taxa do IPCA. Para pequenos valores, até R$ 5 mil, com quitação integral em 30 dias após a homologação.

Procurada pelo AgFeed para comentar o andamento das negociações e a possibilidade de antecipação de prazos, a Belagrícola não se manifestou.

Resumo

  • Belagrícola já superou 50% de adesão entre fornecedores e bancos e pode protocolar o plano antes de 10 de março
  • Empresa faz campanha para ampliar adesão de produtores rurais, que, segundo o plano, podem receber 100% do crédito em até 2,5 anos
  • RE busca repactuar dívida quirografária que soma R$ 2,2 bi, com propostas diferentes para cada perfil de credor