Não demorou um mês como esperado, mas apenas uma semana para que a SLC Agrícola informasse ao mercado, na manhã desta sexta-feira, 26 de junho, que vai exercer direito de preferência de compra sobre terras que arrendava da Radar, empresa de propriedades agrícolas controlada pela Cosan e pela gestora americana Nuveen.

A Radar tinha negociado 41,2 mil hectares com o Grupo Bom Futuro, dos irmãos Eraí, Elusmar e Fernando Maggi Scheffer, por R$ 1,85 bilhão. As áreas representam 12% do portfólio da companhia da Cosan.

Mas, como a SLC arrendava 17,6 mil hectares desse conjunto de terras, tinha direito de preferência de compra dos imóveis – e o exerceu.

Assim, a companhia da família Logemann adquiriu por R$ 1,85 bilhão todos os imóveis que compõem o "Bloco Mato Grosso", não se restringindo apenas às terras arrendadas. Dos cerca de 41,2 mil hectares, 28,8 mil hectares são agricultáveis e apresentam potencial para 100% de plantio de segunda safra., disse a SLC no comunicado desta manhã. Atualmente, a empresa já opera 17,6 mil hectares dessa área, o que reduz o tempo necessário para integrar os ativos à sua operação.

"A aquisição será realizada na modalidade “porteira fechada”, em caráter indivisível e em igualdade de condições com a proposta recebida pelas proprietárias dos ativos", disse a SLC no comunicado.

A transação será feita em duas partes. Inicialmente, a SLC vai depositar um sinal de R$ 700 milhões em até cinco dias úteis a partir desta sexta-feira, cujo valor deverá ser corrigido por 100,25% do CDI a partir cinco dias úteis contados a partir de 28 de maio de 2026.

Depois, ainda restará um saldo de R$ 1,15 bilhão a ser pago na data da lavratura das escrituras públicas de compra e venda, que deverá ocorrer até 30 de outubro de 2026.

A operação ainda poderá ser levada à aprovação pelo Cade, se aplicável.

A SLC tinha 30 dias para dar uma resposta à Radar sobre a proposta. A julgar pela rapidez com que tomou a decisão, as terras parecem ser de fato estratégicas para a companhia.

Além disso, o negócio também chama a atenção por ser um ponto fora da curva na trajetória recente da empresa.

Isso porque, nos últimos anos, a SLC adotou uma política de expansão baseada no modelo asset light, priorizando operações de arrendamento à imobilização de capital em aquisições.

Por outro lado, abrir mão da preferência significaria ter a primeira redução de área em muitos anos e, mais do que isso, ter de entregar propriedades maduras, em que, ao longo de anos, foram investidos milhões de reais para melhorar seu perfil produtivo, inclusive para a produção de algodão.

Resumo

  • SLC Agrícola exercerá preferência de compra de imóveis rurais e comprará 41,2 mil hectares da Radar por R$ 1,85 bilhão
  • Terras estão localizadas em Mato Grosso e estavam sendo negociadas com Grupo Bom Futuro
  • SLC já arrendava parte da área agrícola