As sementes superaram os defensivos agrícolas e se tornaram o principal negócio da Agro Amazônia, uma das maiores distribuidoras de insumos do Brasil, controlada pelo grupo japonês Sumitomo Corporation desde 2015.
A mudança vem se consolidando nos últimos dois anos, justamente durante a crise que atingiu o setor de distribuição de insumos agrícolas, marcada pelo aumento da inadimplência dos produtores, dificuldades financeiras de revendas e processos de recuperação judicial.
“Há cerca de dois anos, o negócio de sementes ultrapassou o de agroquímicos e se tornou o segmento de maior relevância dentro da Agro Amazônia”, afirmou ao AgFeed Marcelo Cassiolato, vice-presidente de Marketing da companhia.
O executivo não revela a participação de cada segmento no faturamento - a receita do grupo é estimada em mais de R$ 5 bilhões -, mas atribui a mudança ao crescimento da Dagma. A marca própria de sementes de soja foi criada em parceria com a GDM, gigante argentina especializada em genética vegetal.
A Dagma completa cinco anos com produção de 1 milhão de sacas ao ano. Considerando toda a operação de sementes da Agro Amazônia, incluindo outras marcas, o volume ultrapassa 2 milhões de sacas. Segundo Cassiolato, a empresa ocupa a segunda posição nacional em volume de produção de sementes de soja.
A estratégia da Dagma combina acesso à genética de terceiros, multiplicação de sementes e investimentos em beneficiamento, armazenagem e distribuição.
“A Agro Amazônia não tem, neste momento, a intenção de investir em genética própria”, disse Cassiolato.
A parceria com a GDM funciona em duas modalidades. Na primeira, a distribuidora multiplica e comercializa variedades desenvolvidas pela empresa de genética. Na segunda, as companhias atuam por meio de uma joint venture responsável pela Dagma.
O modelo permite à Agro Amazônia concentrar seus investimentos nas etapas industriais e comerciais da produção, sem assumir os custos de desenvolvimento de cultivares.
Investimentos
O principal investimento foi de mais de R$ 160 milhões em uma nova indústria de beneficiamento de sementes, destinada à limpeza, classificação e padronização dos lotes.
A estrutura inclui ainda um centro de armazenagem e distribuição de 15 mil metros quadrados, com controle de temperatura e umidade, além de instalações para tratamento industrial de sementes.
“Na nossa visão, a qualidade da semente não se garante apenas pela genética. Ela depende de como o material é acompanhado no campo, colhido, beneficiado, tratado, armazenado e transportado”, afirmou.
Os investimentos não devem parar. Cassiolato informou que a companhia pretende ampliar a produção e continuar aplicando recursos em tratamento de sementes, logística e transporte, embora não tenha divulgado valores nem cronogramas para os próximos projetos.
O objetivo é aumentar a oferta de sementes tratadas industrialmente, entregues prontas para o plantio.
“Queremos entregar um produto pronto para ser utilizado, de modo que o cliente precise apenas abrir o saco e plantar”, explicou.
A expansão ocorreu em um período particularmente difícil para as revendas agrícolas. Entre 2023 e 2025, a combinação de preços mais baixos das commodities, margens pressionadas e deterioração do crédito rural comprometeu os resultados de empresas do setor.
A AgroGalaxy, uma das maiores redes de distribuição do País, entrou em recuperação judicial em 2024, evidenciando a dimensão da crise. Depois dela, outras grandes compamhias do segmento, como Lavoro e Belagrícola, buscaram também proteção judicial.
Todas elas apostaram também em negócios próprios de sementes, mas não conseguiram cruzar ilesas o período de crise das revendas. Já a Agro Amazônia atravessou esse momento mantendo a expansão da operação de sementes.
Cassiolato atribui a trajetória a uma combinação de investimentos industriais, relacionamento com multiplicadores especializados e seleção de variedades adaptadas às diferentes regiões produtoras.
“Não existe um único fator que explique a capacidade de continuar crescendo em um mercado tão desafiador”, afirmou.
Segundo ele, a empresa também investiu na capacitação das equipes comerciais para oferecer recomendações agronômicas adequadas às condições de cada propriedade.
Participação de mercado
A estratégia busca responder a uma preocupação crescente dos agricultores com o retorno econômico dos insumos, especialmente em um cenário de margens mais apertadas.
Para Cassiolato, a escolha de uma variedade deve considerar o potencial produtivo, as características do solo e o histórico climático da área, e não apenas o preço da semente.
No Cerrado, principal região de atuação da companhia, a Dagma detém aproximadamente 3% do mercado de sementes de soja. Considerando todas as marcas comercializadas pela Agro Amazônia, a participação fica entre 6,5% e 7%.
A companhia pretende ampliar essa presença nos próximos anos, apoiada na capacidade industrial já instalada e na continuidade dos investimentos em beneficiamento, armazenagem e tratamento de sementes.
Resumo
- Dagma completa cinco anos com 1 milhão de sacas; operação total já supera 2 milhões
- Agro Amazônia ocupa segunda posição nacional em volume de produção de sementes de soja
- No Cerrado, Dagma detém 3% do mercado; participação da companhia chega a 7%