Depois de ampliar em 92% a receita com a execução de projetos e serviços em 2025, para R$ 130 milhões, a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa Agropecuária (Fundepag) espera manter o ritmo de expansão neste ano.

Criada em 1978, inicialmente para fazer a interface entre instituições de ciência e tecnologia (ICTs), empresas e agências de fomento, a entidade vem ampliando sua atuação para áreas como meio ambiente, meteorologia e tecnologia da informação.

Apesar de o agronegócio ainda concentrar a maior parte dos recebimentos da Fundepag, com 74,8% do total em 2025, as frentes ambiental e agroambiental responderam, cada uma, por 12,6%.

"A Fundepag exerce o papel de ter a interface, de ter a comunicação entre a ciência e tecnologia produzida pelas instituições de pesquisa do Brasil e a sociedade", afirma o presidente da entidade, Álvaro Duarte, ao AgFeed.

Atualmente, a fundação trabalha com mais de 15 ICTs. O modelo de atuação varia de acordo com a estrutura de cada projeto.

Em uma das modalidades, empresa e instituto de pesquisa firmam um contrato por meio da Fundepag. A ICT executa a parte técnica, enquanto a fundação cuida da gestão administrativa, financeira e de pessoal.

Em outra, a Fundepag atua como interveniente entre uma agência de fomento e uma instituição de pesquisa, administrando os recursos destinados ao projeto.

Ainda há também a possibilidade de que a fundação seja a executora do projeto, indo além de fazer a gestão.

Os próprios institutos de pesquisa são, portanto, responsáveis por parte relevante dos recursos movimentados pela fundação.

Em 2025, o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, respondeu por R$ 41,9 milhões dos recebimentos classificados por instituição, seguido pelo Instituto Biológico (IB), com R$ 27,1 milhões; pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), com R$ 17,3 milhões; e pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), com R$ 15,4 milhões.

A Fundepag também participa da gestão de projetos desenvolvidos diretamente entre empresas e institutos. Um dos exemplos é o centro de pesquisa de colágeno da JBS instalado no Ital e inaugurado no ano passado, que tem a gestão administrativa e financeira feita pela fundação.

Outro projeto envolve o Instituto Biológico e a produção de kits para diagnóstico de brucelose e tuberculose bovina, utilizados em diferentes regiões do país.

Na área de pesquisa agrícola e de alimentos, a fundação também participa do Cacau 360°, centro de ciência criado pelo Ital.

O projeto reúne pesquisas sobre sistemas produtivos, qualidade do cacau, fermentação, biotecnologia para aproveitamento de resíduos e coprodutos e gestão de riscos da cultura.

A entidade também atua em projetos ambientais. Desde 2008, por exemplo, participa do monitoramento ambiental de áreas marítimas onde a Petrobras está presente.

Outro trabalho envolve o acompanhamento dos rios afetados pelos rompimentos de barragens em Mariana e Brumadinho (MG), além de projetos relacionados aos impactos de chuvas intensas na Serra do Mar, em São Paulo, em parceria com o Instituto de Pesquisas Ambientais e com recursos do Banco Interamericano, cita Duarte.

A ampliação para outras áreas de pesquisa ocorreu nos últimos anos, em paralelo às mudanças na legislação brasileira sobre ciência, tecnologia e inovação.

Para Duarte, o Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, que entrou em vigor há dez anos, em 2016, e regulamentações posteriores facilitaram a relação entre empresas e ICTs e ampliaram o espaço para a atuação das fundações de apoio.

"Essa regulamentação facilitou muito o trabalho das ICTs em sua relação com a iniciativa privada. E, para que ela pudesse fazer isso, as fundações têm um papel fundamental", afirma.

Com isso, a Fundepag passou a incorporar instituições e projetos relacionados a meio ambiente, informática e clima. Um dos movimentos mais recentes é o aprofundamento da parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), para projetos relacionados a clima e meteorologia.

De olho em diversificar suas fontes de receita, fundação também passou a operar com recursos de emendas parlamentares, funcionando como interface entre as instituições de pesquisa e os recursos destinados à execução dos projetos.

A Fundepag também avalia ampliar sua atuação junto a universidades. A maioria das universidades públicas já possui fundações de apoio à pesquisa – as paulistas USP e Unicamp possuem, respectivamente, a Fusp e Funcamp e a fluminense UFRJ possui a FUJB e Fundação COPPETEC.

“A gente está com uma proposta de uma universidade que quer a Fundepag como fundação de apoio”, adianta Álvaro Duarte.

À frente da Fundepag desde 2017, Duarte está na entidade desde 2004. Para ele, a ampliação das relações entre empresas e instituições de pesquisa tende a manter as fundações de apoio como parte da estrutura de execução e gestão desses projetos.

"As instituições de tecnologia dependem das fundações de apoio para funcionarem bem", afirma.

Resumo

  • Fundepag amplia atuação além do agro e busca diversificar receitas com projetos ambientais, climáticos e de tecnologia
  • Fundação teve recebimentos de cerca de R$ 130 milhões em 2025, alta de 92%
  • Institutos de ciência e tecnologia estão entre os parceiros de projetos geridos pela Fundepag em diferentes áreas