A BrasilAgro é conhecida pelo seu DNA de compra e venda de terras agrícolas. A empresa também atua na produção de grãos e outras culturas agrícolas. Mas na safra 2025/2026, sem negociar áreas dentro do Brasil, a companhia amargou um prejuízo tanto no ano quanto no último trimestre do período.
Durante toda o ciclo, a BrasilAgro fez somente uma venda de terras, no Paraguai, em março. A Fazenda Moroti, com área total de 921 hectares, foi vendida por US$ 3.062 por hectare. A empresa havia adquirido a área por US$ 1.761 por hectare.
Segundo a companhia, dessa venda US$ 590 mil foram já reconhecidos no balanço do terceiro trimestre da safra 2025/2026, e outros US$ 903 mil serão reconhecidos após o cumprimentos de algumas condições.
Sobre a ausência de negócios no Brasil, o CEO da BrasilAgro, André Guillaumon, disse que o ambiente macroeconômico dificultou bastante o fechamento de novas vendas. “Os juros altos têm impactado demais, está difícil viabilizar crédito”.
O executivo afirma, no entanto, que está otimista com o cenário para a safra 2026/2027. Tanto que já pediu para que a companhia volte a ter projeções para venda de terras.
“Nós ainda temos muito recebíveis de fazendas já vendidas e nosso nível de endividamento está saudável. Podemos ter mais seletividade para fechar transações”, conta Guillaumon.
Os números da BrasilAgro sentiram essa falta de venda de fazendas. No quarto trimestre da safra 2025/2026, a companhia registrou prejuízo líquido de quase R$ 14 milhões, ante lucro de R$ 61 milhões no mesmo período de 2024/2025.
Em toda a safra, a BrasilAgro registrou prejuízo de R$ 90 milhões, ante lucro de R$ 138 milhões na safra anterior.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou em R$ 56,5 milhões no quarto trimestre, queda de 21% na comparação anual. Na safra, o indicador caiu 63%, para R$ 99 milhões.
Cana e gado têm impactos negativos
A BrasilAgro também é conhecida por sua forte atuação na produção de soja e milho. E teve bons resultados com as duas culturas. No entanto, na venda de cana e até mesmo na pecuária, a companhia teve problemas.
Gustavo Javier Lopez, diretor financeiro da BrasilAgro, cita a queda nas vendas de cana-de-açúcar como um dos fatores que mais pesaram nos resultados da companhia na safra encerrada.
“Houve um atraso no processamento de cana pelas usinas, por conta da baixa nos preços do açúcar. Isso fez com que boa parte da produção ficasse retida para venda na próxima safra”, explicou o executivo.
Na soja, a BrasilAgro teve um aumento de 80% na quantidade faturada no quarto trimestre da safra e de 76% na receita líquida. Com isso, o resultado bruto com a cultura mais que dobrou em um ano.
No milho, o desempenho foi mais discreto, quando se olha o volume vendido e a receita, que cresceram 5% e 1%, respectivamente, no trimestre. No entanto, o resultado bruto cresceu 15% em um ano, com o aumento da produtividade.
Para a cultura da caso da cana-de-açúcar, o volume faturado pela BrasilAgro no trimestre recuou 57%, para 271 mil toneladas. A receita líquida caiu 60%, e o resultado bruto recuou 67% na comparação com o mesmo período da safra anterior.
Segundo a companhia, cerca de 280 mil toneladas deixaram de ser vendidas no ciclo 2025/2026 por conta do ritmo mais lento das usinas no processamento de cana.
Para a safra 2026/2027, Guillaumon demonstra otimismo. “Os preços do açúcar estão se recuperando, o que deve levar as usinas a uma retomada”.
Ele afirma, no entanto, que é difícil o preço da cana retomar os picos que já foram observados historicamente, por conta da concorrência do etanol de milho.
“Antes, sem o milho, nós tínhamos um produto com ciclo de produção de 8 meses para atender o ano inteiro. Isso equilibrava os preços. Agora, o milho traz uma disponibilidade mais estável e constante”, diz o CEO da BrasilAgro.
Até mesmo no gado, utilizado mais para cobertura de áreas que têm maiores riscos com a chegada do El Niño, a companhia teve problemas.
A quantidade de toneladas vendidas recuou 85% em 12 meses, no quarto trimestre da safra, e a receita líquida caiu 79%.
Mas Guillaumon também está otimista com um ciclo do gado mais favorável a partir do próximo período. “Vamos continuar com a mesma estratégia e acreditamos que teremos resultados melhores na pecuária”.
Resumo
- BrasilAgro encerra a safra 2025/2026 no prejuízo após não vender terras no Brasil e enfrentar um cenário de juros elevados
- Companhia projeta retomada das transações de terras e volta a divulgar projeções para a temporada 2026/2027
- Queda nas vendas de cana e gado pressionou os resultados, apesar do bom desempenho de soja e milho