Referência em rações para a criação de peixes, a Raguife, do grupo paulista Ambar Amaral, cresceu apostando em um nicho do mercado de nutrição animal. Agora, os planos de crescimento da companhia seguem em nova direção.

Segundo o CEO da empresa, Felipe Amaral, revelou ao AgFeed, a empresa deve dobrar a capacidade produtiva até 2030 apostando no apetite de gatos e cachorros, que movimenta o bilionário mercado pet.

Fundada há 15 anos, a empresa possui uma fábrica em Santa Fé do Sul, cidade na divisa entre os estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Por lá, produz cerca de 15 mil toneladas de rações por mês.

Para dar tração e atender os mais de 22 estados e o Distrito Federal, mercados onde atua, a companhia comprou uma nova fábrica em Minas Gerais, na cidade de Bom Despacho e está construindo uma unidade ao lado da sede paulista para focar apenas nas rações para pets.

Felipe Amaral não revelou quanto a empresa gastou na compra da fábrica mineira e nem na construção da nova planta paulista, mas garantiu que todo ano a Raguife investe R$ 45 milhões, seja para novas construções ou para modernizar o maquinário.

Segundo o executivo, a companhia fatura cerca de R$ 32 milhões por mês, algo em torno de R$ 380 milhões por ano. Com a nova fábrica de ração para peixes e a nova instalação focada em pets, a ideia é fazer o faturamento mensal bater R$ 40 milhões.

“De 2017 para cá, crescemos entre 20% e 30% todo ano”, afirmou Amaral. Ele conta que a empresa ainda possui um terreno no Paraná, que no futuro também pode se transformar em fábrica.

Segundo dados da Associação Brasileira da Psicicultura (PeixeBR), o Brasil produziu 887 mil toneladas de peixes no ano passado, com liderança no estado do Paraná, seguido por São Paulo e Minas Gerais.

“No Paraná nós vendemos as rações, e pensando no consumo de produtos pet, o estado seria um ponto estratégico por estar próximo do Paraguai, um dos maiores consumidores da ração brasileira”, afirmou. No mercado pet, a ideia da Raguife é dar uma tração forte nas exportações.

Felipe Amaral explica que a carga tributária pesada no país para o produto é zerada em vendas para fora, o que abre caminho para conquistar toda a América e também a Europa. Os primeiros países a receber as rações para gatos e cachorros da Raguife devem ser Bolívia, Equador e Colômbia.

No segmento pet, a Raguife atua com produtos premium, segundo Felipe Amaral. Para o futuro, o negócio pode se expandir para além dos cachorros e gatos, e partir para pássaros e peixes de aquário.

Hoje a capacidade produtiva total da Raguife é de cerca de 12 mil toneladas de ração por mês, algo em torno de 180 mil toneladas anuais. A fábrica mineira consegue produzir cerca de 2 mil toneladas por mês de produtos. Atualmente, 95% da produção é voltada para a linha aqua.

A nova fábrica dedicada exclusivamente ao segmento pet terá uma capacidade de outras 14 mil toneladas. Com isso, a meta da Raguife é atingir 30 mil toneladas de ração produzidas mensalmente em 2030.

Hoje, pensando no faturamento da empresa, 90% vem dos produtos para os animais aquáticos e 10% dos pets. Até o final da década, a expectativa é que a receita seja dividida em 50% para cada segmento. “Todo mundo conhece a Raguife como a ração para peixe e nossa intenção era diversificar o nosso negócio”.

Amaral estima que 52% do preço da ração para pet é tributo, e por conta disso, o produto é vendido por um preço mais alto. Em seus cálculos, o faturamento médio por quilo de ração para peixe é de R$ 2,70, enquanto que nos pets o montante vai para R$ 6.

Além da Raguife, o grupo Ambar Amaral também atua com pecuária e ainda possui um frigorífico de peixes. A Brazilian Fish, que é comandada pelo irmão de Felipe, processa 11 mil toneladas de tilápia todo ano e vende para redes como Carrefour, Walmart e Swift.

Neste ano, o frigorífico deve investir R$ 35 milhões para criar um novo centro de reprodução e começar a atuar na produção de biofertilizantes feitos a partir dos resíduos da indústria. A ideia é produzir 1 milhão de litros do insumo agrícola por ano, utilizando 4% dos resíduos da produção de tilápia.

O grupo foi fundado pelo pai do CEO da Raguife, Antônio Carlos Lopes do Amaral, há 40 anos. Quando seus filhos Felipe, Ramon e Guilherme estavam se formando, o primeiro em zootecnia e os dois últimos em veterinária, começaram a tocar os negócios do grupo.

Em meados de 2008, quando Felipe foi perguntado pelo pai sobre o que um zootecnista fazia, ele respondeu que atuava com melhoramento genético de gado e nutrição animal. Esperando tocar o negócio de gado nelore da família, recebeu “uma fábrica de ração para tomar conta”.

O executivo tomou conta do projeto e atuou como faz-tudo nos primeiros anos. “Mexia até em empilhadeira”, conta.

Em setembro de 2009 a fábrica finalmente passou a funcionar e a expectativa de produção de 300 toneladas de ração por mês para atender apenas a demanda da empresa de tilápias do grupo foi ultrapassada nas primeiras semanas.

“Tivemos a grata surpresa de já atuar com todos os turnos e produzindo 800 toneladas por mês. O grupo era muito forte na região, que acabou virando um polo da piscicultura, e desde então nunca paramos de atuar 24h. Sonhamos mais alto e passamos por muitas ampliações desde então”, conta.