O Brasil ficou pequeno para a Topigs Norsvin, companhia europeia de genética para suínos. Ou pelo menos deixou de ser o único foco de expansão na América do Sul.

Com presença consolidada no mercado brasileiro e participação relevante na genética suína nacional, a multinacional decidiu avançar de forma mais estrutural no Paraguai, e acabou de inaugurar uma central própria de inseminação artificial com investimento superior a R$ 5 milhões.

A unidade, localizada na cidade de Santa Rita - cerca de 80 quilômetros de distância da fronteira com o Brasil - no Paraná, em Foz do Iguaçu - entrou em operação em janeiro e tem capacidade para alojar 100 reprodutores de alto valor genético.

O movimento marca uma nova etapa da companhia no país vizinho, onde atua desde 2017 com parcerias locais, e reforça a estratégia de acompanhar de perto o promissor mercado da suinocultura paraguaia.

“A decisão de estabelecer uma base operacional robusta no país vizinho acompanha o momento de profissionalização e crescimento da suinocultura por lá. O negócio tem crescido, mesmo ainda sem um número significativo de matrizes industriais, é um país promissor, uma continuidade do Paraná", afirmou o diretor de negócios e marketing da Topigs Norsvin, Adauto Canedo, ao AgFeed.

Como parte da expansão no Paraguai, a Topigs Norsvin enviou em novembro do ano passado duas mil matrizes TN-70 à Raatz, sua maior cliente e parceira no país. O envio integra o plano de crescimento da granja, que passa a operar com 11 mil matrizes, com perspectiva de alcançar 13 mil já nos próximos meses.

O aumento de vendas no país vizinho também fez necessária a criação de uma central de inseminação local, para abastecer as granjas de avós e bisavós para fazer matrizes e machos terminadores.

"Em dezembro de 2025 concretizamos a inauguração da primeira operação em uma central. Já temos 100 machos, com possibilidade de fazer duplicação para atender uma demanda futura", acrescentou.

O investimento ocorre em um momento de aceleração da suinocultura paraguaia. Dados da Associação Paraguaia de Criadores de Suínos indicam que as exportações de carne do animal saltaram de cerca de 5 mil toneladas até 2022 para 13 mil toneladas em 2024.

A entidade projeta que, nos próximos cinco anos, o país poderá elevar de 15% para até 65% a fatia exportada de sua produção, à medida que amplia capacidade industrial e consolida certificações sanitárias.

Hoje, a Topigs estima deter cerca de 32% de participação no mercado paraguaio, índice próximo ao registrado no Brasil, onde afirma ter 33% de market share na linha fêmea e 15% na linha macho. Segundo Canedo, aproximadamente 55% dos principais clientes nacionais utilizam genética da companhia, com grande parte do mercado concentrado na região Sul.

"Até temos um bom volume em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso, mas são mercados de 'produtores independentes', diferente do Paraná, por exemplo, em função dos frigoríficos e cooperativas de grão", explica o diretor.

A Topigs Norsvin é uma empresa de origem holandesa e norueguesa, com atuação em mais de 55 países, tendo o Brasil como um dos principais mercados. A empresa registrou faturamento acima de 300 milhões de euros no ano de 2024 (cerca de R$ 1,8 bilhão, pela cotação atual), o último que teve números divulgados.

A receita mostrou avanço de 12% em relação ao ano anterior, e cresceu principalmente por avanços em regiões como Brasil, Espanha e América do Norte.

“Brasil hoje é considerado país chave para a suinocultura mundial”, afirmou o executivo, citando custo competitivo de grãos e mão de obra. Além de mercado relevante, o país funciona como hub de fornecimento de genética para outros países da América Latina.

A projeção para esse ano é acompanhar o crescimento esperado pelo mercado de carne suína. Segundo projeções da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), o Brasil deve produzir 5,7 milhões de toneladas da proteína, uma alta de 2,7% frente ao ano anterior. A exportação deve bater 1,55 milhão de toneladas, avanço de 4% em um ano.

"A tendência é que seja parecido com 2025. Somos uma empresa que acaba sendo puxada pelo movimento do mercado pela participação expressiva em market share e em clientes. O que temos feito é crescer o share dentro de quem já é cliente", citou Canedo.

Resumo

  • A Topigs Norsvin inaugurou uma central de inseminação artificial no Paraguai, com investimento superior a R$ 5 milhões e capacidade para 100 reprodutores, reforçando presença em um mercado em rápida expansão
  • A empresa já detém cerca de 32% do market share paraguaio e enviou 2 mil matrizes TN-70 à parceira Raatz, que ampliará sua operação para até 13 mil matrizes
  • Com 33% de participação na linha fêmea no Brasil, a multinacional aposta no crescimento da suinocultura regional, impulsionada por aumento das exportações e maior profissionalização do setor