Quando a produção no campo responde bem, o reflexo positivo é imediato nas empresas do segmento logístico, que sentem o aquecimento dos negócios nos trilhos, portos e terminais.

Foi esse o movimento ao longo de 2025 e, mantidas as condições atuais, a perspectiva para 2026 segue igualmente positiva.

Essa é também a leitura da VLI Logística, segunda maior operadora ferroviária do País. A empresa movimentou 23 milhões de toneladas úteis (TUs), medida que considera apenas o peso da carga. A alta foi de 16% na comparação com 2024. Trata-se de um volume recorde na história da VLI.

Já nos portos operados pela companhia, foram embarcadas 15,4 milhões de toneladas úteis, crescimento de 14% na comparação anual.

A VLI movimenta grãos e farelos nos seus corredores logísticos de maior volume: Sudeste, Leste e Norte. O Corredor Sudeste conecta o Centro-Oeste à Baixada Santista, por meio da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA).

Já o Corredor Leste liga o Triângulo Mineiro aos portos de Vitória (ES), integrando a FCA e a Estrada de Ferro Vitória a Minas. O Corredor Norte, por sua vez, conecta regiões produtoras do Centro-Norte aos portos do Maranhão, combinando o ramo norte da Ferrovia Norte-Sul, que vai de Porto Nacional (TO) a Açailândia (MA), a Estrada de Ferro Carajás e terminais integradores estrategicamente posicionados.

A companhia não abre projeções da quantidade de grãos que antevê movimentar em seus modais ao longo deste ano, mas avalia que o momento é positivo.

"Salvo em anos de quebra de safra, a VLI mantém uma trajetória crescente nos volumes do agronegócio transportados pelo sistema integrado da companhia", disse Carolina Hernandez, diretora comercial da companhia, em nota. "Ou seja, em um ano de crescimento esperado de safra, de acordo com dados da Conab, é natural buscar essa trajetória crescente."

A VLI recentemente divulgou seu balanço com os dados do ano passado, que indicam que a movimentação de grãos ajudou a empresa a manter sua trajetória estável. A companhia terminou o ano de 2025 com uma receita líquida de R$ 9,9 bilhões, 1% a mais do que em 2024. O lucro líquido foi de R$ 1,3 bilhão, alta de 5% na comparação com o ano anterior.

Já o Ebitda (sigla para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia foi de R$ 4,6 bilhões, 7% a menos do que em 2024. O Ebitda recorrente, por sua vez, foi de R$ 5,2 bilhões, alta de 5% em comparação com 2024.

"O recuo nas tarifas ferroviárias foi compensado principalmente por racionalização em custos e despesas, geração de receitas alternativas além da ampliação dos volumes movimentados", explica o CEO da companhia, Fabio Marchiori, em mensagem de administração que acompanha os números.

Marchiori disse, também no comunicado, que a VLI segue aguardando a renovação da Ferrovia Centro-Atlântica, um dos principais corredores logísticos da empresa e cujo contrato vence no fim de agosto deste ano.

"Mantemos nossa dedicação e flexibilidade nas tratativas com os representantes de diversos entes da Federação para garantir a renovação equilibrada e responsável da concessão", afirmou.

A VLI prepara investimento de cerca de R$ 1,2 bilhão na FCA, recursos que serão utilizados para manutenção da via permanente e material rodante, entre outras melhorias. Considerando já o novo aporte, a empresa diz ter investido cerca de R$ 4,8 bilhões entre 2023 e 2026 na ferrovia.

A empresa não trouxe novidades, no entanto, sobre o projeto de um novo berço no porto de Itaqui, em São Luís (MA) e de uma "retro area", que seria a alça ferroviária ou uma eventual expansão ferroviária. As novas estruturas teriam um custo de R$ 3 bilhões à empresa e levariam, no mínimo, 18 meses para serem construídas.

Resumo

  • Sob impulso de uma safra favorável de grãos, a VLI Logística movimentou 23 milhões de toneladas em 2025 (+16%), recorde histórico, com alta também nos portos (15,4 milhões de toneladas, +14%)
  • Corredores Sudeste, Leste e Norte seguem como eixo do escoamento de grãos, e a companhia vê perspectiva positiva para 2026, acompanhando expectativa de safra maior
  • Receita líquida chegou a R$ 9,9 bilhões (+1%) e lucro a R$ 1,3 bilhão (+5%), com foco em eficiência para compensar queda de tarifas